terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ministro expõe desafios para melhorar qualidade do ensino

Portal do MEC
Os desafios de melhorar a qualidade do ensino médio, ampliar o acesso de jovens na educação profissional e aprovar o Plano Nacional de Educação (PNE) de 2011-2020 foram temas abordados pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira, 8.

Para Haddad, na história brasileira, pela primeira vez, um plano de educação nacional trata da qualidade do ensino e fixa metas para alcançá-la. Ao contrário do PNE de 2001-2010, o projeto de lei enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional, em dezembro do ano passado, apresenta 20 metas. Todas as etapas da educação estão ali representadas, da creche à pós-graduação. O plano anterior continha 276 metas, mas muitas delas não foram cumpridas.

Sobre as medidas para a melhoria do ensino médio, o ministro destaca os esforços do governo para enxugar o conteúdo do currículo regular e abrir as portas da educação profissional aos jovens. A mudança no currículo, explica Haddad, está sendo feita pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Já a promoção da educação profissional caberá ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que está em análise na Câmara dos Deputados.

Assessoria de Comunicação Social



Competição pode ajudar escolas a vencer isolamento geográfico

Portal do MEC
Diretores de duas pequenas escolas públicas, uma do município de Major Gercino (SC), e outra de Santa Rosa do Purus (AC), decidiram vencer o isolamento e inscreveram seus alunos para participar da sétima edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). As provas da primeira fase serão no dia 17 deste mês.

A Escola Estadual de Ensino Médio Padre Paulino Baldassari, de Santa Rosa do Purus, é isolada pela geografia da região Norte. Só para chegar a Rio Branco, a capital do estado, são oito dias de barco. Já a Escola de Ensino Básico Professor Tercílio Bastos, de Major Gercino, fica no campo, a 20 quilômetros da cidade e seu isolamento se dá pela condição precária da estrada, que é de barro, segundo a diretora da unidade, Miria Jasper.

O isolamento é ponto comum, mas as estratégias de participação na Obmep se diferenciam. A diretora da escola acreana, Giovanna Souza de Matos, inscreveu 22 dos 198 estudantes matriculados no estabelecimento. Segundo Giovanna, esse grupo de alunos gosta muito da disciplina e tem interesse em conhecer outros jovens e o país. “Um possível bom resultado na Obmep será o passaporte para realizar esse sonho”, diz.

A escola Padre Paulino é urbana, tem 198 estudantes do ensino médio, oito professores, sendo dois de matemática. De acordo com a diretora, a escola não tem índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) porque nunca participou da Prova Brasil. O município tem 4,6 mil habitantes, segundo o censo 2010 do IBGE.

Tercílio Bastos – Situada no campo, a escola catarinense Tercílio Bastos inscreveu todos os estudantes matriculados no sexto ou sétimo ano e do oitavo ou nono ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio. A preparação dos alunos está sendo feita pelo único professor de matemática que a escola tem.

A decisão de participar da Obmep foi tomada pela diretora do estabelecimento, Miria Jasper, e aprovada pelos professores. Segundo ela, como todos os docentes da unidade têm contratos temporários de um ano de duração, eles nunca manifestaram interesse em participar das olimpíadas de matemática e da língua portuguesa nos anos anteriores. “Estamos distantes, estamos no campo, mas temos que vencer o isolamento”, explica Miria, que é graduada em pedagogia.

A escola Tercílio Bastos tem 163 alunos matriculados em turmas do primeiro ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio. Em 2007, o índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) dos anos finais do ensino fundamental foi de 4,3 pontos e em 2009 alcançou 4,7 pontos, ultrapassando a meta prevista para 2011, que é de 4,6 pontos.

O município de Major Gercino tem 3,2 mil habitantes e fica a 100 quilômetros de Florianópolis.

Obmep – Participam da sétima edição da Obmep 18,7 milhões de estudantes e cerca de 150 mil professores. A primeira etapa será no próximo dia 17, em 44,6 mil escolas públicas, do ensino fundamental e médio, de 5.504 municípios. A segunda fase será em 5 de novembro. Nessa etapa, que define os medalhistas de ouro, prata e bronze e as menções honrosas, as provas serão aplicadas em centros de ensino, por fiscais contratados pela coordenação da olimpíada. A premiação está prevista para fevereiro de 2012.

A olimpíada é promovida pelos ministérios da Educação e de Ciência e Tecnologia, realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura Aplicada (Impa) com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). O objetivo é estimular o estudo da matemática entre alunos e professores da educação básica.

Ionice Lorenzoni

Consulte a página da Obmep.
Palavras-chave: educação básica, Olimpíada de Matemática, Obmep

Após recursos, OAB divulga convocados para 2ª fase do 1º Exame de Ordem de 2011

Da Redação
Em São Paulo
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgaram nesta segunda-feira (8) a lista definitiva de aprovados na primeira fase do 1º Exame de Ordem de 2011. Os recursos foram aceitos entre os dias 25 e 28 de julho. Os locais de realização da prova prático-profissional (2ª fase) devem ser publicados em 15 de agosto.
RESULTADO DEFINITIVO DA PRIMEIRA FASE DO 1º EXAME DE ORDEM DE 2011 (arquivo em .pdf)
Consulta aos resultados dos recursos

A prova prático-profissional acontece em 21 de agosto, das 14h às 19h. Nessa etapa, o candidato deverá elaborar uma peça profissional e responder quatro questões discursivas. O resultado da segunda fase está previsto para 13 de setembro. A lista final de aprovados deve sair em 4 de outubro. Outras informações podem ser obtidas no edital.
Questões anuladas

A Coordenação Nacional do Exame de Ordem Unificado e a FGV decidiram anular as questões 34, 64 e 79 do caderno de prova do tipo 1 (e as correspondentes nos outros cadernos) da primeira fase da prova, realizada no dia 17 de julho. O anúncio foi feito em nota na última sexta-feira (5).

No texto, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) não explica o motivo da anulação, mas afirma que o restante do gabarito foi homologado e que todos os candidatos receberão as pontuações relativas às questões.
Como foi a prova

Professores de cursinhos especializados ouvidos pelo UOL afirmaram que a primeira fase teve nível médio para difícil.

Para Luiz Flávio Gomes, presidente do curso LFG, quem estudou, passou. "Não foi uma prova fácil, pode-se dizer que foi difícil, mas foi justa. Não tinha pegadinhas. É possível ter um número maior de aprovados", afirmou. Segundo ele, pode-se esperar um nível de aprovação em torno de 25% para a segunda fase -ainda baixo, mas maior que em anos anteriores.

Já Marco Antonio Araujo Junior, diretor-pedagógico do Complexo Damásio de Jesus, notou algumas "pegadinhas", principalmente na parte de ética. A redução de questões -de cem, na última prova, para 80- ajudou no gerenciamento do tempo.

"[Foi] Uma média de quase 4 minutos por questão. Deu um tempo maior para que o candidato pudesse resolver", afirmou. No entanto, diz, isso não é garantia de aprovação maior. "Acho que vai ter um numero de aprovados menor. Algumas disciplinas vão fazer a diferença."

No total, a OAB recebeu 121.309 inscrições. A seccional com maior número de inscritos é São Paulo, com 27.630 candidatos. Em seguida aparece Minas Gerais, com 13.318 inscrições, e Rio de Janeiro, com 11.066.
Polêmica

A diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil publicou um comunicado na semana passada hoje (22) dizendo que o Exame da Ordem é constitucional e que o subprocurador-geral da República Rodrigo Janot teve uma visão preconceituosa ao dizer que a prova é dispensável. Janot deu o parecer do Ministério Público na ação em que um bacharel contesta a legalidade da prova no Supremo Tribunal Federal (STF).
Reprovações

No último exame, foram reprovados 9 em cada 10 bacharéis, o que levou a OAB ao pior resultado da história: apenas 9,74% dos candidatos foram aprovados. O número inclui os treineiros.

No começo deste mês, a OAB divulgou uma lista com as 90 faculdades cujos estudantes de direito se submeteram à última edição do Exame de Ordem, mas não tiveram nenhum candidato aprovado após as duas etapas do exame. O índice representa 14,75% das 610 faculdades que tiveram alunos matriculados na prova. Também foi divulgada a relação de instituições que mais aprovaram alunos: em termos proporcionais e absolutos.

Baixe a lista com os nomes das 90 instituições de ensino

Em junho, a ordem decidiu reduzir o número de questões da prova em 20%. Advogados dizem que um dos motivos para a mudança é o alto número de reprovações no exame.
retirado do site:http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/08/08/apos-recursos-oab-divulga-convocados-para-2-fase-do-1-exame-de-ordem-de-2011.jhtm

Uso de música em sala de aula facilita o aprendizado, aponta estudo

Da Redação
A música facilita o ensino da história pois cria empatia entre aluno e professor e forma um referencial de memória para os alunos, facilitando, assim, sua relação com o conteúdo. É o que diz Milton Joeri Fernandes Duarte, autor da tese de doutorado A música e a construção do conhecimento histórico em aula, defendido em maio na Faculdade de Educação (FE) da USP, sob orientação de Katia Maria Abud Lopes.
Graduado em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e professor de história desde 1987, Duarte afirma sempre ter utilizado música em suas aulas. Foi a partir da sua experiência em classe que ele resolveu estudar até que ponto a linguagem musical auxilia no ensino da história e como professores e alunos que não possuem conhecimentos de linguagem musical conseguem trabalhá-la em sala de aula.

Para responder tais questionamentos, o pesquisador acompanhou durante o ano de 2007 as aulas de uma professora de história para alunos da quinta série da rede municipal de São Paulo. No ano seguinte, ele selecionou 8 dos alunos da turma, 4 meninos e 4 meninas. Ele os entrevistou para saber os seus gostos musicais e, principalmente, qual era a relação que eles faziam entre o conteúdo e as músicas apresentadas pela professora.

“Nas entrevistas fiz o procedimento contrário ao que era feito na sala de aula. Apresentava pequenos textos que falavam sobre os conteúdos ensinados pela professora e perguntava o que aquilo os lembrava. Todos os alunos referiram-se às músicas ouvidas nas aulas e, de certa forma, isso os ajudava a lembrar partes do conteúdo”, afirma.

A partir dos estudos teóricos, da análise de campo e das entrevistas, Duarte chegou ao conceito de consciência musical. “A música forma um referencial de memória. Por isso existem as músicas que marcam a vida de uma pessoa”, afirma.

Esse conceito é ligado à consciência histórica, que é a forma como a pessoa se posiciona perante a sociedade e os fatos históricos, dependendo da experiência de vida e das situações sociais e econômicas que ela vive.

Dentro da sala de aula, a música aproxima a memória individual do professor com a dos alunos. A maior parte da consciência musical não é criada na escola, mas vem do cotidiano familiar. Por isso é necessário que o professor contextualize as canções que mostre aos alunos e que se proponha a conhecer o que os alunos gostam de ouvir para haver maior empatia entre eles.

“Nas aulas que analisei, toda sexta-feira um aluno levava um CD que ele gostava de ouvir em casa para a classe e a turma o escutava. Funcionava como se a professora dissesse ‘eu ouço a música de vocês, então vocês ouvem a minha’. Facilitava a aceitação dos alunos com as músicas passadas pela professora”, conta Duarte.

Música e realidade

O pesquisador retoma uma ideia de Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século 19, que diz que a música é o máximo da expressão artística, é a arte que mais se aproxima da realidade por ter maior carga emocional que as outras.


“As pessoas são tocadas emocionalmente pela música. Por isso professores e alunos que não dominam a linguagem musical conseguem trabalhá-la em sala de aula”, explica. Segundo Duarte, mesmo aqueles que entendem de música são inicialmente atingidos pela emoção. “Só depois que a pessoa pode parar e pensar com o conhecimento técnico que ela tiver”.

O autor do trabalho afirma que a música é pouco utilizada em sala de aula. “Muitos professores têm medo de os alunos não receberem bem as músicas, acharem que são velhas, etc. Mas é preciso contextualizá-las com os alunos, criar empatia para elas serem bem utilizadas”, explica.

Ele ainda diz que o professor que usa música em aula se torna um marco na vida dos alunos. “Eu encontro ex-alunos na rua que me cumprimentam e lembram de determinada música que foi passada em sala de aula. Eu mesmo, ao ouvir uma canção medieval na televisão, certa vez, lembrei que já a havia cantado na sexta série, na aula de um professor de Português que também era maestro, chamado Roberto Martins”, revela.

(Agência USP)
retirado do site:http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/08/08/uso-de-musica-em-sala-de-aula-facilita-o-aprendizado/

Indisciplina na sala de aula pode ser pedido de diálogo

REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 172
Tentativa de diálogo
Segundo pesquisador, as manifestações de indisciplina no âmbito da escola podem ser sinalizações de que os jovens almejam novas regras e maneiras de relacionar-se, mais flexíveis e próximas ao mundo contemporâneo
Poucos temas têm mobilizado tanto a atenção dos professores da Educação Básica como o da disciplina. O tema aparece frequentemente recolocado sob novas roupagens ou questões correlatas, como o bullying ou mesmo a violência física. A sensação, contudo, é que não há avanço, ou pior, há retrocesso. Para Joe Garcia, pesquisador e professor de Pós-Graduação da Universidade de Tuiuti, no Paraná, há uma combinação de mensagens antigas com expressões novas - e continua em pauta o que classifica de esvaziamento do papel da escola, tensões de convivência e uma crise moral. Na entrevista a seguir, concedida ao repórter Paulo de Camargo, Garcia, um dos conferencistas mais requisitados quando o assunto é indisciplina escolar e autor do livro Escritos sobre o currículo escolar (Editora Iglu, 2010), expõe suas ideias sobre o tema. Para ele, há avanços - entre eles, o fato de que a discussão rompeu os muros da escola. Segundo argumenta, o ambiente complexo das escolas de hoje está originando "um professor diferente, assim como outras crenças, outras rotinas, outras identidades". Contudo, alerta, os educadores ainda precisam se abrir mais para as novas formas de diálogo do mundo contemporâneo. A questão da educação moral vem sendo recolocada nas escolas e na mídia nos últimos anos sob diferentes perspectivas. Já se focou a questão da indisciplina, da violência física e a bola da vez parece ser o bullying. Trata-se de algo novo ou apenas tiramos de debaixo do tapete questões antigas? A escola possui um "tapete" muito antigo e extenso. Sob ele, há muito a resolver. De todos os problemas ali guardados, o bullying veio à luz apenas há poucas décadas. É uma forma complexa de violência, que permaneceu muito tempo oculta em função do modo desatento como os educadores há séculos observam a relação entre alunos na escola. Já a indisciplina é um problema reconhecido pelos professores há muito mais tempo. Quando olhamos para todos esses problemas, sob uma perspectiva atual, vemos uma combinação de mensagens antigas sob expressões novas. A comunicação paralela em sala de aula através de gadgets modernos e o ciberbullying refletem, na verdade, velhas questões sobre o esvaziamento do papel da escola, apontam tensões de convivência e uma certa crise moral. Assim, entre as soluções atuais, está a educação moral, que é importante, mas pensar a indisciplina apenas sob essa perspectiva é desonerar outras fontes daquele problema.

A seu ver, estamos avançando em algum sentido?
Vejo diversos avanços. Talvez o mais evidente resida no aumento da percepção social sobre os problemas que ocorrem dentro dos muros da escola. A indisciplina hoje é um tema de interesse mundial e não mais um assunto de sala dos professores somente. Quanto ao diálogo nas escolas, também avançou. Há 50 anos, não seria possível debater com liberdade temas tais como sexualidade, política e drogas. Mas existem avanços a realizar. Sob diversos aspectos, a escola é um ambiente de interação defasado em relação às possibilidades de diálogo deste século. Olhemos, por exemplo, a sutil revolução que está ocorrendo nas redes sociais, em relação às quais a escola está ainda adormecida.

A questão da formação do professor é um impedimento para o avanço nessa compreensão mais ampla das relações humanas vividas nas escolas?
Nos currículos de formação inicial de professores, nas licenciaturas, há um certo silêncio em relação à questão da indisciplina e violência nas escolas. Nas universidades, não estamos preparando os futuros professores para alguns dos principais desafios da profissão. Parece persistir a crença de que docentes bem preparados são aqueles que dominam conteúdos e métodos de ensino. Em complemento, a formação continuada, em serviço, também apresenta viés. Um estudo publicado recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou que embora o número de dias anuais supostamente dedicados ao desenvolvimento profissional dos professores brasileiros seja compatível com o padrão das nações industrializadas, as estratégias mais exploradas são pouco efetivas para promover mudanças. É preciso alterar as práticas de formação. Enquanto isso, os professores, mesmo sabendo o que e como ensinar, nem sempre conseguem ser efetivos em sala de aula - o que requer também saber lidar com a indisciplina.

O senhor acredita em soluções que não incluam mudanças de postura de toda a escola? Ou, em outras palavras, a evolução nas questões ligadas à qualidade do convívio prospera, se forem iniciativas apenas do professor em sala de aula?
Tenho acompanhado pesquisas sobre essas questões em diversos países. As soluções mais promissoras seguem o que se poderia denominar de abordagem global ou ecológica, que compreende a escola como um todo. Ainda precisamos da força intelectual e moral dos professores, mas estes precisam atuar em uma escola onde exista uma visão compartilhada, uma cultura e ambiente que sustentem suas práticas pedagógicas, ou que as recuse quando não forem compatíveis com um projeto coletivo. Mas as abordagens globais também são interessantes pelo papel ativo que atribuem aos alunos na construção do ambiente de convivência na escola. Também estes precisam desejar e contribuir na construção de uma escola mais interessante para todos.

As questões que o senhor ouve dos professores em suas palestras vêm mudando ao longo do tempo?
Atuo em processos de formação de professores desde o início dos anos 1990. Guardei muitos registros de diálogos com professores e observei alguns fatos interessantes. Nestes 20 anos, constatei uma mudança na leitura dos problemas de indisciplina na escola, na direção de uma melhor crítica e consciência social. Hoje, parece menos complicado aos professores reconhecer e conversar sobre os problemas de convivência em suas salas de aula. Mas aquilo que mais se destaca em meus dados reside na transformação do conteúdo das queixas em relação ao tempo na profissão. Os professores mais experientes acumulam mais tempo de exposição a conflitos e isso parece influenciar a leitura que fazem dos alunos, da escola e de si mesmos. O ambiente atual das escolas, complexo e muitas vezes conflituoso, está originando um professor diferente, assim como outras crenças, outras rotinas, outras identidades.

No caso específico do bullying, não lhe parece mais uma dessas palavras mágicas que de repente parecem explicar tudo?
O termo bullying expressa um fenômeno complicado, uma categoria de violência capaz de afetar profundamente o ambiente e a aprendizagem escolar. É uma palavra mais trágica do que mágica! É muito interessante observar que o bullying foi "descoberto" nos países escandinavos, onde justamente se acreditava que a educação estava mais resolvida no final do século passado. Em paralelo à consciência sobre esse problema, veio a percepção de que não estávamos tão atentos à qualidade das relações humanas na escola. Mas a solução não reside em maior controle social, e sim em melhor coexistência. Outro aspecto interessante é que o bullying descreve um desequilíbrio nas relações de poder. Parece ironia, mas esse fenômeno expressa uma mensagem clara sobre as relações em toda a sociedade do século passado.

Qual é a relação entre ambiente escolar e qualidade de ensino? Cuidar melhor da convivência não é também uma forma de melhorar a aprendizagem?
Desejamos, há séculos, melhorar o desempenho dos estudantes. Essa tarefa, no entanto, vai além de estimular avanços nas práticas de ensino. Há dois fatores principais a considerar que sustentam ou impedem a aprendizagem: a cultura e o clima da escola. Esses dois aspectos estão diretamente relacionados à qualidade da convivência. Alguns estudos sobre rendimento escolar e convivência na escola revelam que a aprendizagem em sala de aula decai em função da indisciplina, mesmo quando o desempenho dos professores é avaliado positivamente pelos alunos. Esse é o retrato do Brasil, segundo os dados do Pisa, na última década.

A TV e a internet têm algum papel nisso tudo? As relações virtuais levam a um enfraquecimento das relações humanas?
Há estudos que apontam a influência da mídia, incluindo a internet, como uma das principais causas indiretas de problemas de indisciplina nas escolas. A mídia claramente afeta não somente hábitos de consumo, mas a formação de valores e estilos de vida que se apresentam em sala de aula. Mas penso que ainda é cedo para entendermos toda a extensão das relações virtuais sobre o ambiente de aprendizagem na escola. E certamente não há apenas aspectos negativos a considerar. O fluxo de informações nas redes sociais torna possível uma percepção global sem precedentes. Isso pode mesmo levar a um fortalecimento da consciência e relações sociais, quando, por exemplo, as pessoas se engajam na luta por direitos humanos, na proteção do planeta ou em campanhas que tornam visíveis abusos e injustiças sociais.

Quais são os passos iniciais que o senhor sugere para educadores que vivem às voltas com os problemas da disciplina? O que é possível fazer já?
Gostaria de destacar duas ideias. Uma muito antiga e outra mais recente. No século 17, [o educador tcheco] Jan Amos Comenius escreveu que a disciplina na escola, embora necessária, não teria a força para inspirar os alunos a aprender. Seria a qualidade do ensino o elemento capaz de inspirar, ou não, os alunos. Penso que, sob essa abordagem, a indisciplina deveria ser interpretada mais como necessidade de avançar nas experiências de aprendizagem do que no controle do comportamento dos alunos. Essa é uma ideia antiga, mas ainda valiosa. Professores considerados bem-sucedidos em suas escolas me sugeriram que a indisciplina seria um modo de os alunos forçarem a escola na direção de uma abertura. A indisciplina refletiria a distância entre a forma pouco flexível e cheia de regras como eles aprendem na escola e o modo flexível e de regras mínimas como eles aprendem no mundo. Tais ideias sugerem a combinação de um currículo que seja fonte de inspiração, em uma escola que apresente regras mínimas para a aprendizagem.
retirado do site:http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=13177

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Estudo revela abismo educacional entre classes média e alta

BBC Brasil
Com a adesão de cerca de 40 milhões de pessoas na última década, a classe média tornou-se majoritária no Brasil, englobando 52% da população. Mas a ambição do grupo por novas chances de ascensão pode ser bloqueada pelo abismo educacional que o separa da classe alta, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE).
Feito com base na última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), de 2009, o levantamento revela que, embora os índices educacionais da classe média tenham avançado bastante nos últimos anos, seguem distantes dos da classe alta: ao passo que 87% dos brasileiros mais ricos concluem o ensino médio, apenas 59% da classe média alcançam o mesmo estágio.

O grupo também fica muito atrás quanto a anos de estudo e gastos com educação. Enquanto cada membro da classe média despende, em média, R$ 52 com educação por mês, entre os mais ricos, o gasto chega a R$ 220.

Batizada de A Classe Média em Números, a pesquisa traça os perfis das três faixas de renda brasileiras (baixa, média e alta) conforme critérios educacionais, habitacionais e regionais e define como classe média os brasileiros com renda familiar mensal entre R$ 1.000 e R$ 4.000.

Segunda faixa mais numerosa, a classe baixa representa 34% da população; já a classe alta é engloba 12% do total dos brasileiros.
Acesso às universidades

Para o secretário de Assuntos Estratégicos da SAE, Ricardo Paes de Barros, "o acesso à educação é a grande diferença entre as classes média e alta".

Segundo ele, o levantamento mostra que a classe média dá crescente importância à educação - o grupo vem investindo quantias cada vez maiores com os estudos.

Para reduzir a distância que a separa da classe alta, porém, Paes de Barros diz ser necessário dar maior ênfase à qualidade do ensino médio público e ampliar o acesso da classe média às universidades e ao ensino técnico.

O acesso à cultura também se mostra uma grande barreira entre os dois grupos: enquanto cada integrante da classe média gasta R$ 37 por mês com recreação e cultura, os mais ricos gastam R$ 127.

Nesse caso, o secretário afirma que a classe média tem a desvantagem de crescer mais em cidades médias e pequenas, onde a oferta de bens culturais é menor. "Precisamos ver como levar cultura até eles", disse à BBC Brasil.
Bens e serviços

A pesquisa revela ainda disparidades entre os grupos populacionais quanto ao acesso a bens e serviços.

Apenas 30% da classe média tem acesso à internet em casa, índice bem inferior ao da classe alta (72%). O telefone fixo está presente em 48% dos domicílios de classe média e em 81% dos lares mais ricos.

Há ainda diferenças significativas no acesso a saneamento adequado (76% na classe média, 92% na alta) e gastos com saúde (R$ 135 por mês por pessoa na classe média, R$ 438 na alta).
retirado do site:http://noticias.uol.com.br/bbc/2011/08/08/estudo-revela-abismo-educacional-entre-classes-media-e-alta.jhtm

Programa federal amplia número de projetos em escolas do campo

Uma aula de língua portuguesa, uma oficina sobre jornal escolar; uma aula de matemática, uma oficina de xadrez. De forma articulada entre o currículo regular e as oficinas, mais de três mil estudantes de escolas do campo nos municípios de Palmas (TO) e de Governador Valadares (MG) vivenciam agora a educação em tempo integral.

A experiência desses dois municípios faz parte de um conjunto de projetos de educação em tempo integral que cresce nas escolas do campo. Para desenvolver as atividades, as unidades de ensino recebem recursos do programa federal Mais Educação, mas os municípios também investem verbas próprias.

Dados da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação mostram que 624 escolas públicas do ensino fundamental de municípios de 24 estados e do Distrito Federal implantaram a educação integral no campo. Entre os estados com maior número de escolas destacam-se Rio de Janeiro (110 unidades), Ceará (98), Rio Grande do Sul (77) e Bahia (50). Apenas municípios do Acre e de Roraima não têm escolas do campo de tempo integral participantes do Mais Educação.

O professor Miguel Arroyo, da faculdade de educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recomenda aos gestores não transferir modelos urbanos para as áreas rurais: “È necessário ter muito cuidado de não levar para lá, mas partir de lá.” Ele explica que o campo tem especificidades e vive um momento de afirmação da diversidade.

De acordo com Arroyo, é preciso conhecer melhor a dinâmica do campo, as pessoas que ali vivem, ações coletivas, projetos e lutas. Segundo o professor, a visão de 20 anos atrás, de ambiente atrasado e tradicional, está superada. “Hoje, o que há de mais dinâmico na sociedade brasileira está lá”, salienta. “O campo está sendo reprimido porque está querendo ir longe demais.”

De acordo com Arroyo, que participou, esta semana, de encontro no MEC para discutir o tema, isso mostra que o país está num momento diferente, a ser considerado pelos gestores no debate sobre a educação integral rural.

Ionice Lorenzoni

Escolas de MG e TO apresentam experiências bem-sucedidas

Portal do MEC
O modelo de educação integral do município mineiro de Governador Valadares começou a ser executado em 2010, em 100% das redes urbana e rural de ensino. De acordo com a secretária municipal de educação, Sames Assunção Madureira, o sistema reúne hoje 23 mil estudantes do ensino fundamental — dois mil deles matriculados em escolas do campo. Mesmo nas unidades de ensino pequenas e com poucos estudantes, a prefeitura decidiu manter os alunos na comunidade.

A jornada escolar vai das 8h às 16h, de segunda a sexta-feira. Além das atividades intercaladas, mas sintonizadas, que contemplam o conteúdo do currículo com atividades culturais, artísticas, esportivas e de lazer, os estudantes têm café da manhã, lanche, almoço e uma refeição no fim do expediente.

A avaliação do primeiro ano de atividades das escolas em tempo integral surpreendeu pais e professores. A evasão escolar, que em 2009 chegou a 5,1%, caiu para 1,8% no fim do ano letivo de 2010. Além de bem alimentados e bem cuidados, os estudantes participaram de projetos de saúde bucal e oftalmológico. “Caiu o número de alunos doentes, as escolas registraram aumento da frequência escolar e a violência foi reduzida”, garante a secretária.

A 320 quilômetros de Belo Horizonte, o município, criado há 73 anos, reúne população de 263,5 mil habitantes, segundo o censo de 2010.

Palmas — Surgida há 22 anos, a capital do Tocantins oferece educação integral a 1.073 estudantes de cinco escolas da área rural, situadas a distâncias de nove a 80 quilômetros do perímetro urbano. As aulas normais são intercaladas com atividades previamente escolhidas pelos estudantes. Depois de uma aula de geografia, por exemplo, segue-se uma oficina sobre meio ambiente e sustentabilidade; após uma oficina de leitura, vem uma aula de língua portuguesa.

A experiência, implantada em 2008, indica a permanência dos alunos na unidade de ensino por oito horas e meia, de segunda a quinta-feira. Na sexta-feira, eles cumprem as tarefas escolares em casa. Educar e ao mesmo tempo fortalecer os laços dos estudantes com a família e com o meio onde vivem são objetivos do programa, explica a coordenadora da educação integral de Palmas, Cristina Pellegrino.

Enquanto os estudantes fazem as tarefas em casa, a escola dedica a sexta-feira à formação continuada dos professores e à realização do planejamento coletivo das atividades.

As cinco escolas rurais atendem alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental, com idades que vão dos seis aos 18 anos — no campo, muitos jovens trabalham com a família e nem sempre conseguem concluir o ensino fundamental aos 14 ou 15 anos.

Em Palmas, a educação integral começou a ser implantada pelas escolas urbanas em 2005 e foi efetivada em 2007. No ano seguinte, o projeto foi expandido para o campo. Segundo Cristina, o município fechou o primeiro semestre letivo de 2011 com 13 escolas em tempo integral, custeadas com recursos do município e do programa Mais Educação.

Das 13 escolas, três seguem modelo padronizado, criado no município — prédios com quadra de esportes coberta, auditório, laboratórios, piscina, cozinha e refeitório, além das salas de aula. As unidades reúnem 3.577 alunos do ensino fundamental, com jornada diária de nove horas e meia, de segunda a sexta-feira.

Outras cinco escolas urbanas foram adaptadas para a educação integral. Nelas estudam 3.026 alunos do ensino fundamental. Também foram adequadas para aulas em tempo integral cinco escolas rurais.

Neste início de agosto, mais 25 escolas municipais de ensino fundamental de Palmas terão parte dos estudantes encaminhados para a educação integral. Todas receberam recursos do Mais Educação para oferecer atividades culturais, esportivas e de lazer, além de reforço escolar.

Em julho, segundo Cristina, a prefeitura de Palmas assinou convênio com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a construção de três escolas-padrão em tempo integral. Quando prontas, elas atenderão cerca de quatro mil alunos. O objetivo da prefeitura é universalizar a educação integral no município. (Ionice Lorenzoni)

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Programa federal amplia número de projetos em escolas do campo
Palavras-chave: educação integral, Mais Educação

Ministério estabelece novas regras para cursos de especialização

Portal do MEC
O Ministério da Educação define novas regras para a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu. O parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), homologado pelo ministro em exercício, José Henrique Paim, no dia 1º de agosto, extingue o credenciamento especial de instituições não educacionais – conselhos de classe, sindicatos, organizações profissionais – para a oferta de cursos de especialização (pós-graduação lato sensu).

Essas instituições poderão continuar a oferecer os cursos que serão considerados livres ou poderão ser credenciados na modalidade strictu sensu, como mestrado profissional, sujeitos à regulamentação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A exceção serão as escolas de governo, criadas e mantidas pelo poder público, que poderão oferecer cursos de pós-graduação lato sensu, independente de credenciamento especial do MEC.

Até agora, cerca de 100 instituições possuíam o credenciamento especial. Aos estudantes matriculados até 31 de julho de 2011, será assegurado o direito ao certificado do curso como pós-graduação. Ao todo, há cerca de 400 processos entre credenciamento e recredenciamento de instituições, que a partir de agora serão arquivados.

As novas regras para a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu serão publicadas nesta sexta-feira, 5, no Diário Oficial da União.

Assessoria de Comunicação Social
Palavras-chave: educação superior, lato sensu

Governo negocia compra recorde de 164 milhões de exemplares

Portal do MEC
A maior compra de livros didáticos já realizada pelo governo federal começa a ser negociada na próxima semana, quando o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) inicia uma rodada de conversações com 18 grupos editoriais em torno da aquisição de 164 milhões de exemplares – 20% a mais do que os 135,6 milhões comprados em 2010.

As obras serão utilizadas pelos alunos da rede pública a partir do próximo ano. Serão adquiridos livros de todas as disciplinas para todos os estudantes do ensino médio, além de exemplares de reposição para o ensino fundamental.

Pela primeira vez o FNDE vai adquirir livros de filosofia, sociologia e língua estrangeira (inglês e espanhol) para os alunos do ensino médio. Além dessas disciplinas, também serão distribuídas obras das demais matérias dessa etapa de ensino: português, matemática, física, química, biologia, geografia e história.

Para o ensino fundamental, serão comprados cerca de 70 milhões de exemplares, para reposição.

Assessoria de Comunicação Social do FNDE
Palavras-chave: educação básica, ensino médio, livro didático

Estudante tem prazo até quarta-feira para pedir inclusão na lista de espera

Portal do MEC
Os candidatos a bolsas de estudos oferecidas pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) neste segundo semestre têm prazo até quarta-feira, 10, para manifestar interesse em participar da lista de espera. Podem pedir inclusão na lista os estudantes não pré-selecionados nas chamadas regulares ou pré-selecionados em cursos sem formação de turma.

A partir do dia 15 próximo, a lista será usada pelas instituições de ensino participantes do programa para oferta das bolsas ainda existentes.

Criado em 2004, o ProUni oferece a estudantes de baixa renda bolsas de estudos em instituições de educação superior particulares em cursos de graduação e sequenciais de formação específica.

Nesta edição, o programa registrou a inscrição de 460.745 candidatos a 92.107 bolsas. O número de inscritos superou a marca anterior, do processo do segundo semestre de 2009, de 380.935 estudantes.

O estudante deve manifestar interesse na lista de espera na página eletrônica do ProUni. Pode também conferir o cronograma.

Assessoria de Imprensa da Sesu
Palavras-chave: educação superior, lista de espera, ProUni

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