quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pesquisa revela que 87% da comunidade escolar tem preconceito contra homossexuais

Da Agência Brasil
Nas escolas públicas brasileiras, 87% da comunidade - sejam alunos, pais, professores ou servidores - tem algum grau de preconceito contra homossexuais. O dado faz parte de pesquisa divulgada recentemente pela FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) e revela um problema que estudantes e educadores homossexuais, bissexuais e travestis enfrentam diariamente nas escolas: a homofobia.
O levantamento foi realizado com base em entrevistas feitas com 18,5 mil alunos, pais, professores, diretores e funcionários, de 501 unidades de ensino de todo o país.
"A violência dura, relacionada a armas, gangues e brigas, é visível. Já o preconceito a escola tem muita dificuldade de perceber porque não existe diálogo. Isso é empurrado para debaixo do tapete, o que impera é a lei é a do silêncio", destaca a socióloga e especialista em educação e violência, Miriam Abromovay.

Um estudo coordenado por ela e divulgado este ano indica que nas escolas públicas do Distrito Federal 44% dos estudantes do sexo masculino afirmaram não gostariam de estudar com homossexuais. Entre as meninas, o índice é de 14%. A socióloga acredita que o problema não ocorre apenas no DF, mas se repete em todo o país.

"Isso significa que existe uma forma única de se enxergar a sexualidade e ela é heterossexual. Um outro tipo de comportamento não é admitido na sociedade e consequentemente não é aceito no ambiente escolar. Mas a escola deveria ser um lugar de diversidade, ela teria que combater em vez de aceitar e reproduzir", defende.

A coordenadora-geral de Direitos Humanos do MEC (Ministério da Educação), Rosiléa Wille, também avalia que a escola não sabe lidar com as diferenças. "Você tem que estar dentro de um padrão de normalidade e, quando o aluno foge disso, não é bem compreendido naquele espaço."

Desde 2005 o MEC vem implementando várias ações contra esse tipo de preconceito, dentro do programa Brasil sem Homofobia. As principais estratégias são produzir material didático específico e formar professores para trabalhar com a temática.

"Muitos profissionais de educação ainda acham que a homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada e encaminham o aluno para um psicólogo. Por isso nós temos pressionado os governos nas esferas federal, estadual e municipal para que criem ações de combate ao preconceito", explica o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis.

As piadas preconceituosas, os cochichos nos corredores, as exclusões em atividades escolares e até mesmo as agressões físicas contra alunos homossexuais têm impacto direto na autoestima e no rendimento escolar desses jovens. Em casos extremos, os estudantes preferem interromper os estudos.

"Esse aluno desenvolve um ódio pela escola. Para quem sofre violência, independentemente do tipo, aquele espaço vira um inferno. Imagina ir todo dia a um lugar onde você vai ser violentado, xingado. Quem é violentado não aprende", alerta o educador Beto de Jesus, representante na América Latina da ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo).

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil acreditam que, para combater a homofobia, a escola precisa encarar o desafio em parceria com o Poder Público. "A escola precisa sair da lei do silêncio. Todos os municípios e estados precisam destampar a panela de pressão, fazer um diagnóstico para poder elaborar suas políticas públicas", recomenda Miriam Abromovay.

Para Rosiléa Wille, o enfrentamento do preconceito não depende apenas da escola, mas deve ser um esforço de toda a sociedade. "A gente está tendo a coragem de se olhar e ver onde estão as nossas fragilidades, perceber que a forma como se tem agido na escola reforça a rejeição ao outro. Temos uma responsabilidade e um compromisso porque estamos formando nossas crianças e adolescentes. Mas o Legislativo, o Judiciário, a mídia, todas as instâncias da sociedade deveriam se olhar também."retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/07/24/ult105u8411.jhtm

Escolas ainda fracassam com os alunos homossexuais

LIGIA SOTRATTI
da Folha Ribeirão

"Dava para perceber que eu era diferente e sofri muito preconceito, de professores e colegas, até que abandonei a escola na metade do ano letivo", diz Vinicius Cosmo, 18. Aos 14 anos, cursando a 8ª série do ensino fundamental em uma escola particular de Ribeirão, ele trocou de colégio devido à discriminação e às brincadeiras que ouvia por ser homossexual.

Casos como esses são recorrentes em salas de aula. De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, os educadores ainda tropeçam muito quanto o assunto é sexualidade.

"Tradicionalmente, a maioria das escolas ainda trata a sexualidade como uma questão biológica por dois vieses: o da gravidez e o das doenças sexualmente transmissíveis. O que é uma tentativa de impressionar e conter os jovens", disse a docente do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação da Unicamp, Ângela Soligo.

Para ela, ao se limitar ao lado biológico, as escolas dão as costas às preocupações dos adolescentes, que vivem uma fase de descobertas.

"O lado afetivo, as angústias, medos, as fantasias, são aspectos muito importantes. Hoje a sociedade escancara o sexo em mídias, internet, mas não sabe conversar sobre o assunto. O jovem não tem a quem procurar para levar suas dúvidas."

Cosmo diz que não ter o respaldo da escola foi um agravante. "Eu precisava aceitar a minha condição, sem medo. Mas a discriminação me levou a esconder meu modo de ser e tive um bloqueio. Adoeci e precisei de tratamento médico."

Segundo o rapaz, até mesmo os professores faziam piadas sobre o jeito dele e a escola tinha uma conduta religiosa que impedia conversas abertas sobre sexualidade --a homossexualidade era vista como um desvio de comportamento.

"Por mais que ele [professor] tenha uma convicção religiosa, tenha sua fé, aquilo que você pensa no privado não pode interferir na sua vida pública. E o educador tem que ter essa responsabilidade, até porque nosso Estado é laico e todos devem ser respeitados", disse Leila Araújo, coordenadora executiva do Clam (Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos).

Richard Miskolci, sociólogo da UFSCar e pesquisador da área, diz que os professores devem ter muito cuidado ao tratar as diferenças. "É importante não dizer que um é homossexual, o outro não. São pessoas em formação que, se em um momento têm interesse pelo sexo oposto, podem ter depois pelo mesmo sexo. São adolescentes e é preciso conviver com a heterogeneidade da sala sem defini-la."
retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u716038.shtml

Livros de ensino religioso em escolas públicas estimulam homofobia e intolerância, diz estudo

Da Redação*
Em São Paulo
Atualizado às 15h02

Uma pesquisa da UnB (Universidade de Brasília) concluiu que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Produzido com base na análise dos 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país, o estudo foi apresentado no livro “Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil”, lançado na última terça-feira (22) em Brasília.

“O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, afirma a antropóloga e professora do departamento de serviço social, Débora Diniz, uma das autoras do trabalho.

A pesquisa analisou os títulos de algumas das maiores editoras do país. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso -limitada a uma referência anônima e sem biografia-, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo. João Calvino nem mesmo é citado.

* Errata: João Calvino

O estudo aponta que a discriminação também faz parte da tarefa. Principalmente contra homossexuais. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para se referir aos homens e mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”.
Nazismo

A pesquisadora afirma que o estímulo ao preconceito chega ao ponto de associar uma pessoa sem religião ao nazismo – ideologia alemã que tinha como preceitos o racismo e o anti-semitismo, na primeira metade do século 20. “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa Débora. “Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa a especialista, uma das três autoras da pesquisa.

Os números contrastam com a previsão da Lei de Diretrizes e Base da Educação de garantir a justiça religiosa e a liberdade de crença. A lei 9475, em vigor desde 1997, regulamenta o ensino de religião nas escolas brasileiras. “Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasileiras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta a especialista.

*com informações da Agência UnB

retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/06/23/livros-de-ensino-religioso-no-brasil-estimulam-homofobia-e-intolerancia-diz-estudo-da-unb.jhtm

Encontro no Sul discute a criação de escolas binacionais

Portal do MEC
Quarta-feira, 23 de junho de 2010 - 11:19
O Ministério da Educação promove nesta quarta-feira, 23, e na quinta, 24, em Porto Alegre, o 1º Encontro das Escolas de Educação Profissional de Fronteira. Os participantes vão discutir a possibilidade de implantação de escolas binacionais a partir de um instituto federal de educação, ciência e tecnologia.

Dez estados e oito países do continente têm potencial para receber cursos técnicos, material bilíngue e aulas de idioma. O encontro, que será aberto às 14h, no campus de Porto Alegre do instituto federal do Rio Grande do Sul, reunirá representantes do MEC, dos institutos, da Agência Brasileira de Cooperação e de países que fazem fronteira com o Brasil.

No segundo semestre, terá início o projeto-piloto das escolas de fronteira, em Santana do Livramento (RS) e Rivera, Uruguai. No lado brasileiro, haverá duas turmas de 40 alunos do curso técnico em informática para internet. Do lado uruguaio, será oferecido o curso técnico em controle ambiental, sob a coordenação da Universidade do Trabalho do Uruguai (UTU), com 30 estudantes, inicialmente.

Em Santana do Livramento, o processo será coordenado pelo instituto federal Sul-Rio-Grandense. “Os cursos sempre levarão em conta os arranjos produtivos locais. As escolas, além de levar desenvolvimento às regiões de fronteira, vão aprofundar a integração entre as nações”, afirmou Eliezer Pacheco, secretário de educação profissional do MEC.

Assessoria de Imprensa da Setec
Palavras-chave: educação profissional, fronteira

terça-feira, 22 de junho de 2010

Todos os professores do Iuperj se demitem

Os 20 professores do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), instituição de pós-graduação ligada à Universidade Candido Mendes, pedem demissão na manhã desta terça-feira.

À tarde, em ato solene com a presença do governador Sérgio Cabral, o grupo será incorporado à Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Contratados como professores visitantes, eles formarão um novo núcleo de pós-graduação.

A decisão de romper com a Candido Mendes foi tomada por causa de atrasos nos salários. Há seis meses os professores não recebem. A dívida, de acordo com os docentes, inclui o pagamento de garantias trabalhistas, como FGTS e férias.

O Iuperj foi criado em 1964 como instituto de pesquisas. Em 1969, transformou-se em centro de pós-graduação e pesquisa em ciências sociais.

Ele formou 471 mestres e 281 doutores.Tirou conceito máximo (5) na última avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), sobre o período 2004-2007.

Já fizeram parte de seu quadro nomes como Bolivar Lamounier, José Murilo de Carvalho, Sergio Abranches, Simon Schwartzman e Wanderley Guilherme dos Santos.

No grupo que segue para a Uerj estão, entre outros, Fabiano Guilherme Santos, Jairo Nicolau, Luiz Werneck Vianna, Renato Lessa e Ricardo Benzaquem de Araújo.

Na Justiça

Para deixar a Candido Mendes, o grupo vai entrar na Justiça com um pedido de rescisão indireta do contrato de trabalho, previsto na CLT. O dispositivo pode ser usado quando o empregador deixar de cumprir as obrigações previstas no contrato.
O grupo teve o apoio dos cerca de 200 alunos da instituição. Em uma carta, os estudantes afirmam que seguirão os professores na Uerj.

Nas negociações com o governador e com o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, foi estabelecido que os membros do grupo seriam recebidos sem vínculo empregatício, recebendo bolsas.

O salário médio dos professores do Iuperj é de R$ 8.000 brutos. As bolsas são de R$ 6.700. Ainda assim, os professores consideraram a troca vantajosa. "Melhor ganhar menos, mas receber, do que ter um salário mais alto que nunca é pago", disse um deles.

A Folha apurou que há resistência dos professores da Uerj à absorção do grupo. Queixam-se de que eles trabalhariam apenas na pós-graduação, sem dar aulas na graduação. "Eles não terão turmas, mas farão seminários para os alunos", explica o reitor.

Na universidade, teme-se também que, depois do fim das bolsas, o grupo seja incorporado "pela janela", sem concurso público. "A contratação será por concurso", diz Vieiralves.

OUTRO LADO

Candido Mendes, reitor da Universidade Candido Mendes, disse ontem "desconhecer completamente" a informação de que professores do Iuperj deixarão o instituto.

Segundo ele, o Iuperj está em reformulação e parte dos salários atrasados, relativa a fevereiro, foi paga ontem.

A reestruturação do instituto passa por sua transformação em uma organização social. Essa qualificação é concedida pelo governo a entidades privadas sem fins lucrativos que exerçam atividades de interesse público e permite que ela receba recursos orçamentários.

"[Isso] está em total contradição com o que está sendo feito com o governo federal através da Finep e do Ministério da Ciência e Tecnologia. A respeito dessa reestruturação já estive até com o presidente da República."

Segundo o reitor, o comunicado sobre a reformulação do Iuperj deve ser divulgado na sexta.

Colaborou DENISE MENCHEN
retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/saber/755084-todos-os-professores-do-iuperj-se-demitem.shtml

Fórum vai discutir propostas para o ensino superior na internet

O ambiente de debate é aberto a participação de todos


Um fórum on line sobre assuntos pertinentes ao ensino superior privado promete movimentar a discussão sobre as ações que corroboram para a melhoria da educação no país. A ideia é produzir um plano de trabalho para ser aplicado pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular. De acordo com o presidente da ABMES e secretário executivo do Fórum de Entidades Representativas do Ensino, Gabriel Mario Rodrigues, autor da iniciativa, é um fórum de discussão virtual, mas alguns participantes já demonstraram interesse de realizar um encontro presencial.

Para participar do grupo, basta enviar um email para fórum-academico@googlegroups.com. Qualquer pessoa pode obter informações sobre o que está sendo discutido, porém só os participantes podem opiniar. O atual tema em debate é a Carta de Florianópolis, aprovada no 3º Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular.
retirado do site:http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12590

Processo dos excluídos

Alemanha, Rússia e Portugal reclamam que os alunos têm saído malpreparados da universidade, o que seria resultado dos anos a menos em sala de aula e da falta de maturidade

Lúcia Müzell
Nem todo mundo está feliz na festa de comemoração dos dez anos do Processo de Bolonha, que unificou os sistemas de ensino superior na Europa. Neste que era para ser o ano de conclusão das modificações nacionais necessárias para integrar a rede universitária formada por 46 países, alguns membros signatários estão descontentes com as diferenças verificadas entre o ensino antes e após o acordo, especialmente nos casos em que a qualidade do ensino caiu.

Portugal, Alemanha e Rússia são os países que mais encontram dificuldades para se adaptar ao processo, fruto da onda de barreiras internas que a Europa começou a quebrar desde a queda do muro de Berlim. Em Portugal, entidades profissionais estão até mesmo exigindo que os alunos formados pelo novo modelo realizem cursos ou provas adicionais antes de validarem os seus diplomas.

Para entender o imbróglio é necessário voltar ao início do processo. A partir do acordo assinado inicialmente por 29 nações em 1999, os países deveriam se comprometer a cumprir cinco pontos principais até o final de 2010 (veja box). O problema é que, enquanto alguns países já possuíam um sistema parecido com o novo padrão - e, portanto, não tinham adaptações drásticas a promover -, outros foram obrigados a mudar de tal forma o sistema existente que até hoje se encontram perdidos neste novo universo.

Na Alemanha, na Rússia e em Portugal, casos emblemáticos dessa dificuldade de adaptação, o número de anos de escolaridade para o bacharelado ou a licenciatura recebeu um corte de até dois anos, principal causa da insatisfação em relação ao ensino pós-Bolonha. A alegação de sindicatos e entidades profissionais é de que os alunos não têm saído bem preparados da universidade, o que seria resultado dos anos a menos que passam na sala de aula.

"É normal os países se adaptarem com velocidades diferentes, mas de maneira alguma Bolonha pode ser a causa para qualquer queda de qualidade do ensino superior, muito pelo contrário", alega Stéphan Vincent-Lancrin, expert em educação superior da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris.
O especialista aposta na capacidade das universidades europeias de intensificarem os esforços para conseguir promover em três anos os estudos de licenciatura que antes eram realizados em até cinco anos. "O que esses países em dificuldade precisam entender ou, mais especificamente, o que o mercado de trabalho desses países está tardando a compreender, é que Bolonha quis reforçar a academia, enquanto o mercado de trabalho deve fazer a sua parte após a formação intelectual dos estudantes."

Vincent-Lancrin argumenta que a entrada precoce dos estudantes no mercado de trabalho é também uma das causas da insatisfação encontrada em alguns países. Ele é contrário aos alunos trabalharem durante o período universitário - época em que os jovens deveriam estar 100% concentrados nos estudos para que Bolonha seja de fato eficaz, analisa o especialista. Estágios de curta duração, nos quais o estudante realiza atividades totalmente ligadas ao curso em que está matriculado, são, por outro lado, bem-vindos. "Não se pode deixar de lado o fato de que os alunos estão terminando a licenciatura mais jovens e, por isso, mais imaturos. Mas isso não é consequência de um ensino melhor ou pior, mais curto ou mais longo. Trata-se apenas de menos experiência de vida, algo que com o tempo vai sendo resolvido."

Mas o fato é que o pavor da entrada no mercado logo após o final dos estudos e com pouca experiência no mundo real chega a levar jovens a retardar o início dos estudos superiores. Com medo dos efeitos da sua falta de experiência, a estudante alemã Celia Naegele, 23 anos, decidiu passar um ano estudando francês em Paris antes de iniciar o curso de nutrição na Universidade de Stuttgart, no sul da Alemanha. Agora, às vésperas da formatura, a jovem, como boa parte de suas colegas, decidiu só se desvincular da universidade após o final do mestrado ­- que, com dois anos de duração, encerra um percurso de cinco anos de ensino superior, semelhante ao tempo que os alunos de antes de Bolonha levavam para concluir apenas a licenciatura ou bacharelado.

"Meus irmãos mais velhos, que se formaram cinco ou seis anos atrás, saíram da universidade direto para o emprego. Agora, tenho visto amigas da faculdade terem de fazer cursos suplementares para compensar a falta que os anos a mais de estudos está fazendo", reclama a estudante.

Na Alemanha, os estudantes tinham um dos percursos universitários mais longos da Europa, consequência de um método no qual o aluno tem mais tempo livre para se dedicar às atividades extraclasse. Agora, com a redução do período, os jovens se sentem sobrecarregados e pressionados a atingir antecipadamente uma maturidade profissional a que ainda não se sentem capazes. "Entendo a vontade de querer unificar o ensino em toda a Europa e acho isso muito bacana. Mas não poderíamos ser penalizados de forma alguma por termos entrado na universidade somente agora."

Outra particularidade do antigo sistema alemão é que o reconhecimento das disciplinas, que já era difícil entre as próprias instituições do país, se tornou ainda mais complexo em relação às estrangeiras.
Na Alemanha, como na maioria dos Estados europeus, o Processo de Bolonha foi aprovado há dez anos sob duras críticas das entidades estudantis, cada uma encontrando desvantagens das mais diferenciadas em um programa que pretendia unir o mais uniformemente possível sistemas universitários tão diferenciados, de países com realidades e economias não menos conflitantes. Jovens franceses, espanhóis ou poloneses foram às ruas protestar contra o procedimento. Porém, com o passar dos anos, as vozes dos universitários foram se calando. Os pontos positivos da iniciativa, inegáveis, acabaram se mostrando mais fortes.

No entanto, no aniversário de Bolonha, jovens alemães e portugueses voltaram às ruas para protestar contra o que consideram uma simplificação exagerada do sistema universitário de seus países - não sem razão. Por conta das mudanças causadas pelo processo, os estudantes portugueses que decidiram fazer um mestrado alguns anos após o final da graduação podem se encontrar diante de uma situação de curioso déjà-vu: como cursaram cinco anos de bacharelado ou licenciatura no antigo sistema, agora os atuais mestrados parecem reprises dos dois últimos anos da antiga graduação.

Não à toa, nestes países a adaptação está mais longa. Enquanto o ensino superior francês já está 100% modificado desde 2006, o português ainda tinha 12% dos seus 2.837 cursos superiores pendentes de adequação.

"Os universitários de hoje estão tendo em cinco anos o que antes se levava sete para conseguir. Não é justo", reclama Luís Rodrigues, diretor do Centro Acadêmico da Universidade do Minho. "O que é mais estranho em tudo isso é que temos reclamações de todos os lados, de estudantes pré e pós-Bolonha. Os mais antigos estão tendo de trabalhar mais anos para obter os mesmos títulos, e os mais novos se queixam de que o mercado de trabalho os considera inexperientes demais se param os estudos logo após a graduação."

A estudante Nadine Kuhner, da Universidade de Munique, é direta: as mudanças só trouxeram desvantagens para os alunos alemães. "Em três anos, não temos tempo de fazer análises profundas e muito menos ter alguma experiência prática", diz a jovem, que está no segundo ano do curso de biologia. "O programa de estudos se tornou muito concentrado e, como as vagas no máster são limitadas, os estudantes chegam ao final do curso com uma carga suplementar de pressão, porque ninguém quer se contentar com os três anos da licenciatura."

Uma pesquisa encomendada pelo jornal Diário Econômico é reveladora do problema e aponta que a maioria das empresas portuguesas rejeita os cursos de três anos e prefere contratar licenciados pré-Bolonha ou diplomados com mestrado. A justificativa é que os alunos estão saindo da faculdade imaturos demais. "Não chego a dizer que Bolonha piorou o ensino em Portugal, mas acho que as universidades devem incentivar mais os alunos a fazerem estágios no mercado durante a formação", defende Ana Medeiros, diretora de recursos humanos do Grupo Martifer, gigante da construção no país.

Na mesma pesquisa, realizada para o periódico português, gestores de empresas apontaram que em conhecimentos técnicos os estudantes são de alto nível, mas que deixam a desejar em competências comportamentais e de liderança.

A suposta injustiça fez brotar diversas petições virtuais em protesto contra as modificações. A maior delas, promovida por jovens engenheiros - a carreira mais respeitada e procurada em Portugal - já teria 100 mil assinaturas, que representam um contraponto apenas simbólico a Bolonha. A petição alega que "um licenciado pré-Bolonha com uma pós-graduação está um nível abaixo de um mestre de Bolonha", e que "esta opção discrimina e desvaloriza claramente todos os licenciados e mestres que se formaram antes da aplicação do Processo de Bolonha". Os manifestantes pedem equivalência entre a formação realizada pelos engenheiros antes e depois de Bolonha, especialmente nos concursos públicos, em que o grau de formação é fundamental para a obtenção dos melhores postos.

Apesar das discórdias, é preciso reconhecer que o Processo de Bolonha é adotado de bom grado pelo meio acadêmico português. O país vê na integração com o restante da Europa e a equivalência das disciplinas a sua maior chance para tentar entrar no mercado internacional do ensino superior.

"A eficiência do curso é também resultado do esforço pessoal dos alunos", afirma Clara Sampaio, estudante de economia na Universidade Nova de Lisboa. "Não é possível que somente Portugal e alguns outros países estejam errados e todo o resto da Europa, certo."

Por que as aulas diminuíram

A partir do acordo assinado em 1999, inicialmente por 29 nações, os países deveriam se comprometer a cumprir cinco pontos principais até o final de 2010: adotar um sistema facilmente compreensível e comparável aos demais para possibilitar o reconhecimento internacional dos cursos ou das disciplinas já realizadas pelo aluno; organizar a formação de um primeiro ciclo universitário direcionado para o mercado de trabalho, com duração de pelo menos três anos, e um segundo ciclo de especialização para o qual o encerramento do primeiro é fundamental; validar as formações por meio de um sistema de acúmulo de créditos, que podem ser transferidos de um estabelecimento para o outro, a fim de viabilizar os intercâmbios Erasmus; estimular a mobilidade de estudantes e professores entre as diferentes instituições dos países signatários do acordo; e enfim promover a qualidade de ensino para que se chegue a um "padrão europeu" de ensino superior, pronto para fazer face às poderosas universidades americanas e atrair a cada ano mais estudantes estrangeiros.

Bolonha estipulou que o ensino superior nos países signatários passaria a ser definido em três ciclos: licenciatura com três anos de duração, mestrado de dois anos, e doutorado em três anos, prorrogáveis por mais um.

O sistema de créditos estipula as horas que o estudante tem de trabalhar para adquirir as competências. Estas horas incluem tempo de aulas, estágios, realização de trabalhos e testes. Ficou definido que um ano letivo de estudo em tempo integral corresponde a 60 créditos. No caso dos antigos bacharelados, por exemplo, os cursos correspondem a 180 créditos, o que equivale quase automaticamente à atual licenciatura.

Rejeição aos formados

Para compensar o que seria um despreparo dos estudantes formados pelo modelo de Bolonha, a Ordem dos Economistas de Portugal condicionou a inscrição no órgão ao complemento dos estudos com um curso suplementar de 60 créditos, equivalentes a uma pós-graduação ou ao primeiro ano do mestrado. Além disso, a entidade também está exigindo que os recém-formados tenham realizado um ano de estágio em empresas para receberem a carteirinha de economistas ou gestores. Os formados no sistema anterior a Bolonha estão dispensados da nova regra, num exemplo claro que nem todos os setores aprovaram as mudanças promovidas pelo processo de integração universitária europeia.

"A simples licenciatura pós-Bolonha é insuficiente num mercado de profissionais altamente competitivo", resumiu o presidente da Ordem dos Economistas, Francisco Murteira Nabo, ao jornal Diário Econômico.

A Ordem dos Advogados tentou implantar medida semelhante, ao querer exigir que os graduados passem por uma prova antes de ingressarem no curso que possibilita a obtenção da carteira de adesão. No entanto, duas alunas já conseguiram na Justiça portuguesa o direito de não realizarem o exame extra, que, ao contrário do Brasil, não é previsto em Portugal.
retirado do site:http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12614

Quanto vale o tempo

Com a incorporação dos recursos tecnológicos, a atividade docente enfrenta o debate sobre como mensurar o período gasto nas atividades extraclasse e dúvidas quanto ao novo perfil desses profissionais
Atualizar blogs, disponibilizar conteúdo na internet e responder e-mails são tarefas que passaram a fazer parte da rotina do professor. O tempo que antes era dedicado à preparação das aulas e correção de provas teve de ser dividido com a demanda dos mecanismos digitais como fóruns, plataformas on-line e redes sociais (Twitter, Facebook, Orkut e blogs). No entanto, as mudanças impulsionadas pelos avanços tecnológicos esbarram em uma questão que contrapõe o interesse de docentes e instituições de ensino: a remuneração.

O problema central nesse contexto é mensurar o tempo gasto com as novas ferramentas. "A tecnologia faz parte do cotidiano das aulas. O novo cenário exige alterações na contratação dos docentes", defende Fábio Reis, diretor de operações do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal).

Por outro lado, quaisquer mudanças na rotina de trabalho, de qualquer profissional, geram resistência. A coordenadora de pesquisas da divisão de tecnologia educacional da Positivo Informática, Betina von Staa, lembra que esse período de introdução das tecnologias no ensino superior, iniciado há alguns anos, foi marcado pela reação aos novos métodos. "As pessoas levam um determinado tempo para aprender a lidar com o novo. Nessa época aparentava que o trabalho tinha triplicado", diz.

Hoje, essa impressão começa a se dissipar, mas especialistas alertam que a fase ainda é de transição. "Alguns professores entendem a necessidade do aluno. Outros ainda estão se preparando ou usam os recursos de forma errada", reflete Erwin Alexander Uhlmann, professor do curso de ciência da computação da Universidade Guarulhos (UnG).
Em meio à adaptação de ambas as partes, tanto das instituições quanto dos docentes, a discussão sobre as novas características do trabalho docente, e de como incorporá-las preservando as relações trabalhistas, ganha força.

Para Fábio Reis, o modelo de remuneração por hora-aula, por exemplo, não deve sobreviver. "É preciso apostar em novas alternativas, como num novo contrato por um conjunto de tarefas", exemplifica. E complementa. "Esse modelo pede um novo perfil das instituições. Se ficará difícil controlar o tempo de trabalho, por que não verificar os resultados alcançados em determinado período? Esse é o grande desafio", acredita.

No caso da educação básica, a convenção coletiva da categoria, assinada em maio deste ano, prevê o início das discussões sobre o pagamento do tempo dedicado ao trabalho tecnológico. Os debates devem ocorrer no âmbito intersindical e a expectativa é de que a regulamentação entre em vigor a partir de 2011. "A questão é importante e deve ser colocada em pauta entre os profissionais da área. Reuniões são válidas e ajudam a traçar um novo perfil da educação superior", opina Reis.

Outra dificuldade atual é a adaptação à legislação que permite que 30% das aulas presenciais sejam ministradas a distância. O assunto divide opiniões. "Ficará cada vez mais complicado contabilizar a quantidade de trabalho do docente, já que ele terá de atualizar conteúdos on-line e responder dúvidas com maior frequência. Daí a importância de incluir as atividades tecnológicas no pacote de extras que ele recebe normalmente para a preparação de aulas e correção de provas", defende Francisco Borges, diretor acadêmico da Veris Educacional.

Já Josiane Tonelotto, diretora de desenvolvimento pedagógico da Universidade Anhembi Morumbi, considera que as tarefas relacionadas à tecnologia são importantes para o cotidiano do aprendizado, mas devem ser realizadas dentro do período normal de trabalho sem remuneração extra. "Assim como a capacitação dos docentes, a atualização de blogs e o uso do conteúdo virtual têm de ser incluídos na rotina, com o professor recebendo normalmente pelas horas trabalhadas".

Uma forma de evitar desgastes desnecessários é deixar as regras claras no momento da contratação, sugere a coor­denadora de pesquisas da Positivo Informática, Betina von Staa. "Os gestores têm de deixar claro o que esperam dos docentes. Vale especificar o que precisa ser feito em sala de aula e o que deve ser realizado fora dela", ressalta.

No caso de sentir que a instituição de ensino faz exigências que não foram pré-estabelecidas, é fundamental conversar com os coordenadores para definir novos formatos de remuneração ou de atividades a serem desenvolvidas.

E, em meio a esse processo, a maior responsabilidade é das instituições, diz o diretor da Faap, Rubens Fernandes Junior. "Além de pensar numa forma de oferecer remuneração justa aos docentes de acordo com o trabalho desenvolvido, é necessário mostrar que há outras maneiras de ministrar as aulas", alerta.

Com apenas 21 anos, e membro de um programa para integrar docentes veteranos e recém-formados, a professora do curso de relações internacionais da Fundação Armando Álvares Pen­teado (Faap) Fernanda Magnotta vê de perto o conflito de gerações a respeito do uso da tecnologia, e acredita que o trabalho do professor não aumentou a partir do uso de novos recursos. "Ficou mais fácil trabalhar. O tempo é o mesmo que gastaríamos preparando uma aula e com a internet é possível conseguir resultados mais rápidos. Existe o ônus, mas também há um bônus", define.

Para Fernanda, com o uso da tecnologia a relação do educador com o aluno fica mais próxima, o que facilita o desenvolvimento das aulas. "Aquele que se comprometeu a ensinar tem de se fazer presente - e isso é possível com o uso da tecnologia. Se o professor não começar a falar a mesma linguagem, será esquecido. É preciso mostrar que não somos inatingíveis."

Na opinião de Jair Manoel Casquel Junior, coordenador do curso de administração da Faculdade Anhanguera Ribeirão Preto, existe uma opção que fará com que os docentes comecem a classificar a tecnologia de maneira positiva: enxergá-la como uma via de mão dupla. "As novas mídias valorizam o trabalho. São excelentes ferramentas, nas quais vale a pena investir algumas horas do dia. Elas darão visibilidade à carreira do docente", afirma.

Marcos Formiga, professor do curso de engenharia da Universidade de Brasília (UnB) e estudioso das tecnologias aplicadas à educação, é mais enfático. "A atitude dos professores está em plena mudança. Temos de evoluir de acordo com a tecnologia e saber passar esse conteúdo para a nova geração", ressalta. Para ele, os métodos convencionais não satisfazem as exigências atuais. "Não existe mais o termo aprender na exaustão. O aluno está cansado do rigor e do formalismo educacional", diz.
O grande desafio, segundo Nilbo Nogueira, mestre em educação pela Universidade de São Paulo (USP), é fazer com que o professor use os recursos tecnológicos em prol do ensino. "Não adianta apenas substituir a lousa por um arquivo de computador. É essencial planejar aulas mais interativas e que despertem o interesse dos alunos, pois eles são nativos digitais."

Do analógico ao digital

A profissão docente não é a primeira a passar por mudanças impulsionadas pela tecnologia. Basta analisar o histórico de outras carreiras para verificar que os novos recursos chegaram para modificar o dia a dia de muitos trabalhadores. Um exemplo é o jornalismo. Com o passar do tempo, os profissionais da comunicação abandonaram de vez as máquinas de escrever para dar início à era digital. Nesse contexto, tiveram de adaptar seus textos à linguagem da internet e reservar mais tempo para atualizar sites e redes sociais.

Outro exemplo de profissional que passou por uma fase brusca de transição foi o fotógrafo, que viu a máquina analógica sair de cena e dar lugar ao modelo digital. Saber lidar com programas de tratamento de imagem também foi fundamental para mantê-lo no mercado de trabalho. No entanto, quando o assunto é construção civil, os profissionais envolvidos - engenheiros, projetistas e arquitetos - precisaram se matricular em cursos que ensinam a lidar com ferramentas digitais para elaboração de projetos. Situação semelhante à dos advogados, que passaram a realizar consultas das leis pela internet e a disponibilizar processos on-line. Na área da saúde, os médicos tiveram de voltar à sala de aula para conhecer mecanismos digitais, novas tecnologias e pesquisas.

O caso da EAD

No caso da EAD, a discussão sobre o trabalho e o tempo docente se torna ainda mais premente. Para Marta de Campos Maia, professora da Fundação Getulio Vargas e conselheira da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), não há como negar que o trabalho do professor e do tutor cresceu nos últimos anos. "A sobrecarga é grande, pois o professor começou a lidar com esse sistema há pouco tempo. Mas, ele deve adaptar a metodologia e a forma de enxergar o ensino, se colocar no lugar do aluno e repensar o processo como um todo", afirma.

Por isso, na opinião dela, o docente deveria receber pelo trabalho realizado fora do expediente. "A carga de trabalho é maior, por isso o professor deveria receber uma remuneração mais justa", ressalta.

Além disso, os cursos a distância possuem grande quantidade de alunos, o que exige um tempo maior para o preparo das aulas, atualização do conteúdo e maior disponibilidade para solucionar dúvidas. "Os vínculos empregatícios devem ser discutidos. Não dá mais trabalhar por hora-aula", diz Jair Manoel Casquel Junior, coordenador do curso de administração da Faculdade Anhanguera Ribeirão Preto.

Uma alternativa para enfrentar o novo cenário é optar pela contratação por módulos. "Algumas instituições propõem o pagamento por um trabalho específico. Se o docente for bom, se mantém e conquista seu espaço", diz o coordenador.

No caso dos professores tutores a situação é ainda mais complexa. "É preciso prever uma remuneração específica para esse profissional, que precisa de um estímulo. A universidade deve estipular e acrescer uma porcentagem ao salário do tutor relacionada às atividades que ele realizou fora do horário de trabalho", opina Marta.
E também no caso da EAD, a capacitação é a solução. "É mais do que necessário investir em capacitação de tutores e professores. Eles têm de estar aptos a ensinar", ressalta Marta.
retirado do site:http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12608

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Férias escolares estendidas durante a Copa preocupam pais sul-africanos

Vinicius Konchinski
Enviado especial
Da Agência Brasil
Em Joanesburgo

As crianças estão por toda parte nos bairros da periferia de Joanesburgo, África do Sul. De férias desde o último dia 9, elas aproveitam para assistir aos jogos da Copa do Mundo, jogar futebol e brincar em grupos de amigos pelas ruas. Estão contentes com a folga.

Seus pais, porém, nem tanto. Estão preocupados com a decisão do governo sul-africano de estender as férias escolares justamente durante o Mundial. Diferentemente das já tradicionais três semanas e meia de descanso no mês de julho, neste ano, 12,3 milhões de estudantes terão cinco semanas de férias, programadas exatamente para o mesmo período da Copa.

As crianças comemoram a mudança. Já os pais, que estão mais preocupados com o desempenho escolar das crianças do que com o resultado das partidas de futebol, reclamam.

“As férias são muito longas”, diz Phumla Makolwane, mãe de um estudante de 10 anos. “Entendo que estamos em uma Copa do Mundo, mas a educação tem que vir em primeiro lugar.”

Makolwane mora em Katlehong, área pobre da região metropolitana de Joanesburgo. Lá, muitos dos seus vizinhos também não concordam com a ampliação das férias.

Carter Motloung é um deles. Ele tem cinco filhos, todos estudantes, todos de férias. Da esquina em que falou com a Agência Brasil, ele observa meninos correndo pela vizinhança e questiona: “Eles merecem ver a Copa, mas não têm dinheiro para ir ao estádio. Então por que dispensá-los das aulas, já que eles vão assistir aos jogos na televisão? Mais para frente, isso pode prejudicá-los.”

Em comunicado, o Departamento de Educação da África do Sul informa que a ampliação das férias resultou em somente sete dias extras de folga neste ano. Além disso, diz o comunicado, a mudança não alterará o número de dias de aula deste ano letivo.

O governo ainda recomenda que os pais de alunos incentivem os filhos a frequentar bibliotecas e manter um período diário de leitura durante as férias. Entretanto, a tarefa repassada aos jovens, aparentemente, não é tão fácil de ser cumprida.

“Estou me mantendo ocupado assistindo aos jogos da Copa, ou então jogando videogame”, respondeu o estudante Shile Khumalo, de 17 anos, quando perguntado sobre o que tem feito nas férias.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/06/21/ferias-escolares-estendidas-durante-a-copa-preocupam-pais-sul-africanos.jhtm

Estudantes têm prazo até o dia 9 de julho para fazer a inscrição

Portal do MEC
Segunda-feira, 21 de junho de 2010 - 10:13
Estão abertas a partir desta segunda-feira, 21, exclusivamente pela internet, as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010. O período se estenderá até 9 de julho. As provas estão marcadas para 6 e 7 de novembro. Além de informar os dados cadastrais, o participante do exame, ao se inscrever, responderá a um questionário socioeconômico, também pela internet.

Estarão isentos da taxa de inscrição, de R$ 35, os estudantes da última série do ensino médio, os que tiverem concluído o ensino médio em anos anteriores e os de escolas particulares que comprovem a impossibilidade de pagamento e assinem declaração de carência.

As provas terão a mesma estrutura do ano passado. Vão abranger as áreas de linguagens e códigos, ciências da natureza, matemática e ciências humanas. O exame terá quatro provas objetivas de múltipla escolha, com 45 questões cada uma, e redação. A novidade este ano serão as questões de língua estrangeira (inglês ou espanhol) na área de linguagens e códigos — o candidato deve fazer a opção no momento de se inscrever.

Em 6 de novembro, sábado, serão aplicadas as questões de ciências da natureza e ciências humanas, das 13h às 17h. No domingo, 7, das 13h às 18h30, será a vez de matemática, linguagens e códigos e redação.

Documento — Ao fazer a inscrição, na página eletrônica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o estudante terá de informar o número do próprio CPF, independentemente da idade — não poderá usar o do pai ou da mãe. O sistema de recebimento das inscrições coibirá eventuais irregularidades ao buscar automaticamente informações sobre o número indicado na base de dados da Receita Federal.

Quem tiver mais de 16 anos pode fazer o cadastro de pessoa física em agências do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal ou dos Correios. O responsável legal deve pedir o documento para os menores de 16 anos — não é possível tirar o CPF pela internet.

Assessoria de Imprensa do Inep

Palavras-chave: Enem, inscrição

Instituto do Acre oferecerá 380 vagas no segundo semestre

Portal do MEC
Segunda-feira, 21 de junho de 2010 - 10:20
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac) vai oferecer 380 vagas para formação profissional no segundo semestre deste ano. O estado, assim como Mato Grosso do Sul, Amapá e Distrito Federal, não contava com escola federal de educação profissional até o lançamento, em 2005, do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

Nesta segunda-feira, 21, o reitor do instituto, Elias Vieira de Oliveira, empossa os primeiros professores e técnicos administrativos da instituição aprovados por concurso público. Estão em construção os campi de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e Xapuri.

“O Ifac nasce integrado com a tradição desta terra. Os cursos que oferecemos são resultados do mapeamento do crescimento do estado”, enfatiza o pró-reitor de ensino, Degmar Anjos. Ele salienta que os cursos oferecidos foram definidos após estudo realizado pelo Instituto Dom Moacyr, órgão do governo estadual, e audiências públicas.

A partir de agosto, serão ofertados cursos subsequente e pós-médio e de educação de jovens e adultos em sintonia com os arranjos produtivos locais. Em Rio Branco, os estudantes poderão fazer os cursos de segurança do trabalho, cooperativismo e manutenção de informática; em Xapuri, de meio ambiente e agroecologia; em Sena Madureira, de agroecologia e cooperativismo e, em Cruzeiro do Sul, de agropecuária e controle ambiental.

Os cursos serão semestrais. O pós-médio, para pessoas que já tenham concluído o ensino médio ou equivalente; o de educação de jovens e adultos, para aquelas com mais de 18 anos que concluíram o ensino fundamental ou tenham o médio incompleto.

Assessoria de Imprensa do Ifac

Mais informações na página eletrônica do Ifac
Palavras-chave: formação profissional, instituto federal

Resultado da primeira chamada está disponível para consulta

Portal do MEC
Segunda-feira, 21 de junho de 2010 - 15:07
Está disponível para consulta o resultado da primeira chamada do Programa Universidade para Todos (ProUni). Ao todo, 52.419 candidatos foram pré-selecionados, sendo 37.039 para bolsas integrais e 15.380 para bolsas parciais que cobrem 50% da mensalidade.

Os estudantes pré-selecionados deverão comparecer à instituição de ensino para a qual se inscreveram e comprovar as informações declaradas na inscrição. O prazo de comprovação é de 22 de junho a 2 de julho.

Ao final deste período, caso ainda existam bolsas disponíveis, serão feitas até cinco chamadas para convocação dos pré-selecionados.

Para saber se foi pré-selecionado, o candidato deve acessar a página do programa e informar o seu número de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o seu número no Cadastro de Pessoa Física (CPF).

Entre os dias 15 e 19 de junho, foram registradas 232.726 inscrições para concorrer às 60.488 bolsas de estudo em instituições particulares de ensino superior.

O total de bolsas se refere àquelas que as instituições de educação superior participantes do programa são obrigadas a oferecer, de acordo com a Lei nº 11.096/05, que instituiu o Prouni. Além das bolsas obrigatórias, ainda há as adicionais, que são ofertadas a critério das instituições participantes.

Confira o total de pré-selecionados por unidade federativa.

Consulte o resultado no sítio do ProUni.

Assessoria de Imprensa da Sesu


Palavras-chave: Educação superior, ProUni

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