quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Programa oferece opções nos fins de semana a 400 mil pessoas

Portal do MEC
Um público de aproximadamente 400 mil pessoas, formado por crianças, adolescentes, jovens, pais e educadores, frequenta os pátios, as áreas de lazer e as salas de aula de 2.283 escolas públicas nessas férias de verão. Nas escolas de suas comunidades, eles participam de atividades esportivas, culturais e pedagógicas oferecidas pelo programa Escola Aberta aos sábados e domingos.

Presente em 194 municípios das 27 unidades da Federação, o Escola Aberta é um programa do Ministério da Educação desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e universidades públicas. De acordo com o coordenador de ações educacionais complementares da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC, Leandro Fialho, o programa é um espaço de diálogo da escola com a comunidade.

As atividades e oficinas dos fins de semana são oferecidas nas áreas de esporte e lazer, formação para o trabalho, cultura e arte e acompanhamento pedagógico (educação complementar). Oficinas sobre padaria, artesanato, cabeleireiro e maquiagem são as que mais interessam aos adultos, segundo Fialho. Os estudantes optam por esportes, lazer, arte e música.

Hoje, cada escola recebe do MEC entre R$ 18 mil e R$ 25 mil, em cota única, para custear as atividades durante os 12 meses do ano. Os recursos são empregados no pagamento dos monitores, que atendem estudantes e comunidade, e na aquisição de material para as oficinas.

Em cinco anos, o programa ampliou a abrangência no país. Em 2006, alcançava 89 municípios e 1.312 escolas; hoje, está em 194 cidades e em 2.283 unidades de ensino. Os recursos, repassados pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) diretamente à caixa escolar, também evoluíram no período. Em 2006, foram R$ 23,9 milhões; em 2010, R$ 43,9 milhões.

Um dos resultados positivos do programa é a redução da violência em comunidades de alto risco social para crianças, adolescentes, jovens e mulheres. “A escola ganha importância porque ela é o único equipamento social de muitas comunidades”, explica Leandro Fialho.

Os estados que registram maior participação no programa são Pernambuco, com 200 escolas da rede estadual — em Recife, são 112 escolas da rede municipal —, e Rio de Janeiro, com 76 escolas estaduais e 30 vinculadas a municípios. No Rio Grande do Sul e no Pará, as secretariais estaduais de educação inovaram ao ampliar o alcance do programa com a aplicação de recursos próprios.

Fortalecimento

Em seminário realizado este mês, em Brasília, com interlocutores estaduais do programa e representantes de universidades públicas, Unesco e MEC, foi apontada uma série de itens capazes favorecer o fortalecimento do programa. Entre eles, a transformação do Escola Aberta em política pública, a qualificação da formação dos monitores, a certificação dos cursos ministrados nas oficinas e a ampliação do número de parceiros.

Nos moldes de hoje, com recursos repassados pelo MEC, o Escola Aberta é resultado da unificação de dois programas desenvolvidos pela Unesco no início de década, no Brasil — o Escola de Portas Abertas, experiência desenvolvida com escolas da Região Sul, e o Abrindo Espaços, em instituições de ensino do Nordeste.

Ionice Lorenzoni
Palavras-chave: escola aberta, esporte, lazer, arte, música

MEC vai dar dinheiro a universidades estaduais que participarem do Sisu

Da Redação
Em São Paulo
O MEC (Ministério da Educação) vai repassar recursos a instituições estaduais de ensino superior que participarem do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) a título de assistência estudantil. A portaria que instituiu o Programa NacioDnal de Assistência Estudantil para as Instituições de Educação Superior Públicas Estaduais (Pnaest) foi publicada nesta quarta-feira (29) no Diário Oficial da União.

O dinheiro fornecido às instituições vai variar de acordo com o número de vagas ofertadas. As universidades e centros universitários estaduais que oferecerem até 200 vagas receberão até R$ 150 mil; entre 200 e mil vagas, até R$ 750 mil; acima de mil vagas, até R$ 1,5 milhão. Dependendo da oferta, as instituições poderão ser bonificadas.

De acordo com o MEC, serão atendidos preferencialmente os alunos oriundos da rede pública ou que tenham renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. As universidades interessadas precisam apresentar um plano de trabalho ao ministério.

O próximo Sisu recebe inscrições a partir de 16 janeiro de 2011. As estaduais que vão participar desta seleção já poderão receber os recursos. É necessário ter feito o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para entrar no sistema.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/12/29/mec-vai-dar-dinheiro-a-universidades-estaduais-que-participarem-do-sisu.jhtm

Médico formado no exterior terá segunda chance para validar diploma

LEILA COIMBRA
DE BRASÍLIA
Os médicos formados no exterior terão uma segunda chance para validar seus diplomas no Brasil.

No primeiro teste-piloto de legitimação dos diplomas feito pelo governo, aplicado em outubro, só 2 dos 628 inscritos foram aprovados, conforme informou ontem o jornal "O Estado de S. Paulo".

Agora, um novo edital será publicado no início de 2011 com modificações no exame.

A secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari, atribuiu o baixo índice de aprovações no primeiro exame a dois fatores: nota de corte muito alta no teste teórico --de no mínimo 70% de acertos-- e o caráter eliminatório dessa etapa para a seguinte, o teste prático.

"É um projeto-piloto e é natural que sofra ajustes", disse. Uma das mudanças será a nota de corte menor, com exigência de 50% ou 60% de acertos. A manutenção do caráter eliminatório da prova teórica está em estudo.

Maria Paula Dallari disse acreditar que a reformulação do exame não vá provocar uma queda de qualidade dos médicos: "O primeiro teste foi extremamente exigente e merece alterações. Mas os critérios se manterão altos".

Médicos formados no exterior precisam ter seu diploma reconhecido por instituições brasileiras para poder atuar no país. Cada universidade escolhe seu modelo. Em geral, ele inclui avaliação de currículo, realização de uma prova e cobrança de taxa.

O objetivo do projeto-piloto de validação dos diplomas é diminuir a burocracia e agilizar esse processo. Trata-se de uma iniciativa conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde. Mais de 20 universidades públicas federais estão envolvidas.
Retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/852251-medico-formado-no-exterior-tera-segunda-chance-para-validar-diploma.shtml

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Professor do Acre inova com projetos de física e astronomia

Portal do MEC
A maior motivação do professor Aires Pergentino da Silva para trabalhar com a educação de jovens e adultos é constatar a força de vontade dos estudantes em querer aprender, em buscar o conhecimento e valorizar o professor. Formado em física, com pós-graduação em ensino de astronomia, ele atua há dez anos no magistério e há seis trabalha com jovens e adultos.

“Já trabalhei com ensino fundamental, ensino médio regular e com pré-vestibular, mas minha paixão é a educação de jovens e adultos”, destaca Aires, que leciona física para alunos de ensino médio na Escola do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Rio Branco, Acre. Para ele, o desafio de ensinar na educação de jovens e adultos é grande, mas compensador e estimulante. “Os alunos são, na maioria das vezes, profissionais, que entendem o valor do trabalho para a dignidade humana”, diz Aires, que também trabalha na Secretaria de Educação do estado como técnico curricular de física. “Por isso, eles sabem respeitar e valorizar o professor e qualquer outro profissional.”

Aires trabalha com educação de jovens e adultos na modalidade a distância. A cada semestre são realizados oito encontros com os alunos para reforço do conteúdo das apostilas. “Cada módulo tem um conjunto de disciplinas”, explica o professor. “A apostila dessas disciplinas é direcionada para o estudo em casa. Uma vez por semana, os alunos têm aula de uma disciplina.”

Projetos

Este ano, Aires desenvolveu com alunos de 22 a 40 anos de idade os projetos Física Divertida: Brincando se Aprende e Astronomia para Todos. Com o Física Divertida, os estudantes construíram brinquedos com base em princípios científicos e os levaram a um orfanato. “No momento da distribuição, os alunos aproveitaram para ensinar física, com uma linguagem acessível”, revela o professor.

O projeto Astronomia para Todos teve início com o estudo da Bandeira Nacional e de seus aspectos astronômicos até chegar na observação do céu com instrumentos apropriados. “O objetivo geral era compreender melhor nosso planeta e sua relação com outros astros do sistema solar e fora dele”, destacou o professor.

Fátima Schenini


Saiba mais no Jornal do Professor
Palavras-chave: educação a distância, jovens e adultos, astronomia

Só 2 de mais de 600 médicos formados no exterior passam em prova de revalidação de diploma

Da Redação*
Em São Paulo
Somente dois dos 628 candidatos inscritos para a prova de revalidação de diplomas do exterior, aplicada em outubro, foram aprovados. Por causa do resultado, o MEC (Ministério da Educação) e o Ministério da Saúde podem mudar as características do exame. O teste ainda é um projeto piloto.

Por lei, o médico que não for graduado em uma universidade de medicina brasileira precisa ter seu diploma revalidado para atuar no país. Antes, quem quisesse validar o certificados obtido no exterior passava por um processo de comprovação de documentos que podia se estender por até seis anos. Com o projeto piloto, o estudante procura uma das 24 universidades públicas que aderiram ao programa e depois faz exames escritos e práticos.

Para participar do projeto, os candidatos precisavam atender a alguns requisitos como ter concluído o curso de medicina em universidades reconhecidas pelo órgão competente em seus respectivos países. A maioria dos inscritos se formou em instituições bolivianas e cubanas.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/12/28/so-2-de-mais-de-600-medicos-formados-no-exterior-passam-em-prova-de-revalidacao-de-diploma.jhtm

Está nascendo a era dos educadores

Gilberto Dimenstein

Uma faculdade, em São Paulo, decidiu oferecer aulas de madrugada, terminando às 2h. Isso por uma simples razão de mercado: o horário atendia aos desejos de trabalhadores que queriam o diploma, mas não tinham horário para estudar.

Já há cursos de graduação que não aceitam a matrícula de alunos com menos de 24 anos. Os mais velhos, mais responsáveis, muitos deles casados ou com filhos, não querem garotada "zoando" em sala.

É comum ver LAN houses na periferia usadas por quem faz cursos a distância. Para quem tem pouco tempo e dinheiro, o computador conectado à internet passa a ser a esperança de um salário melhor.

Esses três fatos são simbólicos da nova agenda brasileira, que a presidente Dilma Rousseff terá de enfrentar. Está vindo uma classe média mais escolarizada e crítica, com demandas cada vez mais sofisticadas e difíceis de atender.

Essa nova agenda vai gerar áreas de pressão para a presidente Dilma, que já recebe uma terrível herança: as expectativas criadas pelo presidente Lula.

Segundo o Datafolha, 83% dos brasileiros esperam que ela faça um governo igual ou melhor do que o do antecessor. A frustração, pelo menos a curto prazo, será inevitável. A situação fica ainda mais delicada quando Lula sugere que poderia estar disposto a voltar.

Independentemente do fator Lula e mesmo da necessidade de pôr as contas públicas em ordem, há uma mudança no padrão de expectativas do brasileiro.

Atribuiu-se parte do sucesso e do prestígio de Lula à distribuição de recursos diretamente às famílias. De fato, ele ampliou o que recebeu do governo anterior e soube fazer disso uma notável obra de comunicação. Existe, porém, um segmento urbano que, vivendo nas periferias das grandes cidades, pouco tem a ver com o assistencialismo. É beneficiário do crescimento econômico e dos aumentos salariais, mas sabe que sua prosperidade depende da qualidade de seus diplomas.

Colecionei uma série de pesquisas, realizadas pelos mais diferentes institutos de opinião, algumas delas voltadas a entender os novos consumidores, que trazem sempre a mesma mensagem: o valor crescente do conhecimento. Basta lembrar que, segundo o Datafolha, a educação se transformou em uma das três prioridades da população. No Sudeste, onde estão as metrópoles, a tendência é especialmente forte.

O Brasil tem um imenso gargalo no ensino médio, o segmento educacional mais vulnerável do país. Os cursos técnicos são escassos; as vagas em faculdades públicas, limitadas. O nível geral das faculdades privadas ainda é lamentável, como mostram indicadores oficiais.

A tendência é a universalização do ensino médio e, com isso, mais gente informada, com mais expectativa e mais crítica. É o que se vê no adulto enfiado numa LAN house fazendo um curso a distância.

É inevitável que, nessa mistura de democracia com melhoria da escolaridade, aumente a percepção da distância entre o que se paga de imposto (mais de quatro meses de trabalho por ano) e o que se recebe como serviço. Mais que a corrupção, vão sobressair a falta de eficiência, o desperdício, os descalabros de gestão e o corporativismo doentio.

O imenso valor do Bolsa Família está em pôr o dinheiro diretamente nas mãos das famílias, quase sem intermediação. É bem mais simples do que melhorar o sistema de saúde ou oferecer educação de qualidade, avanços que exigem complexos e demorados sistemas de gestão.

Não dá para não reconhecer que o Brasil melhorou inclusive na educação. Mas o sucesso tem um preço. Logo as pessoas esquecem os benefícios adquiridos e querem mais.

Dilma terá de lidar com a expectativa deixada por Lula, mas a regra vale para todos os governantes que agora tomam posse: eles serão avaliados com mais dureza e terão de oferecer soluções mais engenhosas.

É provável que sejam avaliados pela habilidade de melhorar a autonomia dos cidadãos, ou seja, de aumentar a qualidade do que as pessoas aprendem para ter um projeto de prosperidade. É por isso que um trabalhador se dispõe a fazer um curso superior de madrugada.

PS - Já houve diferentes grupos no poder: bacharéis, militares, economistas. A próxima década será a era dos educadores - e uma coisa útil a fazer será aprovar uma lei da responsabilidade educacional, que puna, com pesadas multas, todos os níveis de governo que não cumprirem suas obrigações educacionais.
Retirado do site:http://aprendiz.uol.com.br/content/lophephith.mmp

Problemas de harmonia - Faltam professores para cumprir o ensino obrigatório de musica

Lucie Ferreira
O ensino de música se tornará obrigatório a partir de agosto de 2011. Até o momento, faltam professores com formação adequada e projetos pedagógicos com reflexão mais aprofundada sobre os conteúdos a serem ministrados.
No livro Música, cérebro e êxtase: como a música captura nossa imaginação, o pianista e compositor Robert Jourdain escreve que nada exige tanto do cérebro quanto o desempenho musical: centenas de músculos se articulam em uma coreografia, o olhar se fixa em partituras e instrumentos, ouvidos interpretam notas musicais, memórias e emoções planejam e administram passagens inteiras. Ou seja, tocar um instrumento põe em ação uma verdadeira orquestra fisiológica.

Pois os caminhos que indicam como trabalhar com essa orquestra estarão em jogo a partir de agosto de 2011, quando entra em vigor a Lei 11.769, sancionada em agosto de 2008, que torna a música conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do currículo da Educação Básica. Na prática, como a lei dá prazo de três anos letivos, isso deve efetivamente ocorrer no início do ano letivo de 2012.

Demanda de educadores, músicos e jornalistas que orbitam em torno do universo das artes em geral, a campanha pela obrigatoriedade não conseguiu emplacar, no entanto, o pedido de que houvesse profissionais com formação específica para ministrar seus conteúdos. O parágrafo que especificava a questão foi vetado, por recomendação do Ministério da Educação acatada pela Presidência da República. A razão: seria difícil estabelecer o que seria essa formação específica em atividade fartamente enraizada nas práticas sociais do país.

Em relação à frequência das aulas e às séries da Educação Básica que deverão oferecer os conteúdos, a vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e secretária de Estado da Educação do Acre, Maria Corrêa da Silva, adianta que a decisão depende da realidade de cada estado e município. Por se tratar de conteúdo do componente curricular "artes", é preciso "levar em conta a organização curricular estruturada em cada sistema, utilizando formatos diversificados, considerando a estrutura das escolas e suas condições". Sua afirmação se justifica a partir do texto do artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que determina que "os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela".

Por isso, o Consed ainda não tem uma visão de como o ensino de música irá se materializar, já que cada unidade da federação está cuidando - ou deveria estar - da implantação do conteúdo em suas redes. Como o órgão terá nova representação após as eleições, compondo-se dos novos secretários que assumem em janeiro, o mais provável é que o tema entre na pauta de discussões em 2011.

Professores em falta
A qualificação de professores de música ainda é um ponto delicado e desigual. Segundo Maria Corrêa da Silva, alguns estados têm professores com formação adequada, outros não. Assim, a saída seria estabelecer parcerias com outras instituições, como secretarias de cultura, para o ensino conjunto da disciplina. "É preciso ter profissionais com formação na área para um trabalho mais efetivo. Por isso, é necessário garantir formação superior, teórica e técnica aos professores."

No Acre, a universidade federal iniciou o curso de música no ano de 2006 e a formação dos profissionais acontece de forma gradativa. Luciana Nascimento, coordenadora do curso de música da Universidade Federal do Acre (Ufac), espera que a instituição possa suprir parte da necessidade das escolas do estado em até oito anos.

A professora do curso de graduação em música e do mestrado em artes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Margarete Arroyo constata que é cada vez menor o número de jovens com a pretensão de seguir carreira docente. As razões, segundo ela, são desprestígio social, salários baixos, péssimas condições de trabalho e, em muitos casos, risco de vida. Entretanto, Margarete nota influência da nova lei sobre os licenciados. "Eles se sentiram mais estimulados a enfrentar o desafio do trabalho na Educação Básica." Indiscutivelmente, a docência representa mais uma frente de trabalho para uma profissão bastante concorrida.

Para a professora da UFU, a inclusão dessas aulas não ocorrerá no prazo determinado. Além da falta de professores especialistas, aponta como complicadores do processo a ausência da música na maioria dos projetos pedagógicos dos cursos de pedagogia e a ideia disseminada de que aula de artes significa aula de artes visuais.

A secretária de Educação do Estado de Goiás, Milca Severino Pereira, aponta a carência de professores com habilitação em música como o grande obstáculo para a materialização do ensino em todas as escolas do estado até o final do prazo determinado pela lei. "Em Goiânia, 100% das escolas da rede estadual já oferecem música, embora ainda haja um déficit de pelo menos 80 professores. Uma banda marcial, por exemplo, precisaria de quatro professores, mas hoje a maioria das nossas bandas tem um único regente. Porém, temos 246 municípios e, no interior, há poucos profissionais qualificados para o ensino de música", argumenta. Para remediar a situação, em 2009 o estado ofereceu 520 vagas no concurso público para professores de música. Este ano realizou um novo concurso para suprir a grande demanda de profissionais.

Teoria e prática
Para Maria Corrêa, do Consed, o conteúdo curricular de música não pode se restringir a um conhecimento teórico. Deve se constituir de atividades que ponham o aluno em contato com as diferentes manifestações culturais relacionadas com a música.

Kátia Lucila Bueno, membro da equipe técnica de artes da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, utiliza um discurso bastante genérico para descrever as atividades da rede. Diz que os alunos, ao serem colocados em contato com os modos de produção da música, fazem experimentos que os conduzirão a adquirir saberes, habilidades, competências e sensibilidades. Além da teoria aliada à prática musical, o uso da interdisciplinaridade é feito entre as diversas linguagens artísticas e entre outras áreas do conhecimento. Segundo Kátia, o ensino de música "está consolidado em um novo currículo, implantado com o objetivo de atender à necessidade de organização do sistema educacional do Estado de São Paulo e de contribuir para a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos". A disciplina é oferecida em duas aulas semanais para todas as séries do ensino fundamental e nos dois primeiros anos do ensino médio.

Na rede estadual de Goiás, o ensino da música também vincula a teoria à prática. "A matriz curricular é aberta e permite que aluno e professor definam como trabalhar em sala de aula os elementos da linguagem musical. Eles escolhem a modalidade, se uma trilha sonora, se sonoplastia, se música instrumental, por exemplo. A partir disso, constroem o processo de ensino e aprendizado", relata a secretária de Educação, Milca Severino Pereira.

Implementadas no início do ano letivo de 2009, as aulas de música do Colégio Estadual José Honorato, em Goiânia, buscam um entendimento do universo sonoro. "Cada ano do ensino fundamental possui um currículo específico visando o aperfeiçoamento do aluno. Partindo de questões relacionadas ao som e à música, é possível explorar as múltiplas possibilidades educativas, promovendo a interação dos estudantes com diversas sonoridades presentes em seu cotidiano", diz a professora Brisa Broseghini Machado, que trabalha com percussão corporal, cantigas de roda, coral, literatura, música e mescla artes cênicas com artes visuais, além de utilizar recursos tecnológicos para ajudar no aprendizado como CDs, DVDs e internet.

Onde a música já é rotina
A superintendente de Educação Infantil e Fundamental de Minas Gerais, Maria das Graças Bittencourt, diz que a música já faz parte dos conteúdos básicos de Minas Gerais na disciplina artes. Está sendo trabalhada dentro de suas possibilidades e especificidades em cada etapa da Educação Básica. Mas o estado ainda não definiu uma política global para o ensino nas escolas da rede estadual. "Algumas unidades, a partir de sua autonomia curricular, já contam com a disciplina música ministrada separadamente de artes.

Incentivamos a manutenção desta decisão no projeto pedagógico e apoiamos essas escolas", diz a superintendente, acrescentando que durante este ano 560 escolas estaduais receberam violões para práticas com o instrumento.

Em Belo Horizonte, as aulas de música da EE Professor Leon Renault integram o currículo de artes por iniciativa da docente Vívian Desidério. A maior dificuldade na implementação se deveu ao fato de o curso de artes ser semanal. A solução foi dividir os conteúdos por bimestre.

Já no Colégio Estadual José Honorato, em Goiânia, as aulas de música funcionam como disciplina independente de artes tanto no primeiro quanto no segundo ciclo do fundamental. "A nova lei deve impulsionar os demais estados a se preocuparem com a cultura de seus habitantes, inclusive porque existe uma demanda muito grande de profissionais qualificados para atuar nessa área em todo o país", opina a professora Brisa Broseghini.

Particulares
Em alguns colégios privados de São Paulo, a música é conteúdo obrigatório na área de artes. O Instituto de Ensino Lavoisier a oferece como disciplina optativa desde 2007, quando o fundamental foi implementado na instituição. Alunos do 1º ano ao 9º ano do fundamental têm uma aula por semana com uma docente cuja formação tem ênfase em artes cênicas e música. As aulas são divididas em duas partes, uma de teoria e outra de desenvolvimento das habilidades instrumentais de cada aluno, a partir de seu conhecimento prévio, relata Fátima dos Santos, diretora pedagógica.

No Arquidiocesano, alunos até o 5º ano seguem esquema similar, com projetos na área musical integrados às artes visuais, ao teatro e à dança. "Os debates mais atuais para o ensino de artes apontam para o seu caráter interterritorial, com fruição por diversos campos", diz a coordenadora de linguagens e códigos da escola, Katia Pereira. "Arte não é só produzir objetos, mas compreendê-los, conhecê-los profundamente, dominar seus códigos particulares, falar sobre eles, debatê-los, questioná-los", explica.

Os alvos para caminhar

Em seu 19º congresso anual, cujo término foi no início de outubro, a Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) priorizou a discussão sobre como a Lei 11.769 deve ser encaminhada, considerando o contexto da educação nacional e o pouco espaço e valor reservados ao ensino das artes (música, teatro, artes visuais e dança). Sediado na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, o evento sugeriu, a partir de discussões realizadas nos fóruns, a criação de um grupo de trabalho cuja meta é propor e monitorar diretrizes, ações e encaminhamentos práticos para a implementação do ensino de música nas escolas. O grupo deverá atuar em conjunto com o Conselho Nacional de Educação (CNE).

"É preciso que crianças, jovens e adultos possam aprender música, apreciar a cultura musical, ter alternativas profissionais na cadeia produtiva da música e se tornarem cidadãos inseridos em contextos criativos, inovadores e partícipes da construção do patrimônio cultural nacional", ressalta a presidente da Abem, a docente da Universidade Federal do Paraná Magali Kleber.

Para a implementação, os principais desafios são de ordem conceitual (o que vamos fazer?) e de ordem prática (como vamos fazer?), diz Magali. "Precisamos ter a capacidade de nos articular com sabedoria política para planejar coletivamente propostas a curto, médio e longo prazo, tendo em vista o respeito à diversidade cultural como um dos eixos do nosso patrimônio cultural", opina a docente, para quem a formação deve se dar em consonância com a de outras licenciaturas, no âmbito da política de formação inicial e continuada proposta pela Capes em 2009.

Para a coordenadora de Estudos e Qualificação do Cemus na Funarte, Maya Suemi Lemos, é necessário estabelecer uma estratégia de ação específica na área de música, como a criação de editais de incentivo a programas de capacitação; o incentivo à expansão da segunda licenciatura, e a simplificação dos processos de isenção de disciplinas para acelerar a licenciatura dos profissionais que já têm capacitação musical. Ela destaca também a necessidade de apoiar as redes municipais. "A Funarte pretende realizar painéis em cada estado, voltados às secretarias municipais, em que sejam expostos projetos implantados com êxito nas escolas da região, para encorajar os municípios que queiram introduzir o ensino de música, mas não saibam como fazê-lo", afirma. A oferta de material didático e de ferramentas de fácil acesso e utilização pelas escolas é outro desafio. Maya defende que os editais para material didático são essenciais, assim como a criação de uma plataforma digital de livre acesso que ofereça recursos para escolas e professores.
Retirado do site:http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=13046

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Programa de letramento amplia bons resultados no Amazonas

Portal do MEC
Nos últimos sete anos, o Amazonas registra redução de aproximadamente 15% para 5% no índice de analfabetismo. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 95% dos jovens e adultos amazonenses são alfabetizados — a média nacional é de 7%.

“Ainda temos muito que trabalhar, pois traçamos metas para chegar a menos de 4%”, destaca a coordenadora do programa de letramento Reescrevendo o Futuro, Nazaré Correa. Implantado no Amazonas em 2003, o programa, planejado para atender locais de difícil acesso, como áreas rurais e aldeias indígenas, é desenvolvido em parceria entre Ministério da Educação, Secretaria de Educação, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e prefeituras.

Com aulas aos sábados, em horário integral, o programa de letramento prevê pagamento de bolsas aos alunos, duas refeições diárias e dois professores em cada sala de aula. Na seleção dos alfabetizadores, têm preferência estudantes universitários de pedagogia, professores da rede pública e educadores populares. “Em sete anos, diminuímos a evasão para uma média, hoje, de 6%, quando a média por município varia de 20% a 50%”, salienta Nazaré. “Ou seja, promovemos o ingresso e também a permanência dos educandos.”

Apesar dos bons resultados, o programa enfrenta desafios. Nazaré cita, entre eles, a alfabetização em língua materna — o Amazonas registra aproximadamente 64 grupos étnicos, que falam cerca de 30 línguas. “Já foram atendidos cerca de 18 mil indígenas, de 36 diferentes etnias, em 23 municípios”, esclarece. Outro desafio, de acordo com a professora, é a continuidade dos estudos na mesma proporção de ingressos na alfabetização.

Presença

Para superar as longas distâncias, os instrutores usam aviões, na maioria das vezes. Onde não há linha aérea convencional, as aeronaves são fretadas. Outro meio de transporte muito usado é o barco. A opção pelo ônibus é mínima, pois apenas cinco municípios são ligados por rodovias no Amazonas. “Antes do deslocamento, é necessária toda uma articulação com representantes locais para confirmar a presença dos alfabetizadores”, explica Nazaré.

Fátima Schenini

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Palavras-chave: letramento, Amazonas

Prefeituras começam a adquirir computadores para as escolas

Portal do MEC
Rio de Janeiro, Uberaba (MG) e São Bernardo do Campo (SP) foram os primeiros municípios do país a aderir à ata de preço do Ministério da Educação que possibilita a compra de computadores portáteis para estudantes das redes públicas, dentro do Programa Um Computador por Aluno (Prouca).

Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou que o computador portátil chegará na escola a 200 dólares, com toda a logística de entrega, garantia e instalação. “Isso combinado com a capacitação de professores e oferta de conteúdos educacionais. De nada adianta o computador se não houver a formação dos professores”, afirmou.

Em uma primeira etapa, o Rio de Janeiro comprará 112 mil computadores, o que representa o atendimento de 20% dos 650 mil alunos da rede pública municipal. A prefeitura vai utilizar a linha de crédito ofertada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, explicou que, como a rede é muito grande, os equipamentos serão enviados primeiro para escolas de tempo integral e ginásios do amanhã (localizadas em comunidades carentes), beneficiando alunos de primeiro ao nono anos. Claúdia destacou também que já desenvolve, com a secretaria de Educação a Distância (Seed) do MEC, um portal de aulas digitais para todas as disciplinas, usado por toda a rede escolar.

Para o prefeito de Uberaba, Anderson Adauto Pereira, a aquisição do computador portátil é um passo decisivo para o aprendizado futuro dos estudantes do seu município. “O computador é uma ferramenta de trabalho para a criança”, disse.

De acordo com Pereira, a prefeitura vai adquirir 1.020 computadores para alunos de sexta a nona séries de cinco escolas. Os professores também receberão. Uma gincana foi realizada entre as escolas urbanas e rurais, para a escolha das que participarão da primeira fase de implementação do projeto, previsto para o primeiro semestre de 2011.

A secretária municipal de Educação de São Bernardo do Campo, Cleusa Repulho, afirmou que o projeto pedagógico do município será focado nos alunos de oito a dez anos. Serão comprados 15 mil computadores portáteis para os estudantes e 5 mil para professores de 69 escolas. “No nosso município o computador será usado em grupo e individualmente, conforme a atividade desenvolvida”, disse. A rede municipal de São Bernardo tem 90 mil alunos.

Estados, municípios e Distrito Federal podem adquirir os computadores portáteis com recursos próprios ou com linha de crédito concedida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No caso de opção pela linha de crédito do BNDES, é necessário recorrer a agentes financeiros credenciados, com limite de compra de 25% do total de alunos da rede pública estadual ou municipal. Para as regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste, cada equipamento custa R$ 344,18, com entrega, garantia e instalação; para o Nordeste e o Sul, R$ 376,94, com os mesmos serviços.

Cada equipamento tem quatro gigabytes de armazenamento, 512 megabytes de memória, tela de cristal líquido de sete polegadas, bateria com autonomia mínima de três horas e peso de até 1,5 quilograma. É equipado para rede sem fio e conexão de internet, além de itens de segurança.

Instituído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, o Prouca faz parte da política nacional de tecnologia educacional do Ministério da Educação. O programa teve início em 2007, em fase experimental, em São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Piraí (RJ) e Palmas. Este ano, na segunda fase do projeto, foram distribuídos 150 mil computadores a estudantes de 300 escolas da rede pública. Os professores passam por capacitação para uso do equipamento em projetos pedagógicos.

Adriane Cunha

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Compra de computador portátil liberada a estados e municípios
Palavras-chave: Educação a distância, computador, Prouca, inclusão digital

Cultura da avaliação educacional cresceu durante governo Lula

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil
Em Brasília
No início do governo Lula, o país tinha um sistema de avaliação educacional ainda tímido, com poucos exames e em sua maioria amostrais. Em oito anos, foram criados novas provas e índices que permitiram um retrato mais preciso da qualidade do ensino no país. Muitos desses resultados ainda mostram uma situação ruim em boa parte das escolas brasileiras. Entre os novos exames está a Prova Brasil, aplicada a alunos do 5° e 9° ano do ensino fundamental e o Exame Nacional do Desempenho de Estudantes (Enade), para aferir a qualidade dos cursos superiores.
A principal inovação foi a criação do Índice Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), lançado em 2005. A ideia era ter um indicador que pudesse funcionar como um termômetro da qualidade do ensino público, combinando a nota dos alunos na Prova Brasil com as taxas de aprovação. Ele foi desenvolvido pelo então presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Reynaldo Fernandes, especialista em avaliação educacional.

O Ideb permite atribuir uma nota, em uma escala 0 a 10, para cada escola, município e estado, além de uma média nacional. Para Fernandes, o principal mérito do indicador foi conseguir estabelecer um sistema de metas de evolução para cada uma das escolas brasileiras, a partir do patamar em que elas se encontram. “Além da expansão das avaliações, o sistema de metas está comprometendo as redes com os bons resultados. Esse é o grande ganho que tivemos”, aponta.

Outro ponto positivo das mudanças implementadas no sistema foi a ampla publicidade aos resultados dos exames. Junto com esse crescimento veio também uma forte resistência de alguns setores da academia e dos profissionais em educação. Para Reynaldo, essas críticas são "naturais" e hoje os questionamentos se referem mais à forma como a sociedade e o governo utilizam e interpretam os dados.

“Não temos o monopólio dos resultados, cada um interpreta da sua forma. Quando solto a nota por escola, eu estou vendo naquele número que o diretor não está fazendo direito seu trabalho e ele pode ter vários motivos para isso. Mas o dado em si é um retrato, uma informação. O pior dos mundos seria não aferir um dado porque ele pode ser mal interpretado”, defende.

Ele reconhece, entretanto, que os indicadores e as próprias avaliações podem ser melhorados. “Essa é uma crítica positiva”, afirma.

O relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado recentemente ela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cita o Ideb como uma das razões para a melhoria da proficiência dos alunos. Segundo Reynaldo, o índice tem sido citado em estudos internacionais como um modelo inovador. Ainda não há um estudo que estabeleça a relação direta do impacto do índice na aprendizagem, mas Reynaldo afirma que as conversas com secretários de Educação e diretores de escola levam a crer que o Ideb estimula a busca pela melhoria das práticas.

Além de ampliar seu sistema de avaliação, a participação do Brasil no Pisa a partir de 2000, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, foi importante para que o país pudesse situar qual era o nível de seus alunos em relação ao restante do mundo. Nas últimas edições o desempenho brasileiro evoluiu, mas ainda está entre os piores do ranking.

“O Pisa foi importante para sabermos onde estávamos e aonde queríamos chegar. O país precisa ter um parâmetro externo. Nós sabíamos que o Brasil tinha atrasos, que ficaríamos nos últimos lugares e que as pessoas iriam reclamar. Mas é fundamental continuar participando”, aponta.

O texto do futuro Plano Nacional de Educação (PNE), cuja tramitação no Congresso Nacional começa em 2011, já indica a criação de novos exames e indicadores. Entre eles uma prova para aferir a alfabetização das crianças até os 8 anos de idade e a inclusão de ciências na Prova Brasil – hoje os estudantes são avaliados apenas em português e matemática.

“É sem volta [a expansão das avaliações educacionais]. E isso não é um fenômeno brasileiro, mas mundial”, acredita Reynaldo.

Professor da Universidade de São Paulo (USP) e atual membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Reynaldo ocupou a presidência do Inep entre 2005 e 2009. Saiu depois dos problemas ocorridos na edição de 2009 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), quando as provas foram roubadas de dentro da gráfica que imprimia o material, e a avaliação com 4 milhões de inscritos teve que ser adiada.
retirado do site:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/12/24/cultura-da-avaliacao-educacional-cresceu-durante-governo-lula.jhtm

Educação financeira será obrigatória em escolas públicas a partir de 2012

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
Orçamento doméstico, poupança, aposentadoria, seguros e financiamentos farão parte oficialmente do currículo das escolas públicas a partir de 2012.

O governo federal editou, na semana passada, um decreto que instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira, uma série de iniciativas pedagógicas voltadas às escolas e a adultos com o objetivo de erradicar o analfabetismo financeiro no país.
Neste ano, 450 escolas públicas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Tocantins e Distrito Federal iniciaram aulas de um projeto-piloto de educação financeira, que deverá chegar a mais de 200 mil instituições de ensino oficial.

Em 2011, o projeto-piloto testará uma metodologia de educação financeira voltada para escolas públicas do ensino fundamental.

Os educadores desenvolveram conteúdos adaptados de educação financeira para todas as nove séries do ensino fundamental e as três do ensino médio.

O conteúdo de educação financeira será distribuído nas aulas de matemática, história, ciências sociais e até português. Não haverá uma disciplina específica para educação financeira.

A educação financeira nas escolas é incentivada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e faz parte do currículo escolar de mais de 60 países.

As diretrizes são resultantes do trabalho conjunto de entidades do mercado de capitais -como Febraban (bancos), Anbima (bancos e gestores) e BM&FBovespa e dos reguladores CVM (ações e títulos de dívida), BC (bancos), Susep (seguros) e Previc (previdência).

CURSOS PARA ADULTOS

Além da educação formal nas escolas, também estão previstas a modulação de cursos à distância e iniciativas de treinamento em finanças pessoais voltadas para adultos.

Segundo José Linaldo Gomes de Aguiar, secretário de relações institucionais do Banco Central, serão criados cursos a distância voltados para adultos, que ensinem a organizar o orçamento doméstico, a planejar a aposentadoria e a utilizar bem os financiamentos.

O BC tem um curso presencial modulado de 20 horas, que leva a universidades e a organizações.

"O importante é que as pessoas sejam bem informadas e tenham consciência de suas decisões. São assuntos simples, que fazem muita diferença para algumas pessoas", disse Aguiar.

Uma pesquisa nacional realizada em 2008 com apoio da BM&FBovespa mostrou que é muito baixo o grau de educação financeira da população brasileira.

Na pesquisa, três em cada dez entrevistados declararam pagar apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito quando a situação aperta. Já algum tipo de restrição cadastral por falta de pagamento na praça foi a situação observada em 25% dos entrevistados.

Por outro lado, 69% dos pesquisados afirmaram fazer algum tipo de planilha para acompanhar os gastos da família, e 66% disseram que guardam os comprovantes de suas compras.
retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/mercado/851199-educacao-financeira-sera-obrigatoria-em-escolas-publicas-a-partir-de-2012.shtml

Ao visar vestibular, ensino médio esquece literatura contemporânea

FABIANA REWALD
DE SÃO PAULO
Qualquer aluno do ensino médio ao menos já ouviu falar de Machado de Assis ou de José de Alencar, nomes frequentes nas listas de livros cobrados pelos vestibulares. Mas é difícil encontrar quem já tenha lido Cristovão Tezza ou Luiz Ruffato, só para citar dois ganhadores do Prêmio Jabuti nos últimos anos.
Como o ensino médio é muito pautado pelos processos seletivos das universidades, as escolas admitem que é difícil fugir das listas.

"Sentia muita falta de incluir outros livros no programa, mas não dava tempo", conta Noemi Jaffe, doutora em literatura brasileira pela USP e ex-professora da disciplina no ensino médio.

Um dos motivos dessa falta de tempo é o fato de que ainda é comum o estudo da história da literatura, seguindo uma ordem cronológica.

"Isso se tornou quase uma camisa de força", critica Regina Zilberman, do Instituto de Letras da UFRGS (Federal do Rio Grande do Sul).

Mas as orientações curriculares do Ministério da Educação para o ensino médio já dizem que a ordem não precisa ser seguida: "Os professores [...] sentem-se obrigados a cobrir toda a linha do tempo, fazendo uso da história da literatura, ainda que isso não sirva para nada".

Uma alternativa sugerida pela especialista em literatura Maria José Nóbrega é comparar as diferenças entre as estéticas. "Essa experiência por contraste é mais fácil."

Para estudar o tema do amor romântico, os alunos do colégio Positivo, em Curitiba, leram "Inocência", escrito em 1872 por Visconde de Taunay, e "Contos de Amor Rasgados", publicado em 1986 por Marina Colasanti.

Perceberam que o amor não é mais tão idealizado quanto antigamente, diz o coordenador de literatura, Vanderlei de Siqueira.

MACHADO E FERRÉZ

Outro exemplo de intertextualidade é o que o escritor Marcelino Freire faz em oficinas para adolescentes.

"Dá para estudar Machado de Assis conversando com a literatura de Ferréz [autor de "Capão Pecado", entre outros livros]. Basta que o professor tenha ginga para misturar as tribos."

Regina Zilberman sugere ainda o uso de filmes ou peças de teatro para fazer uma "interlocução entre passado e presente". "No caso de Machado de Assis, que se transformou quase num 'pop star', existem adaptações de suas obras muito boas, já numa linguagem moderna."

O professor de teoria literária da Unicamp Alcir Pécora dá um alerta, porém: "[Fazer relações temporais entre obras antigas e contemporâneas] pode enriquecer o repertório. Mas também pode empobrecê-lo, caso se subordine o interesse das antigas exclusivamente aos temas contemporâneos".

FUVEST E UNICAMP

A lista unificada de livros obrigatórios cobrados atualmente pela Fuvest e pela Unicamp é marcada pelas obras canônicas. A mais recente é a edição aumentada de "Antologia Poética", de Vinicius de Moraes, publicada em 1960.

Para Manuel da Costa Pinto, curador da Festa Literária Internacional de Paraty, o ensino médio deveria incluir a leitura de obras mais próximas do aluno. Ele lembra que alguns vestibulares já cobram obras atuais, como a UFSM (Federal de Santa Maria), que prevê a leitura de "Eles Eram Muitos Cavalos", de Luiz Ruffato.

Renato Pedrosa, coordenador do vestibular da Unicamp, explica que não há uma determinação de adotar apenas livros clássicos ou mais antigos, mas existe a preocupação de que eles sejam todos de domínio público. "Não pode ser difícil de encontrar nem ser caro."

Ele diz ainda que não concorda totalmente com a posição de que a literatura produzida nos dias de hoje seja mais fácil ou atraente para os jovens. "As técnicas usadas hoje são de leitura mais difícil, têm uma estrutura mais sofisticada, que inclui narrativas não lineares."
retirado do site:http://www1.folha.uol.com.br/saber/849737-ao-visar-vestibular-ensino-medio-esquece-literatura-contemporanea.shtml

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