quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Após pressão do movimento negro, USP deve realizar debate sobre cotas na universidade

Cristiane Capuchinho
Do UOL, em São Paulo
A reunião do Conselho Universitário da USP (Universidade de São Paulo), que aconteceu nesta terça-feira (25), decidiu pela realização de um debate com a comunidade acadêmica sobre a adoção do sistema de cotas para o ingresso na universidade. Representantes do movimento negro e do corpo discente defenderam a inserção de cotas raciais, no entanto a nota distribuída pela reitoria ao final da reunião fala em cotas sociais.
"Hoje foi uma sessão meramente de debates", explicou o professor Nei Fernandes de Oliveira, diretor da Escola de Engenharia de Lorena. A reunião teve participação de docentes, representantes discentes da graduação e da pós-graduação, de representante da Frente de Lutas Pró-cotas Raciais, do Núcleo de Consciência Negra da USP e do Instituto Luiz Gama - associação de defesa dos direitos humanos.
Após posicionamentos pró e contra o sistema de cotas, decidiu-se pela necessidade de ampliar o debate dentro da universidade. Em nota, a reitoria afirmou que houve consenso quanto à "realização de um grande seminário, em que a questão da inclusão social será discutida com maior profundidade e detalhamento com a comunidade universitária".

Estudantes protestam antes de reunião sobre cotas na USP

Foto 9 de 19 - Estudantes realizaram um protesto em frente à reitoria da USP (Universidade de São Paulo), nesta terça-feira (25), para pedir a adoção de cotas sócio-raciais na universidade. Dentro da reitoria, a reunião do Conselho Universitário discute o tema pela primeira vez desde a criação do Inclusp (Programa de Inclusão Social da USP), em 2006. O evento foi organizado pela Frente Pró-Cotas Raciais na USP, vinculado ao Núcleo de Consciência Negra Mais Leonardo Soares/UOL
"Pela primeira vez tivemos oportunidade de debater essa questão dentro do Conselho Universitário, isso é positivo", avaliou Silvio Luís de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama.
O reitor da USP, João Grandino Rodas, estabeleceu o compromisso de nos próximos dias nomear uma comissão que será responsável pela organização de seminários nas unidades da universidade. Não ficou estabelecido prazo para essa comissão.
O diretor do DCE (Diretório Central de Estudantes) da USP, Adrian Fuentes, considera que a reitoria se comprometeu timidamente. "Não ficou claro quem serão as pessoas convidadas para essa comissão e nem de que forma isso será feito."
Para a representante discente da pós-graduação, Maria Fernanda Silva Pinto, "a universidade é muito reticente em pensar políticas públicas afirmativas por meios que não sejam sócio-econômicos. A proposta é para que todos os professores tenham mais informações acerca do debate e da experiência brasileira para que a questão volte ao Conselho Universitário e as cotas sejam votadas".
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/25/apos-pressao-do-movimento-negro-usp-deve-realizar-debate-sobre-cotas-na-universidade.htm

Cresce número de alunos de EAD no país; cursos livres são maioria

Cláudia Emi Izumi
Do UOL, em São Luís (MA)
Aumentou o número de alunos que aderiram ao sistema de ensino a distância (EAD) no Brasil, o grupo soma mais de 3,5 milhões de estudantes. Os dados são do Censo EAD.BR 2011, divulgado no 18° Congresso Internacional de Educação a Distância, que vai até o dia 26 em São Luís (Maranhão).
A maioria dos cursos ministrados a distância (56%) são livres, não precisam de autorização do MEC (Ministério da Educação) para funcionarem. São cursos de  atualização ou aperfeiçoamento pessoal ou de aprimoramento profissional. Neles estavam matriculados, em 2011, 2,7 milhões de estudantes (77,2%).
Nos livres, as áreas de conhecimento mais procuradas são Administração e Gestão, Educação e Ciências da Computação.
Entre os 3.971 cursos autorizados pelo MEC, a maior parte dos matriculados estão no ensino superior (75%). A pós-graduação responde por 17,5% dos estudantes - inclusos aí mestrados, MBA e outros lato-sensu.
O restante dos matriculados, 7,5%, estão divididos entre cursos de ensino fundamental, médio e técnico.

Perfil

O censo indica que as mulheres são a maioria dos estudantes a distância. A única modalidade com público majoritariamente masculino é a de cursos corporativos - oferecidos por empregadores a seus funcionários.
Os alunos de EAD se concentram na região Sudeste: 2,1 milhão de matrículas. O Sul aparece em segundo lugar, com 625.184 estudantes. No Centro-Oeste são 595.098 estudantes e no Nordeste, 256.084. O Norte fica em último, com 14.184 matriculados.
A evasão de alunos, um dos principais obstáculos para o desenvolvimento das ações em EAD, teve uma média de 20%. O maior índice é proveniente de cursos livres, com 23,6%.

Pesquisa

O Censo EAD.BR, realizado pela Abed (Associação Brasileira de Ensino a Distância), reúne informações de 181 instituições que oferecem cursos de aprimoramento pessoal e profissional EAD - o que representa 13% das 1.424 instituições de ensino a distância listadas pela Abed. Os dados captados são de 2011.

Conheça os dez cursos de graduação a distância mais procurados do Brasil

Foto 4 de 11 - Serviço social, curso que forma assistentes sociais para lidar com as demandas da população, é o terceiro no ranking de matrículas em graduações a distância. Ao todo, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2010, há mais de 74 mil matrículas, 76,3% delas na rede privada. Mais Reprodução/SXC
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/26/cresce-numero-de-alunos-de-ead-no-pais-cursos-livres-sao-maioria.htm

Reitor quer consolidar expansão na Universidade Federal do RS

Portal do MEC

O reitor Carlos Alexandre Netto (C) ao ser reempossado pelo ministro em exercício, Paim Fernandes (D): “Queremos entregar em 2016 uma universidade maior, com mais qualidade e mais inclusiva” (foto: Fabiana Carvalho/MEC)“A Universidade Federal do Rio Grande do Sul é uma referência para o país quando se fala de expansão”, disse o ministro da Educação em exercício, José Henrique Paim Fernandes, ao reconduzir na tarde desta terça-feira, 25, Carlos Alexandre Netto ao cargo de reitor. À frente da UFRGS desde 2008, Netto assume o segundo mandato, que vai até 2016.

De acordo com o reitor, os objetivos para os próximos quatro anos são consolidar a expansão da universidade, a internacionalização e as políticas afirmativas. “Queremos entregar em 2016 uma universidade maior, com mais qualidade e mais inclusiva”, afirmou Netto.

Carlos Alexandre Netto é graduado em medicina pela própria UFRGS, com mestrado e doutorado pela mesma instituição. Fez pós-doutorado em neurociências na Universidade de Londres. Atua ainda como pesquisador na área de neurobiologia da memória e isquemia cerebral.

Na gestão acadêmica, foi chefe de departamento e diretor do Instituto de Ciências Básicas da Saúde. Foi pró-reitor de pesquisa da UFRGS na gestão 2000-2004 e pró-reitor de graduação no período 2004-2008.

Assessoria de Comunicação Social
Palavras-chave: educação, superior, UFRGS, reitor, posse

MEC reafirma posição a favor da obra de Monteiro Lobato

Portal do MEC
O Ministério da Educação reafirmou nesta terça-feira, 25, a posição absolutamente contrária a qualquer tipo de censura à obra do escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Ações propostas no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) e pelo técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto argumentam que a obra As caçadas de Pedrinho tem conteúdo racista.

O MEC, baseado em parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), entende que uma nota explicativa nas edições futuras é instrumento suficiente para contextualizar a obra.

Em reunião nesta terça-feira, 25, em Brasília, proposta pelo ministro Luiz Fux, do STF, com representantes de movimentos de combate ao racismo, os secretários do MEC de educação básica, Cesar Callegari, e de educação continuada, alfabetização, diversidade e inclusão, Cláudia Dutra, defenderam o valor literário da obra de Lobato. Para Callegari, o acesso à informação científica e cultural deve ser preservado. “O MEC defende a plena liberdade de ideias e o acesso dos estudantes a produções culturais e científicas com a mediação de um professor”, afirmou.

De acordo com Cláudia Dutra, o Ministério da Educação tem trabalhado na formação de professores para a educação etnorracial. “Entre 2006 e 2012, foram formados mais de 139 mil professores, e a demanda da área para os próximos dois anos é de 56 mil profissionais”, disse. “O MEC assumiu o compromisso da expansão dos programas de formação.”

Os resultados da reunião desta terça-feira serão encaminhados ao ministro Luiz Fux, a quem cabe tomar a decisão sobre o tema.

Assessoria de Comunicação Social
Palavras-chave: educação etnorracial, Monteiro Lobato, livro

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aluno que brigou com professora será transferido de escola; família diz que processará docente

Gustavo Delacorte
Do UOL, em Santos
O aluno de 15 anos que se envolveu em uma briga com uma professora de inglês de uma escola particular de Santos (72 km de São Paulo) no último dia 13 será transferido da instituição.

A decisão foi tomada na última sexta-feira (21), após uma reunião entre o aluno, acompanhado de seu advogado, a professora, a direção da escola e o conselho de classe, que é formado por mais da metade dos professores do colégio Santa Cecília, onde o caso aconteceu. Na reunião, ficou decidida a aplicação da penalidade de transferência compulsória - quando uma carta de transferência é dada ao aluno para que ele vá para outra escola.
De acordo com a assessoria de imprensa do colégio, a professora está afastada por motivos médicos, sendo um deles a queda sofrida na briga com o aluno, que ocasionou uma lesão no cóccix. Após o término do período da licença médica, ela voltará às atividades profissionais normais.
Segundo o advogado da professora, José Luiz Macedo, ela não quer se pronunciar sobre o caso por envolver um menor e não pretende parar de dar aula.
“Ela ficou muito abalada e não quer se expor. Ela dá aula há mais de 20 anos. Só nessa escola são 15, tanto que está recebendo a solidariedade de todos. Dar aula é a coisa que ela mais gosta de fazer”.

Outro lado

O advogado do adolescente, Claudio Augusto Santos, afirmou que a família do garoto entrará com uma ação contra a escola e a professora. “Ele está muito abalado e não tem dormido. Primeiro nós vamos resolver a questão da transferência, porque ele precisa fazer as provas para poder concluir o terceiro bimestre. Depois disso, com certeza entraremos com uma ação, porque está havendo uma grande distorção dos fatos”.
O advogado encaminhou ao Ministério Público os vídeos gravados durante a confusão e agora aguarda a decisão do promotor de Justiça.
“O vídeo que está sendo divulgado foi editado. Eu enviei os originais desse e de outro vídeo, que mostra claramente a professora segurando o aluno, dando um 'golpe' nele e o arremessando ao chão”.

Entenda o caso


O incidente aconteceu no último dia 13 em uma classe do 1º ano do ensino médio do colégio Santa Cecília, em Santos, por conta de uma nota que o aluno recebeu e não teria concordado. Um vídeo do fato, gravado por um dos outros alunos que presenciaram a briga, foi divulgado na internet na última quinta (20).
Na gravação, o aluno aparece sentado, se levanta, caminha até a professora para questionar a nota e uma discussão é iniciada. Momentos depois, ele pega o diário de classe da professora e começa a apagar as notas. A professora tenta recuperar o diário e os dois caem no chão em uma briga. A confusão é separada por um aluno e um inspetor de alunos da escola.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/24/aluno-que-trocou-agressoes-com-professora-sera-transferido-de-escola-particular-de-santos.htm

 

Após suicídio de aluno, universidade dos EUA cria moradias especiais para comunidade LGBT

Ariel Kaminer
Do New York Times
  • Membros da fraternidade Delta Lambda Phi, predominantemente GLS Membros da fraternidade Delta Lambda Phi, predominantemente GLS
Há dois anos, Tyler Clementi, um calouro gay da Universidade Rutgers, cometeu suicídio após saber que seu colega de quarto ridicularizou sua sexualidade e convidou amigos para espiá-lo com outro homem. Esse terrível episódio chamou uma atenção nacional nada bem-vinda para a universidade. Antes conhecida como uma escola estadual grande e diversa, Rutgers passou a ser associada a homofobia e crueldade.

Mas hoje, estudantes gays, lésbicas, bissexuais, transgênero e aqueles que os apoiam podem escolher quatro opções de moradia especializada, três delas novas, variando de um serviço que as une com colegas de quarto de mentalidade semelhante, até a Perspectivas Arco-Íris, um piso em um dormitório organizado em torno de interesses comuns.
Eles agora podem contar com apoio dos 130 funcionários e membros do corpo docente que foram treinados como contatos oficiais do campus, ou com os estudantes de um novo programa de treinamento para “aliados”, cuja sessão inaugural já está com lotação máxima. A edição deste ano de um manual que lista os recursos do campus para “questões homossexuais” tem 92 páginas.
E nesta semana, a Campus Pride (orgulho do campus), uma organização que avalia as escolas com base em suas políticas inclusivas, deu ao campus principal da Rutgers, em New Brunswick, a cotação máxima, cinco estrelas. Dentre as 32 categorias possíveis nas quais uma escola pode se distinguir, a Rutgers teve sucesso em 31.

A Rutgers tem uma longa história de inclusão; quando a Liga Homofila de Rutgers foi fundada em 1969, por exemplo, ela era apenas o segundo grupo estudantil do gênero no país. Mas desde a morte de Clementi em 22 de setembro de 2010, a universidade tem aumentado seus esforços, estimulada por uma comunidade que se expressa intensamente no campus, uma administradora cheia de energia e uma necessidade urgente de controle de danos.

Mesmo alguns dos estudantes ficaram surpresos pela força da política de inclusão da Rutgers.

Em 2011, pouco antes do início de seu primeiro ano na Rutgers, Nicole Margolies estava falando com um supervisor quando disse: “Eu sou transgênero, e não sei o que fazer a respeito. Para onde eu vou?” Nick, como o estudante é conhecido agora, temia que nem mesmo sua entrada seria autorizada no campus. Em vez disso, ele disse, quando ele chegou lá, o nome na porta de seu quarto no dormitório tinha sido atualizado. Seus professores o tratam como “ele”. E todos o fazem se sentir normal. Ele diz que se espantou.

ALIADOS

No centro de toda essa atividade está Jenny Kurtz, a chefe do Centro para Educação de Justiça Social e Comunidades GLS da Rutgers. Falando rápido como uma metralhadora, ela soa como uma estudante especialmente cafeinada. Mas com seus cabelos loiros, óculos escuros enormes e salto alto, ela mais parece uma agente júnior de Hollywood e se destaca facilmente em um campus descontraído de bonés e jeans.

Kurtz disse que uma das maiores prioridades de seu trabalho era “criar aliados” –pessoas cujas identidades não correspondessem às iniciais em seu portfólio, mas que se consideram amigas da causa ou causas, e querem saber mais sobre como ajudar.

Esse esforço, que somado aos outros projetos do centro, sai de um orçamento discricionário de US$ 70 mil neste ano (em comparação a US$ 40.500 no ano anterior à morte de Clementi), parece ser extremamente bem-sucedido. Além da procura por programas de treinamento, ela disse que não consegue produzir broches de “aliado” rápido o bastante; tão logo ela recebe mil, as pessoas os pegam e pedem mais.

Além dos próprios estudantes gays e transgênero e do círculo concêntrico daqueles que se posicionam ativamente como aliados, não se sabe até onde a mensagem do centro se espalhou. Kurtz disse que ainda não encontrou nenhuma pessoa que não desse apoio. Mas Rutgers é, afinal, uma universidade de 59 mil alunos espalhados por vários campi.

  • A residência universitária oferece um andar específico para membros da comunidade LGBT
Stefan Koekomoer, um aluno de estudos medievais que se formou no ano passado, disse ter ouvido vários comentários e xingamentos homofóbicos ao longo dos anos.

“Eu quase fui atrás de dois sujeitos porque estavam ridicularizando e apontando” para um amigo gay, ele disse. Koekemoer, que é heterossexual, disse que ele próprio às vezes era xingado, mesmo durante as aulas. Robert S. Goopio, o presidente da Delta Lambda Phi, uma fraternidade predominantemente gay da Rutgers, disse que “a cultura era diferente há alguns anos”. Desde a morte de Clementi, ele especulou, “muita gente que pode ser homofóbica provavelmente não dirá, por causa das consequências que elas veem que podem acontecer”.

Parte dessa mudança também pode refletir um espaço de tempo notável na história da sexualidade americana. Há dois anos, o presidente Barack Obama ainda não tinha endossado o casamento de mesmo sexo e o Estado de Nova York ainda não o tinha legalizado (Nova Jersey ainda tem uniões civis). A política “não pergunte, não diga” das forças armadas ainda não tinha sido derrubada, e o Exército ainda não tinha promovido uma general assumidamente lésbica.

E Dharun Ravi, o estudante que espiava Clementi, ainda não tinha sido condenado por invasão de privacidade e intimidação preconceituosa, apesar de sua pena de 30 dias de cadeia ter sido criticada por alguns defensores de direitos dos gays como leniente demais.

Nesse breve espaço de tempo, ser um estudante universitário gay passou a significar algo leve e crucialmente diferente do que quando Clementi chegou ao campus.

“Eu sou de South Jersey, que é uma área bem homofóbica”, disse Andrew Massaro, um calouro e membro da Delta Lambda Phi. “Mas quando cheguei aqui, eu percebi que as boas novas estavam se espalhando, e espalhando depressa.”

O resultado é uma universidade onde, segundo alguns estudantes, a presença altamente visível de estudantes gays, lésbicas, bissexuais e transgênero se tornou uma parte básica e comum da vida no campus.

Seu espaço

A Perspectivas Arco-Íris inclui não apenas estudantes que, por causa de sua identidade sexual e de gênero, se sentem deslocados em um dormitório tradicional. Ela também inclui estudantes heterossexuais que gostam de companhia.

Assim, Jeff Thomas, um calouro, mora ali com sua namorada –o que seria contra as regras em um dormitório tradicional, onde os estudantes só podem dividir um quarto com outros do mesmo gênero legal. E Nick Margolies, do segundo ano, mora lá com um colega de quarto do sexo masculino, algo que também seria contra as regas pelo mesmo motivo. A Delta Lambda Phi agora conta tanto com seu primeiro membro transgênero quanto com seu primeiro membro hétero.

Leonard Haas, um membro da fraternidade, disse que já ouviu um insulto na Rutgers enquanto andava pela rua de mãos dadas com outro homem. Mas como Haas se sente tão à vontade como gay na Rutgers, e como aquele comentário destoava demais da recepção calorosa que ele teve, ele a ignorou.

“Eu estou feliz”, ele disse. “Eu estou em um lugar legal, então não importa.”


Tradutor: George El Khouri Andolfato
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/25/apos-suicidio-universidade-rutgers-abraca-estudantes-gays-e-transgeneros.htm

Pesquisadora da Unicamp diz que as escolas do país não ouvem o aluno

Camila Maciel
Da Agência Brasil, em São Paulo
A parceria assinada ontem (20) entre o MEC (Ministério da Educação) e o Conselho Federal de Psicologia para enfrentar a violência escolar tem como uma das virtudes a decisão de ouvir os alunos para a construção dessa política pública. O entendimento é da psicóloga Angela Soligo, professora doutora da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que pesquisa processos de exclusão na escola.
“Há uma série de conhecimentos que a academia já produziu que não dialogam com as políticas públicas. A pesquisa vai permitir ouvir alunos do país inteiro. Quem faz a política precisa ouvir quem está na outra ponta. A gente ouve pouco o aluno”, declarou a pesquisadora, após participar na manhã de hoje (21) do painel Psicologia e a Questão da Violência nas Escolas, da 2ª Mostra Nacional de Práticas de Psicologia, que ocorre até amanhã (22) no Anhembi, em São Paulo
A parceria entre ministério e o conselho prevê um estudo sobre violência nas escolas, elaboração de materiais didáticos e formação de professores para o combate à violência no ambiente escolar. No projeto, o MEC pretende abordar temas como enfrentamento às drogas, gravidez precoce, homofobia, racismo, discriminação, bullying e bullying eletrônico (feito por meio das redes sociais).
A professora acredita que, para mudar a realidade nas escolas, é preciso construir relações que não reproduzam a lógica excludente e violenta da sociedade em geral. “O ambiente escolar hoje é mais um reprodutor do modelo social do que um instrumento de mudança. A escola tem essa obrigação de produzir outras formas de pensar o mundo, de problematizar. A escola sozinha não vai resolver nada, mas tem um papel, que é a formação do cidadão”, aponta.
Para a pesquisadora, as práticas violentas nas escolas ganharam destaque junto com o processo de inclusão. “Todo mundo está na escola e a escola não pode mais excluir aqueles alunos que a incomodam. Há 50 anos, isso era mais fácil. A escola tem que lidar hoje com o aluno que ela não deseja. É a esse estudante que a escola vai imputar as marcas da violência. E isso gera uma reação”, relata.
De outro lado, o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, lembrou que a homofobia no cotidiano escolar traz graves consequências para o aprendizado. “Crianças e adolescentes que sofrem preconceito têm a sua inserção no mercado de trabalho dificultada. Além disso, as práticas homofóbicas desumanizam, promovem insegurança e o isolamento dessas pessoas”, aponta.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/21/pesquisadora-da-unicamp-diz-que-as-escolas-do-pais-nao-ouvem-o-aluno.htm

Professores brasileiros podem ensinar português no Timor Leste

Portal do MEC

O português é o idioma oficial do Timor Leste, mas no país, de 1,2 milhão de habitantes, são falados 16 dialetos (foto: allprofileleadersrtl.blogspot.com) O Timor Leste é um dos países mais novos do mundo. Tornou-se independente há apenas uma década e, por plebiscito, escolheu o português como uma das duas línguas oficiais. Um desafio para a nova nação, já que apenas a população mais idosa e próxima à capital, Díli, fala o idioma. Há 16 línguas locais, num país menor do que o estado de Sergipe.

O Brasil ajuda os timorenses nesse processo de construção da identidade nacional por meio de programa de cooperação internacional que inclui a qualificação de professores e o ensino da língua portuguesa. Todos os anos, um grupo de 50 profissionais, com experiência em formação docente, embarcam para o pequeno país, a 20 mil quilômetros do Brasil, numa ilha no Sudeste Asiático.

Financiado pelo Ministério da Educação, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa no Timor Leste (PQLP) está com inscrições abertas até 24 de outubro para professores brasileiros interessados em passar de seis meses a um ano naquele país. Serão selecionados 50 bolsistas. A inscrição deve ser feita na página da Capes na internet.

O resultado será divulgado em novembro, mesmo mês em que terão início as atividades. Os candidatos selecionados receberão mensalidade de 1,3 mil euros [R$ 3,4 mil] para a modalidade estágio docente e de 2,1 mil euros [R$ 5,5 mil] para a de articulador pedagógico. Terão ainda seguro-saúde, auxílio-instalação e passagem aérea.

“O Brasil tem contribuído com a formação docente no Timor Leste desde 2005”, explica a professora Suzani Cassiani, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das coordenadoras do PQLP. De acordo com Suzani, a experiência é incrível para os professores brasileiros, que podem atuar em outro espaço educacional e conhecer nova cultura. “É uma experiência que muda a vida de quem vai”, afirma. “Muitas vezes, resulta em teses acadêmicas.”

Formação — Segundo dados do Ministério de Educação do Timor Leste, 85% dos professores timorenses não têm formação acadêmica. No entanto, diante da falta de recursos humanos, basta saber falar português para lecionar a uma geração de crianças que não falam o idioma. Não há livros didáticos em português nas escolas. Como o próprio país, a educação, eleita como prioridade pelo governo, também está em construção.

“Os professores escrevem na lousa um texto em português e dão explicações às crianças em tétum, a outra língua oficial, derivada do português”, conta Suzani. “Estamos tentando romper esse formato tradicional e propor um ensino por meio de projetos pedagógicos, com temas do cotidiano das comunidades.”

Dominação — Para entender a realidade do Timor Leste é preciso conhecer a história do país. Embora tenha ficado por quatro séculos sob a influência colonial portuguesa, isso não resultou, ao contrário do que ocorreu no Brasil, em unidade linguística nacional. Os dialetos das aldeias ficaram preservados. Em 1975, Portugal retirou-se do país, que passou ao domínio da Indonésia até 1999. Durante a ocupação, foi proibido o uso do português nas escolas. As crianças passaram a aprender sobre a história e a cultura do país dominador.  O português e o tétum foram as línguas de resistência nesse período. Por isso, acabaram escolhidos, em 2002, como oficiais. O inglês foi rejeitado por estar associado à Austrália, que apoiou a dominação da Indonésia.

Rovênia Amorim

Confira áudio com a professora Suzani Cassiani


Palavras-chave: cooperação internacional, língua portuguesa, Timor Leste

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Veja os dez erros mais comuns de quem faz EAD

Cláudia Emi Izumi
Do UOL, em São Paulo
Fazer um curso a distância não é mais fácil e nem exige menos dedicação do que um curso presencial. Após a matrícula a distância, muitos alunos acabam perdendo o controle sobre seu tempo e deixam de ter motivação.
Confira os dez erros mais comuns de quem estuda a distância:

1. Não estar preparado para o EAD

Pergunte-se se o modelo de ensino serve para você. Cursos EAD bem organizados trabalham com várias “ferramentas”, como videoaulas, leituras extracurriculares, apostilas e discussões online.

2. Escolher o curso errado

Verifique o conteúdo das aulas e a forma como ele é apresentado antes de fazer sua matrícula. Algumas escolas são deficitárias nas ferramentas de interação e no material didático online. Informe-se com antecedência para não se arrepender depois.
Além disso, verifique se a graduação ou a pós a distância é reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação) para que tenha validade em território nacional após o término do curso. Nas demais modalidades, como de atualização profissional ou aulas de idiomas, por exemplo, essa checagem é dispensada.

3. Falta de equipamento

Para cursos online, o mínimo necessário é uma conexão rápida de internet, uma webcam para eventuais discussões em grupo e uma impressora. Isso poupará tempo caso o aluno tenha que imprimir textos extracurriculares.

4. Falta de organização

Estabeleça o número de horas que tem disponível para se dedicar sistematicamente aos estudos. Não esqueça que sua agenda muda de uma semana para outra. Nesse caso, faça replanejamentos regulares.

5. Perder o foco

Reserve um local apropriado para os estudos e fique bem longe do que pode atrapalhar sua atenção, como celulares e aparelhos de TV. Evite comer ou beber e, ao mesmo tempo, estudar na frente do computador. Se bater uma fome, faça uma pausa pequena e retome depois os estudos.

6. Deixar tudo para a última hora

Não deixe tudo para a última hora. Distribua o estudo ao longo da semana. Estudar horas seguidas é cansativo e compromete o aprendizado. Além disso, podem ocorrer imprevistos.

7. Falta motivação

Grupos jovens são mais familiarizados com as interações virtuais do que os mais velhos, que precisam aprender a se relacionar com os professores e alunos com pouco ou nenhum contato físico. Os tutores podem dar suporte ao aluno quando ele precisar ou um outro colega do mesmo curso pode ser um “ombro amigo” nessas horas de desânimo.

8. Não participar de aulas e discussões

Nas aulas presenciais tradicionais, o aluno pode até se esconder atrás de um colega na hora de fazer perguntas ao professor, mas nas virtuais ele precisa ter participação ativa para esclarecer algum ponto do material de estudo que não ficou claro. Lembre-se: o tutor não sabe o que você domina ou não da matéria.

9. Tentar enganar o professor

Os professores acompanham os alunos de longe, mas com o tempo sabem a maneira como escrevem e se expressam. Por isso, não tente enganá-los. Plágios são totalmente condenáveis, e hoje a internet se tornou um meio fácil para copiar indevidamente trabalhos produzidos por outras pessoas. Se for citar algum deles, inclua a fonte.

10. Não rever o material de estudo

Fazer todas as atividades propostas pelo curso a distância não significa que realmente se absorveu o conteúdo delas. Uma das vantagens do EAD é o material de estudo estar disponível para revisões constantes. Releia sempre que sentir que não domina o tema com segurança.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/19/confira-quais-sao-os-dez-erros-mais-comuns-de-quem-faz-ead.htm

MEC pretende criar superinstituto para fiscalizar ensino superior; criação de 550 cargos é prevista

Do UOL, em São Paulo
O MEC (Ministério da Educação) pretende criar um superintinstituto para avaliar e regular o ensino superior no país. É o Insaes (Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior). O órgão será dirigido por um presidente e até seis diretores: de administração, regulação, supervisão, avaliação, e tecnologia da informação e de certificação de entidades beneficentes.
A previsão é de que o Insaes tenha 550 funcionários. Também haverá corregedoria, ouvidoria e Procuradoria Federal, além de um conselho consultivo. O processo de implantação é estimado em dois anos.
A nova entidade será responsável por algumas funções que, até então, eram do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais), como visitas às instituições de ensino superior para avaliação. Além disso, o Insaes também terá, entre suas atribuições, autorizar, reconhecer e renovar o reconhecimento de cursos de graduação e certificar entidades beneficentes que atuem na área de educação superior e básica.

Superpoderes

O projeto que cria a entidade foi enviado pelo Executivo e tramita em regime de prioridade na Câmara de Deputados.
A autarquia também poderá aplicar punições aos estabelecimentos que descumprirem as regras. Entre elas estão: descredenciamento institucional, desativação de cursos, redução de vagas, inabilitação dos dirigentes para cargos de gestão em instituições de educação superior de até dez anos, e multa que vai de R$ 5 mil a R$ 500 mil reais.
“Caso não sejam tomados os devidos cuidados, enterraremos de uma vez por todas o fruto de uma experiência que está sendo construída coletivamente, baseada no Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) e no Inep. A proposta da criação do Insaes faz com que o processo de avaliação passe a ter um só agente condutor e vários coadjuvantes, em que todas as responsabilidades ficam concentradas, ficando com poderes maiores que o próprio MEC”, afirma Gabriel Mario Rodrigues, presidente da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior).
Para o MEC, a nova autarquia vai apenas aprimorar e tornar o sistema mais eficiente. Para isso, o governo enxergou a necessidade de se criar uma carreira estatal específica do avaliador, que será um dos servidores do Insaes.
A aplicação do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudante) continuará a cargo do Inep, assim como a realização do Censo da Educação Superior. De acordo com a legislação, o MEC, por meio de suas secretarias, deve exercer as funções de regulação e supervisão do setor. Hoje, é a Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior) a responsável por regular e supervisionar instituições e  cursos superiores. Já o CNE (Conselho Nacional de Educação) delibera sobre as decisões e pareceres da secretaria.

Custos

O projeto de lei que cria o órgão tem como autor, além do MEC, os ministérios da Fazenda e do Planejamento.
Dos 550 cargos que o projeto propõe, 350 são de especialista em avaliação e supervisão da educação superior, 150 são de analista administrativo e 50 de técnico administrativo. O maior salário é estimado em R$ 7.201.
A lei ainda apresenta o detalhamento de gratificações, ingresso, promoção, progressão e avaliação dos futuros servidores em suas respectivas carreiras.
Os servidores da Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior) serão redistribuídos no Insaes. A receita da entidade será baseada em dotações consignadas no orçamento-geral da União, doações, na arrecadação das taxas de avaliação in loco (que hoje é de R$ 6.960) e de supervisão e também do valor das multas aplicadas às instituições.
Os ministérios autores do projeto ressaltam que, num primeiro momento, não haverá impacto orçamentário por conta da criação dos cargos efetivos – isso ocorrerá apenas com a autorização de futuros concursos públicos para o preenchimento de novas vagas. Dessa forma, apenas em 2014 o provimento dos cargos terá início. Caso todos sejam preenchidos, os custos serão de R$ 43,4 milhões. Para os cargos que já existem e que apenas serão adicionados, o impacto deve ser de  R$ 3,7 milhões a partir da publicação da lei.

Impacto

De acordo com a lei, a Conaes (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior) passará a ser presidida por um representante do Insaes, que será adicionado ao grupo. Já a Câmara de Educação Superior do CNE (Conselho Nacional de Educação) terá como membro nato, além do secretário de educação superior, o presidente do Insaes, que será nomeado pela Presidência.
Para o professor Lalo Watanabe Minto, especialista em ensino superior da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de Marília, a lei trata muito mais da estrutura do novo órgão do que de suas metas. “O texto fala muito mais do pagamento e avaliação de rendimento dos funcionários do que das reais funções do instituto”, afirma.
O Brasil tem hoje 2.378 instituições de ensino superior, das quais 88,3% são privadas. O País tem 6.379.299 matrículas em cursos de graduação – 74,2% delas no setor privado.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/20/mec-pretende-criar-superinstituto-para-fiscalizar-faculdades-particulares-novo-orgao-propoe-criacao-de-550-cargos.htm

Aluna de medicina aprovada em oito instituições públicas ficou ''perdida'' no 1º semestre na USP

Suellen Smosinski
Do UOL, em São Paulo

Após ser aprovada para o curso de medicina em oito instituições públicas no início deste ano, a mineira Mariana Silva Vilas Boas, 20, escolheu a USP (Universidade de São Paulo) e mudou-se para a capital paulista. A troca de Estado e o início das aulas foram, segundo ela, complicados.
“Eu fiquei perdida nas aulas. No meio do semestre eu falei ‘agora chega, preciso parar, analisar e fazer as coisas do jeito certo’, mas aí não dava mais. Eu já tinha perdido o fio da meada. Eu não sabia o que o professor falava, eu ia para aula e ficava viajando”, contou.
A estudante saiu de Pouso Alegre (a cerca de 400 quilômetros de Belo Horizonte), cidade com pouco mais de 130 mil habitantes, segundo dados do Censo de 2010, e veio para São Paulo, com seus mais de 11 milhões de habitantes. “Eu não tenho nenhum parente em São Paulo, eu não conhecia São Paulo. Não visitava, não vinha sempre para cá. Ou seja, eu vim na loucura, às cegas”, afirmou.
Mesmo com a dificuldade inicial, Mariana conseguiu passar em todas as disciplinas sem recuperação: “Juro que não sei como consegui passar em tudo. Para falar a verdade eu não fiquei muito satisfeita comigo, não. Isso foi bastante difícil também, eu estava me adaptando, não dá pra fazer tudo de uma vez”, afirmou.

Vida de caloura: Aulas, atividades práticas e esportes

Foto 4 de 17 - "Quando eu era pequena, dizia que ia fazer medicina na USP, mas eu não acreditava nisso. Achava que só tinha "geniozinho" aqui, que eu nunca ia conseguir. Mas, estou aqui. Tenho certeza que muitos dos meus colegas de classe vão fazer coisas muito grandes, vão ser muito importantes", afirmou Mariana Silva Vilas Boas, 20, caloura da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) Arquivo pessoal

Desnorteada

A primeira dificuldade foi encontrar lugar para morar. Sem saber por onde começar, Mariana procurou estudantes para dividir apartamento pela internet. Ela contou que, antes das meninas com quem mora a aceitarem, ela quase morou em uma pensão mista, “bem fuleira”.
“Eu não estava com grana para achar coisa rápida e fácil. Foi muito difícil mesmo. Fui morar perto da Cidade Universitária, mas longe da Faculdade de Medicina. Tive que aprender a pegar ônibus e metrô.”
As aulas do curso de medicina na USP são divididas entre o campus Butantã, conhecido como Cidade Universitária, e a Faculdade de Medicina, em Pinheiros. Entre os dois lugares há cerca de oito quilômetros.
A estudante contou que demorou pelo menos um mês para parar de “fazer besteiras” pela cidade. “Eu pegava ônibus errado, passava o ponto e tinha que andar sozinha, às vezes de noite. Cheguei muitas vezes atrasada na faculdade por isso, perdi aula já. Também já me perdi na Cidade Universitária”, afirmou Mariana.
Para se manter em São Paulo, Mariana conta com a ajuda da mãe e com bolsas da USP – auxílio-moradia, alimentação e bolsa de tutoria científica. “São bolsas que a USP fornece, é só o aluno procurar”, explica. Ela divide o apartamento com mais três meninas e gasta cerca de R$ 500 com aluguel. No total, a estudante acredita que gasta aproximadamente R$ 1.200 por mês.

Adaptação

Com o tempo, ela diz que foi se acostumando com a nova vida e hoje se considera adaptada: “Eu sei ir aos lugares que eu preciso ir. Vou e volto, faço tudo praticamente sozinha, de ônibus e de metrô. Não é tão fácil como poderia ser, mas não tem do que reclamar, podia ser pior”.
Sobre a cidade, a estudante diz que sua vida se concentra na faculdade. “São Paulo para mim é isso aqui [faculdade]. Eu não tive tempo de conhecer os lugares gostosos de São Paulo ainda. Festas, baladas, teatros, parques, compras, lojas... Não aproveitei quase nada”, contou.
No segundo semestre do curso de medicina, Mariana assiste a maioria das aulas na Cidade Universitária. Uma vez por semana, as aulas são na Faculdade de Medicina. Há aulas também em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) na Vila Dalva, perto de Osasco.
Mas nem tudo é estudo. Da sua vida universitária, também fazem parte os treinos de vôlei no clube da atlética da faculdade, que acontecem todas as semanas.
 retirado do site:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/24/estudante-aprovada-em-oito-instituicoes-publicas-para-medicina-ficou-perdida-no-1-semestre-de-aulas-na-usp.htm

Verba de R$ 1 bilhão para universidades fica sem uso

VENCESLAU BORLINA FILHO
DO RIO 
Uma verba de R$ 1 bilhão destinada ao financiamento de melhorias das universidades do país a juros mais acessíveis está parada, sem uso, desde abril do ano passado.
O dinheiro faz parte de um programa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação.
Ele pode ser usado para financiar de obras e compra de equipamentos e de softwares a gastos com capacitação e treinamento para gestão.
O problema, segundo as universidades, é que o acesso ao dinheiro disponibilizado pelo IES (Programa de Melhoria do Ensino das Instituições de Educação Superior) possui uma lista de requisitos extensa, o que dificulta o pedido de empréstimo.
Entre as exigências estão a adesão a programas para o ensino superior, como o Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) e o Prouni (Programa Universidade para Todos). A instituição também tem que ter boa avaliação do MEC.
OBSTÁCULOS
"Esses obstáculos impedem as instituições de acessarem o recurso. E as mais punidas são as que mais precisam", disse o diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior, Sólon Caldas.
"Se o objetivo é financiar a melhoria do ensino, isso não está sendo alcançado."
Segundo Caldas, como alternativa, as instituições de ensino superior têm recorrido aos bancos comerciais, que têm juros maiores.
O pró-reitor do Centro Universitário de Votuporanga (a 521 km de São Paulo), Marcelo Casali Casseb, afirmou que para os investimentos têm priorizado financiamentos do BNDES não vinculados ao MEC. "Estes [do MEC] são extremamente burocráticos."
Já o problema apontado pela Universidade Estácio é outro. Com ações negociadas na Bolsa de Valores, a empresa tem, atualmente, a maioria do capital estrangeiro. "Por isso, não podemos acessar o BNDES", disse o diretor-financeiro, Virgílio Gibbon.
Segundo ele, o recurso do BNDES poderia ser usado para ampliar a distribuição de tablets para todos os alunos.
SEGUNDA VERSÃO
Esta é a segunda versão do IES. A primeira vigorou de 1997 a 2007 e contratou R$ 525,7 milhões dos R$ 900 milhões disponíveis. De acordo com relatório do BNDES, 48 instituições conseguiram ter acesso ao financiamento.
No período, o número de matrículas presenciais nas universidades aumentou 163% e o total de instituições privadas subiu 195%, segundo o mesmo relatório.
OUTRO LADO
Devido ao fracasso do IES, o BNDES alterou a forma de concessão de financiamento do programa na expectativa de, a partir de agora, obter uma maior demanda das instituições de ensino superior.
Segundo a direção do banco, as universidades podem acessar o financiamento de forma automática, que permite liberação inferior a R$ 20 milhões. Antes, o IES só permitia apoio não automático, acima de R$ 20 milhões.
O banco disse, ainda, que não "é de surpreender que a demanda tenha sido baixa considerando que a maior parte das instituições de ensino superior é de pequeno e médio porte" no Brasil.
O BNDES reconheceu o excesso de requisitos ao pontuar que existem outras linhas de financiamento com taxas equivalentes, como as direcionadas a micro, pequenas e médias empresas.
O banco informou ainda que não comentaria a regra que impede o crédito às instituições de ensino com a maioria do capital controlada por estrangeiros por ser uma decisão do governo.
retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1158226-verba-de-r-1-bilhao-para-universidades-fica-sem-uso.shtml

Ensino médio reprovado - Taxa de retenção no ensino médio é a maior desde 1999, segundo Censo

Carmen Guerreiro

 Taxa de retenção no ensino médio é a maior desde 1999 e revela desafios da etapa que sofre com definição de currículo, problemas de infraestrutura e acúmulo de defasagens anteriores


Queda na evasão é um dos fatores para a maior taxa de retenção no ensino médio, além de refletir o acúmulo de defasagens anteriores na aprendizagem

O Censo Escolar de 2011 revelou um dado preocupante. A taxa de reprovação no ensino médio brasileiro atingiu 13,1%, maior número desde 1999. A constatação levanta uma importante questão: o país está regredindo na educação dos jovens? Os alunos do ensino médio aprendem menos hoje e, por isso, são mais retidos? Segundo diversos especialistas, não é esse o caso. A reprovação é resultado de uma conjunção de fatores nem sempre negativa - embora longe de ser positiva.
Tais Tavares, professora do Núcleo de Políticas Educacionais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ressalta que, se compararmos os índices da década de 1980 aos atuais, os anteriores são bem menores, mas isso não reflete uma melhor qualidade de ensino: a evasão era bem maior do que a repetência, relação que se inverteu hoje. "A evasão vai caindo, mas a reprovação está aumentando, o que significa que o sistema está retendo as pessoas por mais tempo", afirma. Ou seja, o país tem avançado em sua meta de universalizar o ensino e manter os jovens por mais tempo na escola. O problema é que, ainda que permaneçam mais anos na escola, nem sempre conseguem progredir nos estudos.

Outra questão a ser considerada é que as estatísticas brasileiras ficaram mais confiáveis nos últimos anos. Os números atuais são mais precisos, o que dificulta comparações. É o que defende Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. "Acredito que o índice de reprovação mais alto é fruto de uma maior precisão estatística. Os instrumentos estão melhorando e geram resultados mais confiáveis", diz. Ele aponta, ainda, que esses índices devem piorar nos próximos anos, até que a precisão das pesquisas aumente e que os cadastros com informações e dados sejam preenchidos corretamente pelas redes, o que ainda não acontece hoje. Não significa que a qualidade da educação esteja boa, apenas que não está piorando.

Outro fator importante é que as políticas voltadas para o ensino médio são recentes no Brasil, já que essa etapa só entrou na agenda pública federal na segunda metade da década de 1990 com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além da Emenda Constitucional 59, que torna obrigatória a educação dos 4 aos 17 anos a partir de 2016. Quem defende isso é Jaqueline Moll, diretora de Currículos e Educação Integral do Ministério da Educação (MEC). "Os dados demonstram esses processos. Ao observar a taxa de rendimento escolar nos últimos dez anos, vemos que, na medida em que o ensino fundamental se tornou prioridade, as taxas de evasão e reprovação foram declinando. Acredito que acontecerá o mesmo com o ensino médio."

Diferenças regionaisHá disparidades entre os estados. O menor índice de reprovação, registrado no Amazonas, foi de apenas 6% (sendo a rede particular mais retentora do que a pública, fato que acontece apenas nessa rede), já o Rio Grande do Sul, obteve a maior média: 20,7% (veja no gráfico). Os dados causam estranheza, já que a região Sul, mais desenvolvida economicamente, costuma apresentar melhores índices socioeconômicos em relação ao Norte e Nordeste.

Para Tais, isso se deve em parte ao fato de que as políticas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) têm sido focadas justamente nas regiões mais carentes. Além disso, a rede estadual do Amazonas possui menos alunos do que a do Rio Grande do Sul, não só por uma questão geográfica, mas porque menos jovens passam do ensino fundamental para o ensino médio; muitos desistem dos estudos antes de chegar a essa etapa. "Na região Sul o fluxo é mais constante, então são 'de­saguados' no ensino médio mais alunos com um perfil de maior dificuldade, porque não foram excluídos antes", afirma.

Daniel Cara volta a apontar para a melhoria das estatísticas, ao afirmar que a rede gaúcha tem bons instrumentos estatísticos de controle, por isso mostram uma realidade mais exata do que a amazonense. Mas acrescenta que existem decisões de gestão estadual que também afetam os números. "Os índices estão mais relacionados à rede do que à escola. O mesmo fenômeno não se repetiria em todas as escolas. Em média elas têm o mesmo comportamento, que é regulado pela Secretaria. O Rio Grande do Sul, por exemplo, tinha um governo muito pautado por alguns modismos na educação, pela ideia de ter controle e mimetizar o trabalho do professor, tirar sua autonomia sobre como construir o conhecimento."

Diversos fatoresEm suas pesquisas, Tais encontrou outras causas importantes para a retenção. Com base nos dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008, ela afirma com segurança que a maior parte dos concluintes do ensino médio daquele ano eram os primeiros na família a chegar e a se graduar nessa etapa. "Esse ambiente cultural de antecedentes de fracasso pesa sobre o aluno, tanto na expectativa da família sobre ele quanto na que ele tem de si próprio", analisa Tais. Por isso, quanto mais esse jovem está segregado em um bairro em que a maioria não cursou ou não conseguiu concluir a Educação Básica, menos expectativa existe de que ele conclua seus estudos com sucesso, o que se reflete em reprovação e em evasão.

Segundo Tais, há ainda uma mudança na imagem da escola e da educação. Antes, havia um consenso de que o diploma dessa etapa era sinônimo de melhores oportunidades de trabalho e de alguma ascensão social. Hoje o certificado é condição necessária para qualquer emprego, mas não representa mais uma garantia sequer de trabalho. Assim, o conteúdo visto em sala de aula é muitas vezes questionado pelos estudantes, que não entendem como aquilo será útil para a vida profissional.

A conexão entre o conteúdo escolar e a vida dos jovens é uma questão debatida pela rede do Rio Grande do Sul, que a considera um desafio fundamental para a melhoria dos índices do ensino médio. Maria Eulália Nascimento, secretária adjunta da Educação do estado, acredita que a educação precisa acompanhar as mudanças da sociedade para não afastar os alunos. "O ensino médio tem de estar articulado aos projetos de vida dos estudantes. Não pode ser algo abstrato que nós justifiquemos dizendo que um dia ele vai precisar daquilo."

Esse movimento de tornar a escola mais interessante para o jovem, relacionando seus conteúdos à realidade dos alunos, já pode ser observado em diversas iniciativas pelo Brasil. Além de experiências regionais, o governo federal criou o Programa Ensino Médio Inovador, que estimula mudanças no currículo escolar e atividades diferenciadas, que atraiam os alunos.

Outra causa, interna à escola, é o aumento no número de vagas por turma. "É um equívoco pensar que, por serem alunos mais velhos, podemos lotar as salas de aula", critica Tais. Logo, as condições para trabalhar com esses alunos se tornam precárias, já que é difícil atender com qualidade mais de 40 pessoas simultaneamente. A cultura de reprovação que ainda persiste no país também pesa nesse quadro.

Evasão A reprovação está intimamente ligada à evasão e à distorção idade-série. Diversas pesquisas mostram que a evasão no ensino médio acontece, em geral, quando o aluno recebe seus resultados, mesmo que parciais, e eles apontam para uma iminente reprovação. "Aí ele abandona. Uma das principais causas da evasão é a falta de motivação para ficar na escola e, por outro lado, o interesse em trabalhar e ter o próprio dinheiro", afirma Nora Krawczyk, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"O repetente em geral é multirrepetente. E por mais que depois de evadir volte para o sistema, isso não significa que o sucesso foi ampliado, porque a repetência não tem gerado bons resultados posteriores", observa Tais.

O aluno que se evade em geral já não está na série compatível a sua idade. Desestimulados por ver seus colegas progredirem, por rever conteúdos e ter sua saída da escola adiada, muitos param de ir à aula. Outros persistem e fazem parte do fenômeno "distorção idade-série", que é, geralmente, o resultado de múltiplas repetências. Segundo Tais, cerca de 10% da população entre 15 e 17 anos que está na escola ainda cursa o ensino fundamental, e por isso já ingressam no ensino médio com a idade distorcida em relação à série. "Isso cria uma disposição dentro do aluno de que ele não é capaz. E cria no próprio professor uma expectativa de que aquele jovem é alguém que não aprende", explica. Do ponto de vista pedagógico é importante que o modo como o professor atende esse aluno multirrepetente não faça com que ele se sinta ainda mais discriminado, o que pode levar a um maior desinteresse e a mais repetências ou à evasão.

Distorção idade-sérieSegundo Márcia Jacomini, professora do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009 revela que 90,6% dos jovens de 15 a 17 anos frequentavam a escola, mas a taxa líquida de escolarização nessa faixa etária era de 50,9%. "Ou seja, desses 90,6%, pouco mais da metade frequentava o ensino médio. Isso mostra como há um atraso em relação à idade-série", conclui.

Os dados mostram que a reprovação no ensino médio depende também do aprendizado e da retenção no ensino fundamental. É necessário pensar pedagogicamente em como atender esse aluno com mais dificuldade, e não dizer que o jovem é "desse jeito mesmo" e que não há nada mais a fazer. "Isso significa pensar em como tratar esse aluno, como fazer a ponte entre o que sabe, o que não sabe e o que precisa saber", explica Tais. Para ela, é um desafio que depende da formação dos professores e de suas condições de trabalho, o que engloba questões como a infraestrutura escolar e a atratividade da carreira docente.

Também é importante não tratar os alunos com dificuldades como incapazes. Segundo ela, um mau desempenho pode estar ligado a uma série de motivos, que vão da defasagem idade-série até problemas pessoais, mas todos podem aprender. Ela acredita que a solução não é o trabalho individual dos professores, mas sim repensar o sistema educacional brasileiro e a escola com um conjunto de medidas que faça os alunos se envolverem com o ensino.

Esses problemas não nascem no ensino médio. A taxa de reprovação é alta em grande parte porque os alunos vêm do ensino fundamental com deficiências de aprendizagem, ou seja, não sabem os conteúdos e não desenvolveram as habilidades desejadas ao final dessa etapa. Ao entrar no ensino médio têm dificuldades para avançar para um grau maior de complexidade. Os jovens chegam a essa etapa já em uma situação de defasagem de aprendizado, mesmo estando na série adequada à sua idade.

Soluções regionaisAinda que existam caminhos comuns para muitos desafios dessa etapa, as respostas para  diversos problemas nem sempre são universais e devem ser buscadas pelas redes com base em seu contexto político, econômico e social. Alice Casimiro Lopes, professora de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), defende que é necessário que as redes pesquisem as causas da reprovação e façam um diagnóstico dos problemas locais para criar políticas públicas adequadas - que podem não ser tão eficientes em outro município ou estado. Em outras palavras, não existem receitas prontas que sirvam a todos. "Por exemplo, pode ser que, em uma dada região, o problema seja resolvido com a melhoria do sistema de transporte público próximo à escola. Em outro local, talvez seja necessário pensar na ampliação das bibliotecas escolares, para que o aluno tenha um espaço para estudar, ou oferecer apoio às alunas adolescentes que não têm com quem deixar seus filhos", conta.

Daniel Cara ressalta que soluções individuais terão pouco efeito enquanto não houver um projeto consistente das redes para o ensino médio que possa reverberar no projeto político-pedagógico das escolas e ofereça condições para ser colocado em prática. Para ele, o ensino médio deveria ser pensado como algo próprio para os adolescentes assim como a educação infantil é pensada para as crianças, com infraestrutura adaptada e organização do espaço e das atividades de acordo com a idade dos alunos. "Não faz sentido para os jovens, mas também não consegue ser boa o suficiente para, mesmo não fazendo sentido, ser útil para a progressão escolar e aprovação no vestibular." Esse seria talvez o maior desafio do ensino médio: ser reestruturado. Segundo Cara, é possível diminuir a reprovação com medidas pragmáticas, mas sem mudanças mais profundas, o problema da deficiência de aprendizado continuará.

Desafio noturno
Com alunos muitas vezes cansados depois de uma jornada de trabalho, as taxas de evasão, distorção idade-série e reprovação são quase sempre maiores no noturno. "Com pouco tempo para se dedicar ao estudo, esse estudante apresenta, em geral, um desempenho ruim, que pode desestimulá-lo", analisa Márcia Jacomini, professora da Unifesp. Ela afirma que não é possível, no entanto, acabar com o ensino noturno para solucionar o problema, já que não há escolas suficientes para atender toda a demanda de matrículas no período diurno e, por outro lado, sempre existirá a necessidade de alguns estudantes de trabalhar durante o dia. Algumas soluções têm sido discutidas nacionalmente, como a matrícula por disciplina, um currículo mais envolvente e atividades adaptadas para essas turmas. Mas não há ainda uma conclusão sobre como resolver esse problema. Diminuir a distorção idade-série seria um atenuante para o problema, já que quanto mais velhos os alunos, maior a chance de precisarem trabalhar. "É necessário buscar alternativas para ampliar o tempo desses jovens na escola e trazê-los para o diurno quando possível, mas o ensino noturno sempre vai ser necessário", diz Jaqueline. 

Cultura de reprovação
Tais Tavares, da UFPR, aponta a cultura da reprovação como outra causa para os dados. "Não adianta aprovar ou reprovar se não se garantiu o que o aluno precisa aprender." Essa questão desencadeou diversos movimentos pelo país contra a reprovação, como no Rio Grande do Sul, que registrou a maior taxa de retenção. "A reprovação é boa no filho dos outros. Quando chega à nossa casa, achamos injusto, que foi a escola que não avaliou direito", afirma a secretária adjunta da Educação do estado Maria Eulália Nascimento. "Temos a convicção de que a reprovação não ajuda a aprender. Os adolescentes não aceitam ser humilhados. Se eles sentem que vão reprovar de novo, acabam abandonando."

É o que defende também Jaqueline Moll, do MEC. Ela diz que a reprovação como método de ensino é ruim, e cabe às escolas e às redes criar critérios, estratégias e metodologias para que as crianças avancem, sem gerar a aprovação automática. "É preciso que eles tenham um acompanhamento diferenciado e possam seguir com o seu grupo, senão acaba sendo um castigo", aponta. Para Márcia Jacomini, da Unifesp, as pesquisas mostram que o desempenho dos alunos repetentes não melhora com a reprovação, já que não há, em geral, mudanças nas práticas pedagógicas, na forma de ensinar ou nas condições de estudo. 

retirado do site:http://revistaescolapublica.uol.com.br/textos/28/ensino-medio-reprovado-267452-1.asp

Documentos têm validade mais ampla com a greve nos bancos

Portal do MEC
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) decidiu prorrogar o prazo de validade dos documentos necessários para a contratação e o aditamento (renovação) das operações de crédito do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O objetivo da medida é evitar que estudantes sejam prejudicados com a interrupção dos serviços bancários, em razão da greve dos trabalhadores, deflagrada em âmbito nacional.

Com a decisão, os beneficiários não precisarão se apressar para ir às agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, agentes financeiros do Fies, após o término da paralisação. As agências desses agentes devem receber, até o vigésimo dia depois do término da paralisação, o documento de regularidade de inscrição (DRI) e o documento de regularidade de matrícula (DRM) que vencerem durante ou em até dez dias após o fim da greve.

Desde que o FNDE passou a ser o agente operador do Fies, em 2010, foram firmados mais de 535 mil contratos de financiamento estudantil. Apenas neste ano, foram assinados mais de 305 mil.

A prorrogação foi determinada pela Resolução do FNDE nº 5/2012, publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 20, seção 1, página 10.

Assessoria de Comunicação Social do FNDE

Palavras-chave: Fies, bancos, greve, prorrogação

Acordo com iniciativa privada prevê a oferta de 9 mil bolsas

Portal do MEC
São Paulo — O programa Ciência sem Fronteiras tem dois novos parceiros. Nesta sexta-feira, 21, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, assinou em São Paulo termo de cooperação com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que prevê a doação, pela entidade e suas associadas, de 6,5 mil bolsas de estudo à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação, no valor de aproximadamente US$ 180 milhões. O acordo envolve também o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Um outro acordo foi firmado com a Eletrobras. Por meio de memorando de entendimento, a estatal do setor elétrico compromete-se a financiar 2,5 mil bolsas do Ciência sem Fronteiras. Serão 1.250 pela Capes e 1.250 pelo CNPq.

Ao falar sobre a crise econômica global, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que o país tem as ferramentas para a geração de emprego e o fortalecimento do mercado interno. Segundo ele, o governo brasileiro aposta na sustentabilidade do eixo educação, ciência e tecnologia para tornar o país mais competitivo. “É o jeito Dilma de ser Keynes.”

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, presente à solenidade, reiterou a importância da parceria do governo com o setor privado. Ele lembrou o impacto positivo que os investimentos em recursos humanos têm no desenvolvimento da economia. “Estados que reúnem jovens com maior nível de formação atraem naturalmente maior número de empresas estrangeiras e de investimentos e fortalecem o progresso”, afirmou.

Meta — Lançado em dezembro de 2011, o programa Ciência sem Fronteiras já concedeu 16.788 bolsas de estudos — 8.762 da Capes e 8.036 do CNPq. A meta do programa é oferecer 101 mil bolsas até 2015. Serão 75 mil por parte do governo federal e o restante com ajuda da iniciativa privada. A expectativa até o fim deste ano é chegar a 20 mil bolsas, com investimento aproximado de R$ 1,12 bilhão. Os editais lançados até o momento selecionaram bolsistas para intercâmbio nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal, Austrália e Coréia do Sul.

O programa promove a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileiras por meio do intercâmbio e da mobilidade internacionais de estudantes, professores e pesquisadores. A oferta de bolsas prevê as modalidades graduação-sanduíche, educação profissional e tecnológica e pós-graduação — doutorado-sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado.

Pelo programa, estudantes de graduação e de pós-graduação podem fazer estágio no exterior para manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Além disso, o Ciência sem Fronteiras tenta atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar, por tempo determinado, no Brasil.

Assessoria de Comunicação Social

Republicada com correção de informações
Palavras-chave: graduação, pós-graduação, Ciência sem Fronteiras

Ensino público tem índice maior de estudantes de graduação

Portal do MEC
O aumento percentual de estudantes de graduação concentrados no setor público, a queda no analfabetismo e o aumento da frequência de crianças na creche, pré-escola e ensino fundamental são alguns dos dados sobre educação constantes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), referentes a 2011. Divulgados nesta sexta-feira, 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) os números confirmam, como já antecipou o Ministério da Educação, que o maior desafio educacional a ser enfrentado é o do ensino médio.

A Pnad mostra expansão na taxa de atendimento em instituições de educação superior públicas. Em 2009, elas concentravam 23,3% das matrículas em cursos superiores; em 2011, o número subiu para 26,8%. O MEC atribui parte desse aumento à adoção de políticas de expansão e interiorização das universidades federais, entre elas, a criação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

Quanto à educação básica, o setor público continua prioritário no atendimento. No ensino fundamental, 87% dos estudantes estão em estabelecimentos oficiais de ensino, mesmo percentual registrado em 2009. No ensino médio, a cobertura da rede pública cresceu de 86,4% para 87,2%.

Analfabetismo — A taxa entre as pessoas de 15 anos ou mais manteve a tendência de queda dos últimos anos ao recuar de 9,6%, em 2009, para 8,6%. A meta a ser atingida pelo Brasil, de acordo com a Conferência Mundial de Educação, de Dacar, Senegal, é a de chegar ao patamar de 6,7% em 2015 (metade da taxa que o Brasil apresentava em 2000). O número absoluto de analfabetos caiu 1,2 milhão — de 14,1 milhões para 12,9 milhões.

Os dados do IBGE mostram que o analfabetismo está tradicionalmente concentrado nas regiões Norte e Nordeste, entre a população em idade mais elevada, acima dos 50 anos. Com a universalização do ensino fundamental, entende-se que o problema tende a ser reduzido para as próximas gerações.

Outro dado positivo é o aumento do número médio de anos de estudo entre a população de 10 anos de idade ou mais. Essa média passou de 7,2 em 2009 para 7,3.

Frequência — O acesso de crianças entre 4 e 5 anos de idade à creche e à pré-escola subiu de 74,7% em 2009 para 77,4%. No ensino fundamental, ainda que o acesso esteja quase universalizado, também cresceu a frequência de estudantes de 6 a 14 anos à escola — de 97,6% em 2009 para 98,2% em 2011.

Os números apontam aumento em regiões e públicos historicamente negligenciados, especificamente no Nordeste, onde as taxas são quase as mesmas das médias nacionais. Na faixa de 4 e 5 anos, por exemplo, é a mais alta entre as regiões do país (83,5%).

Os dados da Pnad mostram que o desafio continua concentrado na faixa etária de 15 a 17 anos. Ou seja, no ensino médio. Nela, a frequência à escola diminuiu de 85,2% em 2009 para 83,7%. Essa queda se deu em quase todas as regiões do Brasil, à exceção do Centro-Oeste, e com maior intensidade no Sudeste.

Ciente desse desafio, o Ministério da Educação tem investido em ações voltadas especificamente para o ensino médio. Entre elas, está o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o programa Ensino Médio Inovador e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). O ensino médio inovador amplia a jornada escolar e reformula o currículo. Pelo Pronatec, estudantes têm a opção de fazer o ensino médio regular e, ao mesmo tempo, um curso profissionalizante.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) é realizada anualmente pelo IBGE. Os temas básicos que integram o questionário são população, educação, trabalho, rendimento e habitação. A cada dez anos, em lugar da Pnad, o IBGE realiza o Censo Demográfico. O último, em 2010. Por essa razão, os dados da Pnad de 2011 devem ser comparados aos de 2009.

Assessoria de Comunicação Social
Palavras-chave: pesquisa, IBGE, Pnad


Recursos quadruplicam e passam de R$ 1 bilhão nos últimos cinco anos

Portal do MEC
O Ministério da Educação investiu mais de R$ 1 bilhão em assistência estudantil a alunos das instituições federais de educação superior nos últimos cinco anos. Entre 2008, ano da criação do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), e 2012, o volume destinado ao programa quadruplicou — passou de R$ 126,3 milhões para R$ 603,8 milhões. Para o próximo ano, a previsão é de mais de R$ 603 milhões.

Só em bolsas de assistência estudantil, o número de estudantes atendidos pelo Pnaes cresceu de 13.306 em 2008 para 66.139 em 2011. Em termos de investimento, o volume passou de R$ 19,8 milhões para R$ 181,7 milhões.

Evolução dos recursos


                                    Recursos quadruplicam e passam de R$ 1 bilhão nos últimos cinco anos


Além dos programas diretos de assistência, os investimentos do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) em ampliação da estrutura física das instituições permitiu a elas estender os serviços. Com o Reuni, já foram repassados recursos para a construção de 113 novas bibliotecas, 62 centros de convivência, 72 moradias estudantis e 127 restaurantes universitários. Para essas ações, entre 2008 e 2012, o Ministério da Educação repassou R$ 678,7 milhões às universidades.

O Pnaes apoia a permanência de estudantes de baixa renda matriculados em cursos de graduação presencial das instituições federais. Com isso, procura a igualdade de oportunidades e contribui para a melhoria do desempenho acadêmico, a partir de medidas que buscam combater situações de repetência e evasão.

O programa também contempla assistência à moradia estudantil, alimentação, transporte, saúde, inclusão digital, cultura, esporte, creche, apoio pedagógico e acesso de estudantes com deficiência. As ações são executadas pela instituição de ensino que recebe os recursos. Ela deve ainda acompanhar e avaliar o desenvolvimento do programa e prestar contas ao MEC.

A distribuição do recurso entre as instituições ocorre conforme o índice de desenvolvimento humano do município de localização, número de alunos e vagas oferecidas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do MEC em cada uma delas. Os critérios de seleção dos estudantes são definidos pelas instituições, que devem levar em consideração o perfil socioeconômico dos alunos, além de diretrizes estabelecidas de acordo com a realidade de cada instituição.

Bolsas — Outra iniciativa de apoio aos estudantes é o Programa de Educação Tutorial (PET), que destina bolsas a alunos de graduação que participam de grupos de estudo, com um docente como tutor. Em 2005, o PET contava com 295 grupos e reunia 2.484 alunos. Na época, foram repassados às instituições recursos de R$ 8,9 milhões. Em 2012, com 779 grupos e 7.440 alunos, o investimento chega a R$ 35,7 milhões.

Por meio do Projeto Milton Santos de Acesso ao Ensino Superior (Promisaes), o MEC fomenta ainda a cooperação técnico-científica e cultural com países com os quais mantém acordos nas áreas de educação e cultura, em especial os africanos. O projeto oferece apoio financeiro de um salário mínimo mensal a alunos estrangeiros participantes do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) e regularmente matriculados em cursos de graduação em instituições federais. Este ano, foram investidos mais de R$ 5 milhões no programa, que desde 2006 já recebeu recursos de R$ 24.830.196,00.

Assessoria de Comunicação Social

Palavras-chave: educação superior, assistência estudantil

Bolsa-Formação supera meta de oferta de vagas ao longo do ano

Portal do MEC
A oferta da bolsa-formação pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) chegou a 816 mil vagas este ano. Com isso, superou a meta prevista, de 690 mil. Desde janeiro, mais de 567 mil pessoas fizeram matrícula ou estão pré-matriculadas em cursos técnicos e de formação inicial e continuada por meio do programa.

A bolsa-formação consiste na oferta pública de vagas em cursos técnicos e de formação inicial e continuada na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e no Sistema S (Senai, Senat, Senar, Senac). Também contribuem para a oferta de cursos pelo Pronatec redes estaduais de ensino técnico do Acre, Amapá, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará e Piauí.

“Em menos de um ano de vigência do Pronatec, houve uma expansão significativa no número de vagas ofertadas e de instituições envolvidas na execução do programa”, destacou Marco Antônio de Oliveira, secretário de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação.

O acesso às vagas ocorre por meio de pré-inscrição, em até três cursos técnicos ou de formação inicial e continuada, no novo portal do Pronatec. Nele, estão disponíveis para consulta o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos e o Guia Pronatec de Cursos FIC, além de orientações sobre a inscrição no programa. Após o cadastramento, o sistema indica cursos disponíveis e que correspondam ao perfil do candidato, na região onde ele mora.

De acordo com Oliveira, mesmo com as possibilidades oferecidas pelo novo portal, as formas tradicionais para seleção serão mantidas. “Com mais uma forma de acesso ao programa, esperamos atingir o maior número possível de interessados e evitar que parte das vagas se perca pela dificuldade de preenchimento das turmas no prazo previsto para matrícula”, afirmou.

As áreas com maior número de matrículas efetuadas são as de gestão e negócios (113.130), controle e processos industriais (68.492), ambiente, saúde e segurança (46.929). O público-alvo dos cursos técnicos é formado por estudantes matriculados no ensino médio. O dos cursos de formação inicial e continuada ou qualificação profissional, pelos trabalhadores em geral, beneficiários do seguro-desemprego e dos programas de transferência de renda do governo federal, entre outros grupos sociais.

O Pronatec foi criado pelo governo federal, em outubro de 2011, para democratizar o acesso ao ensino técnico e profissionalizante. A meta é oferecer 7,9 milhões de vagas até o fim de 2014. Para este ano, a meta é chegar a 1,6 milhão de vagas em todas as ações.

Danilo Almeida
Palavras-chave: educação profissional, Pronatec, bolsa-formação

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