sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"Redação Inquieta" desafia mitos populares e ensina a arte da escrita

da Livraria da Folha
Escrever é um ato cotidiano (que o digam jornalistas, advogados, professores e secretárias). Escrever, também, é uma arte. Depende do contexto. No entanto, independente de qual seja, organizar os pensamentos para a página em branco, saber escolher as melhores palavras e alcançar um texto elegante é uma tarefa que exige dedicação.

Há quem diga por aí que escrever é um talento com qual se nasce e pronto. E esse mito reinou por muito tempo. Outros, porém, já defendem que é muito mais "transpiração" do que "inspiração", e é essa a linha de pensamento de "Redação Inquieta", para a alegria de muitos estudantes, principalmente.

Gustavo Bernardo, romancista, educador e autor da obra, acredita na possibilidade de uma escrita de qualidade para todos. Só que ao invés de simplesmente falar "basta treinar", ele propõe um método de ensino de redação mais eficaz e objetivo, que visa o domínio de diferentes técnicas narrativas, formação de argumentos, amplo vocabulário e gramática.

Os sete capítulos são bem condensados quanto à proposta, o que facilita pra o leitor voltar ao tema sempre que sentir necessidade. "Ato", "Método", "Erro" e "Estilo" são alguns dos principais focos trabalhados.
Contudo, Bernardo faz questão de avisar que a obra não é um livro de truques e macetes. A questão vai além disso.

Uma curiosidade sobre "Redação Inquieta". O livro foi originalmente lançado em 1985, e desde então passa por revisões e atualizações, muitas, diga-se, em referências às redes sociais, visando, principalmente, os usuários de blogs.
retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/824906-redacao-inquieta-desafia-mitos-populares-e-ensina-a-arte-da-escrita.shtml

STJ condena governo do DF a indenizar professora agredida por aluno em escola

Da Redação
Em São Paulo
O governo do Distrito Federal foi condenado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) a indenizar uma professora que foi agredida por um aluno dentro da escola. O valor a ser recebido pela docente é de R$ 10 mil.

O tribunal entendeu que o DF pode ser responsabilizado por omissão ao não afastar o aluno –que, diz o processo, já havia ameaçado a professora de morte. Ainda de acordo com o processo, a docente passou a ter medo de dar aulas, mesmo em outra unidade de ensino.

O governo local disse que não poderia ser responsabilizado diante de “omissões genéricas” e afirmou que o policial presente na escola não foi informado das ameaças. A decisão ratificou outra, do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), que já havia decidido pela indenização.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/11/05/stj-condena-governo-do-df-a-indenizar-professora-agredida-por-aluno-em-escola.jhtm

Maioria dos candidatos do Enem já terminou o ensino médio

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil
Em Brasília
Os candidatos que vão comparecer aos 16 mil locais de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de amanhã (6) têm um perfil diferente daqueles que participaram das primeiras edições da avaliação. Mais da metade dos inscritos (58%) já concluíram a educação básica em anos anteriores e boa parte não está mais na faixa etária dos alunos do ensino médio – 1,5 milhão tem entre 21 e 30 anos e 691 mil são maiores de 30.

A participação dos chamados egressos aumenta a cada ano: em 2008, eram 38% e em 2009, 55%. O interesse desse público pela prova pode ser explicado pelas novas possibilidades de acesso ao ensino superior que o Enem oferece.
Alunos de baixa renda que cursaram o ensino médio em escola pública podem participar do Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas de estudo em faculdades particulares. Outra possibilidade é utilizar a nota do exame para disputar uma vaga em uma das 83 universidades públicas que trocaram seus vestibulares pelo Enem.

Uma dessas candidatas é Eliana Pereira, 28 anos, que decidiu participar do Enem para tentar uma bolsa do ProUni. Onze anos depois de terminar o ensino médio, ela quer estudar jornalismo. Na época em que concluiu a educação básica, deixou de lado a vontade de fazer um curso superior para trabalhar.

“Antigamente não tinha tantas oportunidades, aqui em Brasília mesmo era só a UnB [Universidade de Brasília]. A gente vê no Enem mais uma porta de entrada para o ensino superior”, afirma. Eliana está estudando para o Enem em casa e refazendo edições antigas da prova.

Apesar de ter saído da escola há algum tempo, ela acredita que tem as mesmas chances de se sair bem do que um candidato que está concluindo o ensino médio agora. “A exigência do Enem aumentou, eu percebo isso pelas provas mais antigas que refiz. Mas estou bastante confiante”, afirma.
As provas do Enem serão aplicadas neste fim de semana (6 e 7 de novembro) para 4,6 milhões de inscritos. No sábado (6), as provas serão de ciências da natureza e humanas, cada uma com 45 questões. No domingo (7), os candidatos serão avaliados em matemática e linguagens, cada uma com 45 questões, além da redação. O exame começa às 13h (horário de Brasília).
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/11/05/maioria-dos-candidatos-do-enem-ja-terminou-o-ensino-medio.jhtm

Olimpíada chega à segunda etapa regional em Fortaleza

Portal do MEC
Começa na próxima segunda-feira, 8, em Fortaleza, o segundo encontro regional da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Estarão reunidos os 125 finalistas do gênero poema. Participam dessa etapa estudantes do quinto e do sexto anos do ensino fundamental. Eles foram selecionados nas fases escolar, municipal e estadual. Desse grupo de autores serão indicados 38 para a etapa nacional. A oficina vai até quarta-feira, 10, no Hotel Praia Centro, na Praia de Iracema.

Nos três dias, os 125 estudantes vão participar de atividades em grupos, em salas separadas. Cada grupo terá o acompanhamento de dois professores-formadores, a quem caberá orientar as atividades de criação, aperfeiçoamento dos textos e leitura de autores nacionais e internacionais no gênero.

Os professores de língua portuguesa dos semifinalistas atuarão com as equipes de formadores para qualificar a atuação nas salas de aula. Todos os dias, ao final dos trabalhos em grupo, estudantes e professores estarão juntos em atividades culturais e recreativas.

Calendário — O Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), entidade que coordena a olimpíada, elaborou calendário que compreende quatro encontros regionais com os semifinalistas, um para cada gênero literário. Os próximos encontros regionais serão realizados de quarta-feira, 10, até sexta, 12, em Belo Horizonte, com estudantes do sétimo e do oitavo anos do ensino fundamental que produziram textos no gênero memória. Do dia 16 até o dia 18, em São Paulo, o encontro reunirá, sob o tema artigo de opinião, os concorrentes do segundo e do terceiro anos do ensino médio.

O primeiro encontro regional ocorreu esta semana (dias 3 a 5), em Curitiba, com os semifinalistas da modalidade crônica. Encerradas as etapas regionais, serão selecionados 152 estudantes — 38 por categoria — para a fase nacional, no dia 29, em Brasília, quando serão anunciados os 20 vencedores, cinco por gênero literário.

Este ano, a Olimpíada de Língua Portuguesa teve a participação de 141.332 professores e de 59.803 escolas públicas de educação básica. Educadores e unidades de ensino representam as 27 unidades da Federação e 5.488 dos 5.565 municípios brasileiros. O Lugar Onde Vivo é o tema que orienta os trabalhos de alunos e professores.

A competição é promovida pelo Ministério da Educação e pela Fundação Itaú Social e coordenada pelo Cenpec.

Ionice Lorenzoni

Leia também:
Olimpíada começa a selecionar candidatos para fase nacional
Palavras-chave: língua portuguesa, olimpíada

Brasileiros vão à França para seminário sobre governança

Portal do MEC
Representantes do Ministério da Educação participam, de 8 a 12 de novembro, em Paris, do seminário Gestão e governança dos estabelecimentos de educação profissional. A missão brasileira também conhecerá as estratégias adotadas pelo governo francês para legitimar conhecimentos práticos adquiridos fora da escola. A intenção é utilizar o aprendizado no programa Certific.

De acordo com Rodrigo Torres, assessor internacional de educação profissional do MEC, a iniciativa faz parte do protocolo assinado em 2008 pelos Ministérios da Educação do Brasil e da França. O documento prevê a realização de seminários temáticos em ambos os países e a constituição de uma rede de intercâmbio entre os institutos federais e liceus franceses.

Para constituir essa rede, foi feita em abril do ano passado uma chamada pública para a escolha de projetos de cooperação bilateral. Foram selecionados projetos dos institutos federais de São Paulo, Fluminense, Santa Catarina e Sul-Rio-grandense. Na missão, representantes dos institutos conhecerão experiências de instituições parceiras nas áreas de indústria aeronáutica, automotiva e eletrônica, saúde pública e assistência social, turismo, hotelaria e gastronomia.

Durante o seminário, será assinado o programa-executivo de trabalho Brasil-França. “Esse programa definirá como serão trabalhados projetos em todas essas áreas”, explicou Rodrigo Torres. O evento trará temas como o posicionamento dos estabelecimentos em seu contexto institucional; a autonomia dos estabelecimentos públicos locais de ensino: a proposta pedagógica dos liceus de ofício; a gestão financeira dos liceus e avaliação das unidades de ensino.

Legitimação - Já nos encontros com representantes do Ministério da Educação da França, o tema será a validação das competências adquiridas por experiência. Na pauta do encontro, a origem, funcionamento, princípios e desafios desse tipo de estratégia naquele país. Outra temática será a validação das competências adquiridas como ferramenta de gestão do trabalho. Para finalizar, será feito um balanço da validação na França, com discussão de novas diretrizes e perspectivas de desenvolvimento.

Ana Júlia Silva de Souza
Palavras-chave: Educação profissional, certificação, programa Certific

MEC divulga orientações para cobertura do exame por veículos da imprensa

Portal do MEC
Os veículos de imprensa deverão produzir imagens e entrevistas com participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no próximo fim de semana, dias 6 e 7 de novembro, apenas do lado de fora dos prédios. O Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) não emitem nenhum tipo de autorização formal para que as equipes entrem nos locais de aplicação da prova.

Todas as informações oficiais sobre o Enem 2010 serão repassadas pelas autoridades do Ministério da Educação e do Inep em Brasília. Não há representantes do Ministério ou do instituto nas demais unidades da Federação, e coordenadores locais de aplicação e fiscais não concederão entrevistas.

As provas serão divulgadas na segunda-feira, 8, até as 12h, na página do Enem na internet. Gabaritos estarão disponíveis no mesmo endereço, na terça-feira, 9, às 18h.

A Assessoria de Comunicação do MEC e Inep trabalhará em regime de plantão durante o final de semana, das 10h às 20h.

O serviço de atendimento ao cidadão também funcionará em regime de plantão no sábado e no domingo, das 8h às 20h, atendendo pelo telefone 0800-616161.

Assessoria de Comunicação Social
Palavras-chave: Enem, ensino médio

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cooperação leva professores brasileiros a país da África

Portal do MEC
Professores dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia do Acre, da Bahia e de Brasília estarão no Benim até 8 de novembro para planejar a instalação de uma incubadora em cooperativismo e agroecologia no Lycée Agricole Medji de Sékou (Lams). A viagem dos professores brasileiros faz parte de acordo firmado pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação brasileiro (Setec) com o governo do país africano, intermediado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Brasil e Benim assinaram, em 2005, acordo de cooperação técnica que prevê o desenvolvimento de atividades em áreas consideradas prioritárias, como saúde e agricultura. Comprometeram-se também a analisar outros setores de interesse para a criação de projetos. No ano passado, o governo beninense pediu ao governo brasileiro o envio de missão para prospecção e identificação de áreas de atuação para o desenvolvimento daquele país.

A formação profissional e tecnológica nas áreas de cooperativismo e de agroecologia surgiu como principal demanda. Grande parte do que é produzido no Benim provém da agricultura familiar, o que deixa clara a necessidade de fortalecer as bases para o melhor aproveitamento dos recursos existentes e o aumento da produtividade. Assim, os professores Breno Carrillo (Acre), Alex Cypriano (Bahia) e Vânia Pimental (Brasília) vão atuar como multiplicadores da incubadora de cooperativas e ajudar na formação de empreendimentos. O projeto prevê missões de acompanhamento das cooperativas e aquisição de equipamentos.

O Benim, no oeste da África, tem aproximadamente nove milhões de habitantes. Foi colônia francesa até 1960, quando conseguiu a independência. Segundo dados das Nações Unidas, o analfabetismo atinge mais de 60% da população. O índice de desenvolvimento humano (IDH) é de 0,492 (muito baixo).

Assessoria de Imprensa da Setec
Palavras-chave: incubadora, cooperativismo, agroecologia

Em novembro, bibliotecas paulistanas têm oficinas sobre livros exigidos no vestibular

Da Redação
Em São Paulo

O projeto "A Hora e a Vez do Vestibular", na cidade de São Paulo, realiza neste mês análises completas dos livros "Vidas Secas", "Capitães de Areia" e "Antropologia Poética". As palestras serão realizadas em bibliotecas públicas e no CCJ Ruth Cardoso.

Professores de cursinho ministram oficinas, com duas horas de duração cada, sobre as obras de literatura brasileira exigidas nos principais vestibulares de São Paulo, tais como o da Fuvest, da Unicamp e da PUC-SP. Confira a programação completa:

Zona Norte

Biblioteca Pública Álvares de Azevedo
Praça Joaquim José da Nova, s/nº, Vila Maria
Telefone: 2954-3118 e 2954-2813
Com Fernando Lara.

Vidas secas - Dia 6, às 13h

Capitães de areia - Dia 7, às 13h

Antologia poética - Dia 13, às 13h

Biblioteca Pública Érico Veríssimo
Rua Diógenes Dourado, 101, Cohab Parada de Taipas
Telefone: 3972-0450

Vidas secas - Dia 6, às 9h

Capitães de areia - Dia 6, às 11h

Antologia poética - Dia 13, às 9h

Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641, Vila Nova Cachoeirinha
Telefone: 3984-2466

Antologia poética - Dia 4, às 19h

Vidas secas - Dia 9, às 19h

Capitães de areia - Dia 11, às 19h

Zona Sul

Biblioteca Pública Castro Alves
Rua Abrahão Mussa, s/nº, Jardim Patente
Telefone: 2946-4562

Vidas secas - Dia 4, às 14h

Capitães de areia - Dia 9, às 14h

Antologia poética - Dia 11, às 14h

Zona Oeste

Biblioteca Pública Camila Cerqueira César
Rua Waldemar Sanches, 41, Butantã
Telefone: 3731-5210

Vidas secas - Dia 4, às14h

Capitães de areia - Dia 9, às 14h

Antologia poética - Dia 11, às 14h

Zona Leste

Biblioteca Pública Cassiano Ricardo
Av. Celso Garcia, 4.200, Tatuapé
Telefone: 2092-4570

Vidas secas - Dia 6, às 10h30

Capitães de areia - Dia 8, às 19h

Biblioteca Pública Cora Coralina
Rua Otelo Augusto Ribeiro, 113, Guaianases
Telefone: 2557-8004

Vidas secas - Dia 4, às 14h

Capitães de areia - Dia 8, às 14h

Antologia poética - Dia 11, às 14h
retirado do site:http://vestibular.uol.com.br/ultimas-noticias/2010/11/03/bibliotecas-paulistanas-terao-oficinas-sobre-livros-exigidos-nos-vestibulares.jhtm

Participação no Enem aumentou quase 30 vezes em relação à primeira edição

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil
Em Brasília

Quando o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi aplicado pela primeira vez, em 1998, cerca de 157 mil estudantes participaram da prova. Treze edições depois, o número de inscritos é quase 30 vezes maior: 4,6 milhões de candidatos são esperados para fazer o exame, que será aplicado no fim de semana (6 e 7 de novembro).

Desde a primeira edição, o Enem é voluntário. Mas em 2010, cerca de 80% dos formandos do ensino médio se inscreveram para a prova, estimativa calculada a partir dos números do Censo Escolar. A popularização do exame pode ser explicada pela própria mudança de função da prova. Se antes o Enem servia para avaliar o desempenho do aluno ao fim da educação básica, hoje é pré-requisito para quem quer participar de programas de acesso ao ensino superior, o que fez crescer sua atratividade.
No início, a nota do Enem passou a ser utilizada por algumas instituições de ensino em seus processos seletivos, especialmente nas privadas. Ganhou peso especial a partir de 2005, quando se tornou um pré-requisito para os estudantes interessados em uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). Até 2004, os inscritos não passavam de 1 milhão, mas em 2005 chegaram a 2,9 milhões.

No ano passado, veio nova mudança que deu ainda mais importância à prova: o Ministério da Educação (MEC) propôs às universidades federais um vestibular unificado por meio do Enem. Mais de 50 aderiram à ideia e cerca de 47 mil vagas de instituições públicas de ensino superior foram oferecidas aos estudantes por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Para 2011, há outra mudança: a participação no Enem será obrigatória para quem quiser financiar seus estudos por meio do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).

Uma das instituições que em 2011 vai trocar o vestibular pelo Enem é a Universidade Federal de São Carlos (UFScar). “Nós sempre tivemos uma preocupação com a questão da democratização do acesso ao ensino superior. E a democratização abrange o aspecto do processo seletivo. O vestibular da UFSCar era aplicado em 12 cidades de São Paulo e agora vamos dar a oportunidade para estudantes de todas as regiões do país a um custo baixíssimo para eles”, compara o coordenador da comissão de vestibular da universidade, Wagner Santos.

A presidente do Fórum de Pró-Reitores de Graduação das Universidades Brasileiras (Forgrad), Isabel Pereira, acredita que o Enem pode tirar “um peso” das universidades federais ao substituir o vestibular. “É um processo gigante dentro da universidade que, muitas vezes, fica quase terceirizado. Sem se ocupar do vestibular, a instituição pode focar-se na sua missão que é a formação”, defende.
A entidade participa de um grupo de acompanhamento e avaliação permanente do Enem. Para que um dia o exame possa de fato acabar com os vestibulares do país, Isabel acredita que é preciso aperfeiçoá-lo.

“Estamos em um processo inicial que vem melhorando. Agora o cronograma já está adequado ao calendário das universidades, caminha-se para que o Enem seja uma opção de sucesso. Mas acabar com o vestibular é um processo que vai depender dos próximos passos, dos resultados das próximas edições. É um processo gradativo”, afirma.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/11/03/participacao-no-enem-aumentou-quase-30-vezes-em-relacao-a-primeira-edicao.jhtm

Escola é principal destino de formado em educação física

THIAGO AZANHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para cursar educação física é preciso muita disposição. Os bacharelados e licenciaturas mais bem avaliados do país têm extensa grade de aulas teóricas e práticas sobre modalidades esportivas.

"Aprendemos fundamentos de esportes, desenvolvemos pesquisas na área e projetos em acessibilidade", diz Luana Fraga, 21, que está no 3º ano do curso na UFJF (federal de Juiz de Fora).

Pela importância da interação entre teoria e prática, uma boa dica para quem está em dúvida sobre a faculdade onde vai estudar é avaliar a qualidade do centro esportivo oferecido pela instituição.

Apesar do crescimento de outras áreas, a rede escolar é a que mais abriga recém-formados. Os profissionais ainda podem atuar em academias, clubes e empresas.

"A faculdade dará apoio técnico ao aluno que quiser desenvolver a educação pelo exercício esportivo", diz Dalton Muller, coordenador do curso na Unesp (Bauru).

De forma autônoma, a educação física emprega também o personal trainer, o gestor de esportes, o consultor e o assessor esportivo. Mas a área que mais vem ganhando espaço é a saúde.

Na universidade de Luana, a UFJF, os alunos podem optar por residência em educação física no hospital universitário -com dois anos de duração após a formação. "O aluno desenvolverá atividades com diabéticos, hipertensos e outros distúrbios", diz Edna Martin, diretora da graduação.

USP

A USP, que hoje oferece graduação em esporte e em educação física, vai juntar os dois cursos a partir de 2011. O aluno passará por um núcleo comum nos dois primeiros anos. Depois, optará por bacharelado ou licenciatura em educação física ou bacharelado em esportes.

Andrea Freudenheim, que coordena o bacharelado em educação física da USP, diferencia: "O esporte trabalha com o rendimento do atleta. A educação física visa a qualidade de vida dos clientes".

retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/saber/824689-escola-e-principal-destino-de-formado-em-educacao-fisica.shtml

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um desafio do tamanho do Brasil

Udo Simons
A expansão econômica e social prevista para a década que se inicia depende da educação superior para se concretizar, mas ao mesmo tempo coloca em questão a capacidade das instituições em atender à demandado desenvolvimento
A conjuntura econômica brasileira em 2010 traz um momento de reflexão aos mantenedores e gestores de instituições de ensino superior. Qual impacto o desenvolvimento econômico gera ao setor? Estariam as instituições de ensino superior preparadas para acompanhar esse desenvolvimento? E mais: há formação de mão de obra qualificada suficiente para garantir os prognósticos positivos?

Se as previsões dos economistas estiverem corretas, o Brasil entra na segunda década do século 21 no caminho de expansão consolidada de seu Produto Interno Bruto (PIB) previsto pelo Banco Central para fechar na casa dos 7,34% neste ano. Porém, esse indicador pode ser revisto até dezembro. E, pela sua recente trajetória, tudo indica que para cima.

Exemplos da boa fase financeira do país são diversos. Tomem-se como amostra estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A taxa de expansão dos investimentos na economia do país, indicada pelo banco, até 2013, é da ordem de 10% ao ano. A afirmação é fruto de análises da instituição considerando as intenções de investimento das empresas nas áreas da indústria e infraestrutura no ciclo 2010-2013. Especificamente, cinco setores são vistos como propulsores desse dinamismo: petróleo e gás, energia elétrica, logística, construção habitacional e agronegócios.

"As instituições de ensino superior são integrantes do processo de crescimento econômico, pois são organizações produtoras de serviços educacionais, os quais são parte do PIB. Ao mesmo tempo, esse PIB gera renda e quanto mais ele crescer, maior será a demanda pelos serviços das instituições", reflete o economista e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Macedo.

Para Macedo, o mercado do ensino superior está com pressão de maior oferta e mais disputado. "Assim, cada instituição deve procurar se tornar competitiva, em especial as particulares, pois as públicas têm sua competitividade assegurada pela não cobrança de anuidades." Ele aponta a inovação como caminho a ser seguido. "Uma oportunidade que vejo seria ampliar a oferta de cursos com ciclos básicos comuns a várias áreas, pois na graduação os jovens precisam de uma formação mais geral que a oferecida atualmente, já que o mercado de trabalho se comporta de tal forma que muitas vezes as pessoas vão trabalhar em ocupações atípicas da profissão escolhida", analisa. Macedo ressalva que, no aspecto quantitativo, as instituições de ensino superior estariam preparadas para atender à demanda de mercado frente ao crescimento econômico, apesar de, em sua avaliação, ainda haver muito espaço para avançar no que diz respeito ao conteúdo dos cursos, na forma de organizá-los e ministrá-los, e na sua qualidade.

Ao rever estatísticas de organismos nacionais e internacionais em educação é possível exemplificar o pensamento de Macedo. Entre os países emergentes, que nos últimos anos se destacaram pelo crescimento de sua economia e foram batizados, no mercado financeiro, pela sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o nível da formação superior brasileiro é o mais baixo.

Na Índia graduaram-se 14 milhões de estudantes em 2006, de acordo com as estatísticas do governo indiano. Em 2008, segundo dados do censo da China, publicados no China Yearbook 2009, o número de matrículas no ensino superior era superior a 20 milhões. A Unesco estipulou, em 2009, que nove milhões de russos estariam em assentos universitários. O Brasil tinha, em 2008, 5,8 milhões de matrículas no ensino superior, contando com o ensino a distância.

"O que se questiona do nosso crescimento recente é a sua qualidade, muito mais para o lado do consumo do que para o investimento. E por que o investimento está baixo? Porque está faltando educação", avalia Carlos Alberto Safatle, professor de economia e administração da PUC-SP e presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon). "Crescemos economicamente e aumentamos nossa participação nas exportações da taxa de matéria-prima. Estamos criando pouco valor agregado. E o setor da educação é o responsável pela criação do valor agregado", diz.

Em julho último, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), formado por empresários brasileiros para análise e propostas ao desenvolvimento nacional, publicou um levantamento sobre a questão da formação em engenharia no Brasil. No texto, entre outros pontos, foi questionado o fato de o "Brasil não ter qualquer plano de qualificação de mão de obra, no sentido mais estrito do termo". Além de indagar: "haveria alguma lógica na expansão do perfil dos egressos do ensino superior brasileiro? (...) Ou: "este perfil é apenas uma reprodução inercial do sistema já constituído de formação de recursos humanos?".

Ponto de vista à parte, é válido observar as estatísticas educacionais relativas a dois setores (petróleo e energia) indicados pelo BNDES como agentes do crescimento nacional. De acordo com levantamento do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), há 59 cursos oferecidos entre instituições públicas e particulares para formação de bacharéis e tecnólogos para área de petróleo e gás, a estrela do grupo, segundo BNDES. Deles, formaram-se, ao todo, 2.374 estudantes em 2008. Na área de energia elétrica o total de graduandos foi de 121 alunos (entre bacharéis e tecnológos), em 14 cursos oferecidos.

Segundo o Estudo de Competitividade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), veiculado pelo Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), a maioria das empresas brasileiras não utiliza universidades nem centros de pesquisa como fontes de conhecimento tecnológico. Por sua vez, segundo o Prominp, as universidades não possuem tradição em atender demandas empresariais, pois não há uma agenda tecnológica definida.

"Nosso crescimento está muito relacionado com a questão agrícola, da mineração do petróleo e com a infraestrutura, às grandes obras hidrelétricas, com a construção civil", diz Paulo Corbucci, pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).

Ao refletir sobre o papel das instituições de ensino nesse cenário, Corbucci acredita que as instituições particulares não estão preparadas. Para ele, de maneira geral, os gestores não têm visão macro do processo de desenvolvimento. "Do setor privado menos ainda. Eles têm uma visão muito específica do retorno financeiro que se pode obter ao investir em determinada área", acredita.

De qualquer forma, Corbucci não crê num gargalo. "Mas poderá haver pelo menos um encarecimento da mão de obra especializada em certas áreas", prevê. Ou a busca por profissionais de fora do país. "Parece-me que já há um crescimento de profissionais qualificados estrangeiros. Acho que precisamos, agora, fazer um chamamento de uma política nacional que aglutine o setor privado em torno de uma proposta de desenvolvimento do país", defende.

Para o pesquisador, o problema atual não é a falta de vagas, que para ele é suficiente. "Hoje, temos mais candidatos do que vagas. Ainda que a relação esteja muito baixa no setor privado, em torno de 1.3 candidatos. Daqui a pouco vamos ter menos candidatos do que vagas." A questão é como incluir um maior número de jovens no ensino superior.

De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), a meta para 2010 era ter matriculadas no ensino superior 30% das pessoas entre 18 e 24 anos. Atualmente, entretanto, as matrículas correspondem a 13,7% nessa faixa etária. O índice em países da OCDE é de 39%. Em 2011, entrará em vigor um novo PNE, com validade até 2020. Uma de suas prioridades deverá ser a elevação dos investimentos em educação, que passarão a equivaler a 10% do PIB até 2014. Atualmente, não ultrapassam os 5,1%.

Para o professor de economia do Insper e da Universidade de São Paulo (USP) Naércio Menezes Filho, a questão que se coloca sobre como o crescimento econômico brasileiro afetaria as instituições de ensino superior está relacionada a um apagão de mão de obra qualificada. "Ou seja, a pergunta é se temos trabalhadores qualificados suficientes para promover o crescimento econômico." O problema, no caso, é a discrepância entre a oferta e a demanda. Enquanto algumas áreas suprem a demanda, outras estão deficitárias, principalmente as relacionadas à engenharia. Mas ele ressalta: "Em geral, não existe apagão de mão de obra qualificada. O aumento de matrículas ocorrido nos últimos anos é suficiente para suprir a demanda das empresas", acredita.

Diferentemente do ponto de vista defendido por Corbucci, pela existência de uma política nacional na área a fim de aglutinar as universidades particulares em torno de uma proposta para o desenvolvimento, Menezes defende a autorregulação do setor como saída para possíveis falhas na oferta de cursos com carência de formação profissional. "Não há necessidade de um planejador central. O mercado resolverá essas interações entre oferta e demanda. O mercado tem de ser deixado livre", defende.

O professor acredita que se as instituições de ensino superior perceberem que há demanda por cursos específicos abrirão mais vagas. Cada uma vai encontrar um nicho de mercado. Porém, ele reconhece o fato de ser mais fácil abrir um curso na área de ciências humanas. "É mais barato do que um curso de engenharia que requer laboratórios, centros de pesquisa avançados. O retorno precisa ser muito grande para valer a pena investir nessas áreas."

Adefinição de qual metodologia financeira a ser adotada para a gestão das instituições superiores, públicas ou particulares é complexa. Desde o início dos anos 2000, um caminho seguido por alguns foi o de transformar seus cursos ou departamentos em unidades de negócio independentes. Com isso, as instituições de ensino superior passaram a contabilizar, separadamente, os gastos diretos envolvidos em cada parte do processo de administração, como pagamento de horas-aula aos professores e a divisão conjunta das despesas operacionais - manutenção dos prédios, luz e água, por exemplo.

Há ainda os que conduzem sua gestão com base em métodos estatísticos de elementos-chave em relação a algumas variáveis como laboratórios, bibliotecas e salas de aula. Na Europa e Estados Unidos uma fórmula disseminada de lidar com as contas é o sistema denominado ABC de Custos, no qual são consideradas três etapas: os recursos físicos e humanos, as atividades da empresa e o produto final. Os recursos são alocados para as atividades, gerando, assim, o produto final.

Seja qual for a maneira encontrada por mantenedores e gestores do ensino superior para equacionar a questão da oferta por cursos mais procurados e custos necessários para sua criação, vale lembrar o alerta do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) feito em sua análise sobre o setor.

A pesquisa lembra que a trajetória percorrida na formação acadêmica com resultados para o mercado foi possível em função do contexto da industrialização ancorada na substituição de importações e forte presença de subsidiárias de empresas estrangeiras no país. Entretanto, este cenário, pelas perspectivas apresentadas, não se repetirá. As recentes crises econômicas, que afetaram fortemente os países industrializados, fizeram governos e empresas reverem as políticas de desenvolvimento de negócios e investimentos. A prioridade imediata foi a recuperação de suas economias, priorizando o mercado interno de produção e consumo, principalmente. Mas, agora, a educação e a formação profissional são as apostas para sair definitivamente da crise. Para isso, tanto governos quanto empresas terão de investir mais. É o que se deve ver na próxima década.

Como a educação superior atende as áreas de maior demanda da economia brasileira
PRIVADAS

Instituições

cursos
oferecidos

vagas

concluintes ao ano
Gestão e Logística
140

192

30.027

6.817
Agrocegócio
49

63

4.645

801
Petróleo e Gás
30

57

9.740

2.359
Energia elétrica
6

7

580

100
Engenharia civil
18

29

7.350

441
Públicas
instituições

cursos oferecidos

vagas

concluintes ao ano
Gestão e Logística
6

6

710

324
Agronegócio
11

12

570

71
Petróleo e Gás
2

2

45

15
Energia elétrica
7

7

316

21
Engenharia civil / Tecnologia de edificação
49

59

3710

1155

Gestão voltada para o desenvolvimento

Manter as instituições de ensino superior atualizadas com as mudanças socioeconômicas do país é uma difícil tarefa. São vários os modelos para atingir essa condição. Porém, algumas características de gestão podem ser destacadas. Veja algumas dicas dos especialistas:

* Criar programas de pós-graduação
* Investir em corpo docente qualificado
* Definir trabalhos conjuntos com empresas
* Estabelecer uma política financeira objetiva
* Entender as políticas educacionais dos governos
* Saber aproveitar os programas de financiamento público
* Ter uma visão ampla do cenário econômico do país
* Firmar parcerias com setores industriais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e ciência e tecnologia (C&T)
* Ter cursos que agreguem valor ao mercado de trabalho
* Ampliar a oferta de cursos com ciclos básicos comuns a várias áreas


Como as empresas investem em inovação

71,4% das empresas industriais realizaram inovação no
1º trimestre de 2010

33,2%lançaram até três inovações de produto ou processo

19,0% lançaram entre quatro e seis inovações

19,1% lançaram sete ou mais inovações

74,3% das empresas esperavam inovar em produto e processo no 2º trimestre de 2010

Fatores que influenciam a decisão de inovar no 2º trimestre: exigência dos clientes - 63,74%; crescimento da demanda interna - 57,14%; pressões de custo - 57,14%

Áreas de maior demanda

Engenharia
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) publicou, em julho, o estudo Formação de Engenheiros no Brasil: Desafio ao Crescimento e à Inovação. As principais conclusões foram: a situação brasileira em termos de engenheiros por habitante é especialmente precária e insustentável comparativamente a qualquer outro país desenvolvido ou no mesmo estágio de desenvolvimento do Brasil; o quadro brasileiro se explica pela baixa escolaridade superior, mas também é fortemente agravado pelo perfil dos egressos da graduação e pós-graduação, em que o percentual de engenheiros é baixo e decrescente; há uma forte e crescente demanda por profissionais de engenharia no Brasil, detectada pelo cotidiano das empresas e de suas dificuldades no mercado de trabalho.

O estudo completo sobre o tema com informações gerais sobre o ensino superior brasileiro pode ser acessado pelo site www.iedi.org.br.

Energia
A área de energia elétrica concentra um nível elevado de investimentos no Brasil. O Ministério do Planejamento prevê investimentos de R$ 8,6 bilhões na área, 8% do total do orçamento, para o exercício 2011. A maior parte desses recursos, R$ 3,9 bilhões, será aplicada em empreendimentos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Estatísticas da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) mostram que em 2009 a indústria eletroeletrônica fechou o ano com faturamento de R$ 112,2 bilhões. Para o final de 2010, há previsão de que esse faturamento cresça 11%, chegando aos R$ 125 bilhões. Já o número de empregados oscila em 160 mil, porém para cada emprego direto, segundo a Abinee, são criadas três vagas indiretas. Ou seja, 460 mil pessoas empregadas.

Petróleo e Gás
Para suprir a demanda por profissionais especializados na exploração do petróleo e seus derivados, o governo federal criou há sete anos o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia.

O programa tem por finalidade aprimorar a participação da indústria nacional de bens e serviços, em bases competitivas e sustentáveis, na implantação de projetos de petróleo e gás natural no país e no exterior. Daí, estruturou-se, em 2006, o Plano Nacional de Qualificação Profissional (PNQP), para a capacitação profissional. Os cursos são de nível básico, médio, técnico e superior e são realizados em parcerias com instituições de ensino. Pelos registros do Prominp, formaram-se por meio dessas iniciativas aproximadamente 78 mil pessoas até março de 2010.

Entretanto, segundo o Plano de Negócios para o período 2009-2013 da Petrobrás, principal empresa brasileira no setor, serão necessárias, pelo menos, 207 mil pessoas para desempenhar atividades em 185 categorias profissionais.
retirado do site:http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12676

Escolas Particulares apostam em estratégias diferenciadas

Beatriz Rey
Novos caminhos
Escolas particulares que oferecem Educação de Jovens e Adultos (EJA) apostam em metodologias diferenciadas para evitar evasão
O relógio marca nove horas da noite. Anália Pereira Lemos, conhecida por Naná, está sentada em um dos corredores do prédio da agência dos Correios na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. Vestida com roupas de inverno, já que a temperatura beira os 16°C do lado de fora, Naná olha fixamente para um extintor, que está ao lado de uma sala adaptada para receber os alunos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Ilha de Vera Cruz, projeto social ligado à Escola Vera Cruz, colégio paulistano de classe média alta. "Eu sei o E, o X, o T, o I, o N, o T, o O e o R, mas não sei juntar as letras", confidencia. Há dois anos, não conseguia identificar nenhuma letra. Baiana, 57 anos, até então nunca havia colocado os pés em uma sala de aula. Resolveu aprender a ler porque tem um sonho: tirar a carteira de motorista para ser guia turística em Florianópolis (SC). "Agora já sei falar todas as letras de qualquer placa que vejo na rua."

Naná é uma das 7.232 pessoas que frequentam aulas em instituições privadas de ensino de EJA no Estado de São Paulo. Eles representam pouco mais de 1% do total de 520.863 alunos atualmente matriculados nessa etapa. Os outros 99% estão nas redes estadual e municipal. Uma parte da oferta de vagas em redes particulares é feita de forma gratuita ou semigratuita por escolas de ensino regular, como o Vera Cruz e o Santa Maria, entre outros. Também há instituições desvinculadas das escolas, como a Microlins ou o Instituto Universal, que oferecem o supletivo. Maria Clara Di Pierro, professora da Feusp e especialista em EJA, afirma que há três tipos de atendimento realizado por escolas. Há instituições, como o Santa Maria e o Colégio Santa Cruz, que começaram a ofertar EJA na década de 70 ou 80. Elas atendem a todas as diretrizes curriculares exigidas pelo Conselho Nacional de Educação para os cursos de Educação Básica, além de seguir as regulamentações estabelecidas pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo (deliberação nº 82/2009). Assim, emitem diploma ao final do curso. "O curso é bastante parecido com a escola regular: há aulas de segunda a sexta, é um modelo seriado e disciplinar", explica.

Colégios como o Móbile e o Nossa Senhora das Graças (Gracinha), também em São Paulo, trazem um modelo mais recente de atendimento, cuja base é o voluntariado. Os professores são voluntários: um engenheiro pode lecionar matemática e um jornalista, língua portuguesa. Nesses casos, não há emissão de diploma - o curso prepara os alunos para prestar o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Segundo Maria Clara, o Ilha de Vera Cruz é a única escola dessa "nova geração" que emite diploma ao final do curso. "É um esquema singular. Há pedagogos que supervisionam os voluntários. Eles conseguem atender às exigências do CEE e desenhar um modelo mais flexível", diz.

Projetos
Ao ofertar EJA, o Vera Cruz tem dois objetivos: oferecer educação a um público que nunca estudou ou está sem estudar já há algum tempo e realizar a formação do trabalho voluntário. "A formação dos professores é feita tanto tecnicamente, para que eles sejam competentes em sala de aula, como no conceito de trabalho voluntário em si", explica Jussara Ferreira Paim, coordenadora do Ilha de Vera Cruz. Para selecionar os professores voluntários, a equipe prioriza quem tem licenciatura, mas também aceita profissionais de áreas correlatas às das disciplinas (engenheiros, jornalistas etc.). Todos passam por formação em serviço, que abrange metodologia e didática. Além disso, há a supervisão pedagógica de todos os voluntários. "Temos reuniões para falar das dificuldades encontradas e para dar encaminhamento quando percebemos que algo está se desviando da concepção da escola", explica.

Neste ano, há 154 alunos matriculados, distribuídos entre o primeiro ciclo (alfabetização) e o segundo ciclo (conteúdo equivalente ao segundo ciclo do ensino fundamental). As aulas acontecem de segunda a sexta. Em sua maioria, os alunos são migrantes ou de famílias oriundas do Norte e Nordeste, têm entre 30 e 40 anos e estão nos estratos inferiores quanto à renda familiar. O colégio atende desde pessoas com emprego fixo, que já possuem uma casa própria, até moradores de rua e albergados. "São adultos que geralmente passaram por história de fracasso na escola e no trabalho, e chegam aqui com a autoestima bem prejudicada", conta Jussara. Assim, os profissionais investem no que a escola chama de "formação para a autonomia": o objetivo é que, ao final do curso, o aluno consiga se valorizar.

Para que isso aconteça, a equipe do Ilha procurou uma metodologia que oferece um significado para o que o aluno está aprendendo. Muitas aulas são ministradas através de projetos, que trabalham não somente o conteúdo, mas também as competências. Um exemplo é a revista literária "Vozes do Ilha", produzida inteiramente pelos estudantes. "Eles pesquisam coisas de seu interesse e escrevem sobre elas. Enquanto isso, os professores trabalham questões gramaticais e a coerência textual, por exemplo. Quando a revista é impressa, eles se enxergam como autores", coloca Jussara, fazendo referência à questão da autonomia.

Outro projeto levado a cabo pelo colégio é o que envolve geometria e fotografia: os alunos saem com máquinas fotográficas para registrar imagens de seu interesse. Quando retornam à sala de aula, identificam com caneta as formas geométricas nas imagens que trouxeram. "Muitos deles passam todos os dias na frente do correio, mas não se dão conta de que há uma janela, e que ela é retangular", afirma a coordenadora. Todo material didático usado é produzido pelos próprios professores. A partir de um programa, eles elaboram aula por aula. "Estamos num processo de sistematização desses planejamentos. Há professores que chegam com menos experiência e que precisam de material, para que ganhem autonomia", afirma.

Leitura
Josnaldo Freire de Sales é ajudante de pedreiro e aluno das turmas de EJA do colégio Santa Maria, localizado na zona sul de São Paulo. No final de julho, quando as aulas do segundo semestre começaram, Josnaldo produziu uma paródia da "Canção da América", de Milton Nascimento, para a disciplina de língua portuguesa. Ele escreveu: "Amigo hoje é minha inspiração/Me lembrei de você/Em uma roda de samba/Não vou te esquecer". Ali, no Santa Maria, todo conteúdo é desenvolvido a partir da leitura e da interpretação de textos. "Cada professor, com a sua disciplina, trabalha com interpretação de textos. Assim, o aluno desenvolve habilidades de comparar, de justificar, de ordenar e de estabelecer relações", explica Elias Esaú, diretor de EJA.

A escola atende aproximadamente 700 alunos em regime semigratuito. Para quem frequenta as turmas que equivalem ao primeiro ciclo do ensino fundamental, não há custo. No segundo ciclo, há custo - segundo Esaú, a escola oferece bolsas para quem não tem condições financeiras e acaba pagando por 95% das mensalidades dos alunos dessa etapa.

O curso no Santa Maria é semestral (cada semestre equivale a um ano letivo regular), abrange o ensino fundamental e o ensino médio e coloca a frequência como obrigatória. Atualmente, a maior parte dos alunos é do sexo feminino. Quando a escola criou o curso, em 1978, o total de homens era bem maior que o de mulheres. Isso porque havia um grande parque industrial na região, com fábricas que exigiam a escolarização de seus funcionários. Hoje, o bairro é predominantemente residencial. Assim, muitas alunas são manicures, diaristas e vendedoras.

Um dos grandes problemas identificados por Esaú em suas turmas de EJA é a defasagem entre o que o aluno diz ter aprendido e o que ele realmente aprendeu. Um adulto que estudou até o 1º ano do ensino médio nem sempre sabe ler e escrever. Nesses casos, a escola oferece reforço para aqueles que chegam sem condições de acompanhar as aulas.
"O problema é: como você explica para um adulto que fez escola pública que ele não aprendeu nada?", questiona. Outra dificuldade é a diferença entre as tarefas executadas pelos estudantes no trabalho e na escola. O trabalho intelectual exigido na sala de aula quase sempre não é encontrado no cotidiano do aluno. "Foi o caso de dois irmãos pedreiros que trabalhavam o dia inteiro com picareta e, quando chegavam aqui, tinham de pegar um lápis. Eles não conseguiam nem fazer o movimento com o lápis", relata.

Em 1981, Esaú e sua equipe fizeram um levantamento sobre o número de alunos que chegavam atrasados. Como todos trabalhavam e moravam perto da escola, apenas 6 em 300 não cumpriam o horário. Hoje, os números são outros: 50 alunos de 700 não chegam ao colégio na hora marcada. As justificativas mais comuns são o trânsito, horas extras de trabalho e problemas com a família. Esses relatos também aparecem quando o assunto é desistência do curso. Segundo o diretor, o maior gargalo está na 5ª série, etapa em que 40% dos alunos deixam as aulas. "Se ele não chega no horário, já começa um processo de perda de motivação. Há toda dificuldade de vencer o cansaço para chegar à escola. E a própria dificuldade de acompanhar as aulas", aponta.

Flexibilização
Para driblar todos os percalços que encontra em sala de aula, a professora Acássia Gentile, que leciona física para as turmas de EJA, investe em soluções mais "visuais". Ela cita um exemplo. Para explicar o conceito de velocidade, foi até o jardim da escola e coletou um tatuzinho de jardim. Colocou o animal em cima de uma cartolina, marcou distâncias e fez com que os alunos observassem seu trajeto. "Esse é o eixo do trabalho. É sair do abstrato, ir para o cotidiano dele e levantar a autoestima. Tem de tudo um pouco, inclusive amor", explica.

Para Maria Clara Di Pierro, da Feusp, se a criança pode ser mantida na escola pela obrigatoriedade, o adulto só permanece dentro dela se há o vínculo afetivo com o professor, a flexibilidade da escola em se ajustar às suas necessidades de aprendizagem e a construção da autonomia. Nesse sentido, ela sugere que as diretrizes do Conselho Estadual de Educação para o segundo ciclo do ensino fundamental e para o ensino médio sejam revistas, para que deixem de engessar o modelo pedagógico. Ela se refere às exigências de duração do curso para ambas as etapas (24 meses no primeiro caso e 18 meses no segundo), além da carga horária mínima (1.600 horas e 1.200 horas, respectivamente). "Entendo que há uma preocupação histórica de que a EJA não seja vista como facilitadora na aprovação. Mas, com essas diretrizes, há poucas alternativas para organizar o currículo. As turmas de EJA precisam de diversidade de ofertas que se encaixem em cada perfil de aluno", diz.

Queda nas matrículas
Entre 1995 e 2009, houve uma queda de 85% no total de matrículas da rede particular em EJA. É o que indica um levantamento produzido pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. Se, em 1995, as particulares concentravam 27,4% das matrículas, hoje elas representam pouco mais de 1%. Em nota explicativa, a secretaria aponta como justificativa para a queda a expansão das redes públicas no mesmo período, a abertura de um novo foco de interesse (não há explicação sobre qual seria) e a criação dos cursos a distância.

Encceja: nova edição
No ano passado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) cancelou a aplicação do Encceja, exame que certifica o ensino fundamental de jovens e adultos em âmbito nacional. Recentemente, o órgão anunciou a edição 2010 do exame, prevista para o dia 12 de outubro. Só em São Paulo, quase 100 mil pessoas se inscreveram para a prova em 2009. Além disso, mais de 950 municípios teriam aplicado o exame, que também teria envolvido 12 estados: Amazonas, Maranhão, Minas Gerais Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins e mais o Distrito Federal.
retirado do site:http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12997

Novos campi de Barretos e Araraquara abrirão 600 vagas no próximo ano

Portal do MEC
Barretos e Araraquara (SP) – Com cinco cursos em funcionamento e 320 alunos nas salas de aula desde agosto, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo recebeu oficialmente nesta quinta-feira, 28, dois campi nas cidades de Barretos e Araraquara.

As obras foram entregues pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, ao reitor do instituto, Arnaldo Augusto Borges. Para construir a infraestrutura física dos campi nesses municípios, viabilizar a contratação de professores e servidores administrativos, além de equipá-los, o Ministério da Educação investiu R$ 10,5 milhões.

Haddad observou que, com a interiorização da educação profissional e tecnológica em todas as unidades da Federação, os institutos, que já desempenham o papel de interlocução com os arranjos produtivos locais, devem ampliar essa função. A interlocução constante, explicou, vai orientar a formação da mão de obra para os setores produtivos, qualificar jovens e trabalhadores adultos e, como consequência, aumentar as oportunidades de emprego, renda e riquezas.

O Campus de Barretos tem 5,3 mil metros quadrados de área construída e abriu os cursos técnicos em agronegócios, eventos e manutenção e suporte de informática; o de Araraquara tem 3,8 mil metros quadrados e começou as aulas com os cursos técnicos mecânica e informática. No primeiro semestre de 2011, cada campus abrirá 300 vagas.

Com a entrega dos dois campi, o Instituto Federal de São Paulo tem 21 unidades em funcionamento e outras seis em obras nas cidades de Avaré, Campinas, Hortolândia, Presidente Epitácio, Registro e Votuporanga.

Outras ações – Em Araraquara, o ministro Fernando Haddad visitou a Escola Municipal de Ensino Fundamental Gilda Rocha Melo e Souza, que é parceira do programa Escola Técnica Aberta do Brasil (E-Tec) desenvolvido pelas secretarias de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e de Educação a Distância (Seed) do MEC. Atualmente estudam na Escola Gilda Rocha 200 jovens e adultos em cursos técnicos de nível médio da E-Tec Brasil.

Em maio deste ano, a escola abriu 70 vagas em cursos para o segundo semestre e recebeu mais de 500 inscrições. Para o ministro, a procura demonstra o valor que a comunidade de Araraquara atribui a essa oportunidade de qualificação.

Em Barretos, Haddad destacou a abrangência das ações do governo federal em andamento no município: a cidade tem um polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) atendido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que oferece licenciaturas e graduação em outras áreas; e o ministério analisa dois projetos de construção de creches pelo programa Proinfância encaminhados pela prefeitura local.

Rodrigo Dindo
Palavras-chave: Educação profissional, Institutos federais

A Importância da Administração de Cargos e Salários

A Administração de Cargos e salários é um dos pontos mais importantes para que se possa fazer gestão de recursos humanos é preciso elaborar ...